SEM A IGREJA CATÓLICA NÃO HAVERIA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL: nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Postado em Apologética, Ciência e Vida, Diversos, Estudos, Evangélicos, Fé e Razão, Igreja Católica, Lutero, Modernismo, Monaquismo, Protestantismo, Relativismo, Religião, Santidade às Maio 8, 2008 por José Roldão

Sem a Igreja Católica não haveria Civilização Ocidental: 

Nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Conceituados especialistas americanos e europeus vêm mostrando que sem a Igreja católica a civilização européia, berço da Civilização Ocidental e Cristã, não teria visto a luz. E apresentam a gênese, o desenvolvimento, o esplendor e a glória da Civilização Cristã. Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome. Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja. Como chegaram eles a essa conclusão? Eis o objeto deste artigo, que  representa uma viagem pela gênese, desenvolvimento, esplendor e glória da Civilização Cristã.

O historiador Rodney Stark(1) colocou o problema: na História houve apenas  uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. Por que não cresceram como a ocidental e cristã? 

Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica. As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação. Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé. Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”. Clemente de Alexandria, no século III, insistia: “Não julgueis que o que nós dissemos deve ser aceito só pela fé, mas deve ser acreditado pela razão”. Santo Agostinho consagrou tal ensinamento, e Santo Tomás, com suas Summas, levou-o a um píncaro.(2) 

Os monges medievais aplicaram a lógica racional à vida quotidiana e criaram uma regra de vida. Surgiram então prédios de uma beleza até então desconhecida; o trabalho foi dignificado e organizado; surgiram escolas de todo tipo; códigos civis e comerciais, leis internacionais, hospitais, fábricas, invenções, remédios eficazes; vinhos e licores, etc. A   vassalagem do monge em relação ao abade e as relações das abadias entre si inspiraram a organização política feudal. Uma força de elevação e requinte foi transmitida pela Igreja à sociedade no transcurso de gerações, e ergueu-se assim o mais formidável e esplendoroso edifício civilizador da História.

O Prof. Thomas E. Woods é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores.(3) Ele deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Idade Média. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas. E acrescenta: “Durante os últimos cinqüenta anos,  virtualmente todos os historiadores da ciência [...] vêm concluindo que a Revolução Científica se deve à Igreja” (p. 4). Não é só devido ao ensino, mas pelo fato de a Igreja ter gerado cientistas como o Padre Nicolau Steno, pai da geologia; Padre Atanásio Kircher, pai da egiptologia.

Padre Giambattista Riccioli, que mediu a velocidade de aceleração da gravidade terrestre; Padre Roger Boscovich, pai da moderna teoria atômica, etc; Réginald Grégoire, Léo Moulin e Raymond Oursel mostraram que os  monges deram “ao conjunto da Europa [...] uma rede de fábricas-modelo, centros de criação de gado, centros de escolarização, de fervor espiritual, de arte de viver, [...] de disponibilidade para a ação social — numa palavra, [...] uma civilização avançada emergiu das ondas caóticas da barbárie que os circundava. Sem dúvida nenhuma, São Bento foi o Pai da Europa. Os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia” (p. 5).

A Igreja sagra Carlos Magno imperador e reergue a cultura

A Igreja instituiu, na ordem temporal, o Sacro Império Romano Alemão na pessoa de Carlos Magno, rei dos francos. Ele deu um impulso incomparável à educação e às artes. Nessa obra educadora sobressaiu Alcuíno [foto 4], conselheiro íntimo de Carlos Magno, pupilo de São Beda, o venerável, e abade do mosteiro de Saint Martin em Tours. Falando da biblioteca de sua abadia em York, Alcuíno menciona obras de Aristóteles, Cícero, Lucanus, Plínio, Statius, Trogus Pompeius e Virgílio.

Papa Vítor III, que foi abade de Montecassino, na Itália,  patrocinou a transcrição de obras de Horácio, Sêneca e Cícero. Santo Anselmo, quando abade de Bec, na Inglaterra,recomendava Virgílio e outros clássicos a seus estudantes, mas prevenia-os contra as passagens imorais. Num exercício escolar de Santo Hildeberto, encontramos excertos de Cícero, Horácio, Juvenal, Persius, Sêneca, Terêncio e outros. Santo Hildeberto, aliás, conhecia Horácio praticamente de memória.

A Inovação material decisiva foi a minúscula carolíngia. Antes dela os manuscritos não tinham minúsculas, pontuação ou espaços em branco entre as palavras. A minúscula carolíngia, com sua “lucidez e sua graça insuperável, apresentou a literatura clássica num modo que todos podiam ler com facilidade e prazer” (p. 14). O medievalista Philippe Wolff equipara este desenvolvimento à invenção da imprensa.

O fácil acesso ao latim abriu as portas ao conhecimento dos Padres da Igreja e dos clássicos greco-romanos. Pois é mito falso que os grandes autores da Antiguidade só vieram a ser resgatados pela Renascença, época histórica que iniciou o multissecular processo revolucionário que em nossos dias atingiu um clímax. Lord Kenneth Clark mostrou que “só três ou quatro manuscritos antigos de autores latinos existem ainda; todo nosso conhecimento da literatura antiga se deve à coleta e cópia que começou sob Carlos Magno, e quase todo texto clássico que sobreviveu até o século VIII sobrevive até hoje!” (p. 17).

Alcuíno traduziu essa apetência coletiva em carta a Carlos Magno: “Uma nova Atenas será criada na França por nós. Uma Atenas mais bela do que a antiga, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará a sabedoria da  Academia. Os antigos só têm as disciplinas de Platão como mestre, e eles ainda resplandecem inspirados pelas sete artes liberais, mas os nossos serão mais do que enriquecidos sete vezes com a plenitude do Espírito Santo e deixarão na sombra toda a dignidade da sabedoria mundana dos antigos” (p. 19). São João Crisóstomo narra que o povo de Antioquia enviava os filhos para  serem educados pelos monges. São Bento instruiu filhos da nobreza romana.  São Bonifácio e Santo Agostinho ordenaram a seus religiosos criar
estabelecimentos de ensino por toda parte.

São Patrício desenvolveu a alfabetização na Irlanda. Concílios locais, como o sínodo de Baviera (79 8) e os concílios de Châlons (813) e Aix (816), ordenaram que se fundassem casas de ensino. Theodulfo, bispo de Orleans e abade de Fleury, exortava: “Em aldeias e cidades, os sacerdotes devem abrir escolas. [...] Que não peçam pagamento; e se recebem algo, que sejam somente pequenos presentes oferecidos pelos pais” (p. 20). Que diferença a com a nossa época, em que freqüentemente a  educação pública é calamitosa e a educação privada é cara!  Do caos à civilização: obra beneditina

No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais. No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia. Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.  Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos,  especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras. São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de  toda parte. São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: “Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes” (p. 43).

Criação das universidades na época medieval

Muitos ainda repetem o velho “chavão” de que a Idade Média foi uma época de trevas, ignorância, superstição e repressão intelectual. Mas não é preciso ir muito longe para provar o contrário. Basta considerar uma das máximas realizações medievais: as universidades [foto 1]. Aliás, foi um aporte exclusivo à História. Nem Grécia ou Roma conheceram algo parecido.A Cátedra de Pedro foi a maior e mais decidida protetora das universidades. O diploma de mestre, outorgado por universidades como as de Bolonha, Oxford e Paris, dava direito a ensinar em todo o mundo. A
primeira que ganhou este poder foi a de Toulouse, na França, das mãos do Papa Gregório IX, em 1233.

A Igreja protegeu os universitários com os benefícios do clero. Os estudantes da Sorbonne dispunham de um tribunal especial para ouvir suas causas. Na bula Parens Scientiarum, Gregório IX confirmou à Universidade de Paris o direito a um governo autônomo e a fixar suas próprias regras, cursos e estudos. Também a emancipou da tutela dos bispos e ratificou o direito à cessatio — a greve das aulas — se os seus membros fossem objeto de abusos, como aluguéis extorsivos, injúrias, mutilação e prisão ilegal. Os Papas intervinham com força, a fim de que os professores fossem pagos dignamente.

Completados os estudos, o novo mestre era oficialmente investido. Em  Paris, isso ocorria na igreja de Santa Genoveva, padroeira da cidade. O novo mestre ajoelhava-se diante do vice-chanceler da Universidade, que pronunciava esta bela fórmula: “Eu, pela autoridade com que fui revestido
pelos Apóstolos Pedro e Paulo, vos concedo a licença de ensinar, comentar, disputar, determinar e exercer outros atos magisteriais seja na Faculdade de Artes de Paris, seja em qualquer outra parte, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem” (p. 56).

Os mosteiros levaram a agricultura a patamar nunca visto

Para Henry Goddell, presidente do Massachusetts Agricultural College, os monges salvaram a agricultura durante 1.500 anos. Eles procuravam locais
longínquos e inacessíveis para viver na solidão. Lá, secavam brejos e limpavam florestas, de maneira que a área ficava apta a ser habitada.

Novas cidades nasciam em volta dos conventos.

O terreno em torno da abadia de Thorney, na Inglaterra, era um labirinto de córregos escuros, charcos largos, pântanos que transbordavam periodicamente, árvores caídas, áreas vegetais podres, infestados de animais perigosos e nuvens de insetos. A natureza abandonada a si própria, sem a mão ordenadora e protetora do homem, encontrava-se no caos. Cinco séculos depois, William de Malmesbury (1096-1143) descreveu assim o mesmo local:

“É uma figura do Paraíso, onde o requinte e a pureza do Céu parecem  já se refletir. [...] Nenhuma polegada de terra, até onde o olho alcança, permanece inculta. A terra é ocultada pelas árvores frutíferas; as vinhas se estendem sobre a terra ou se apóiam em treliças. A natureza e a arte rivalizam uma com a outra, uma fornecendo tudo o que a outra não produz. Oh profunda e prazenteira solidão! Foste dada por Deus aos monges para que  sua vida mortal possa levá-los diariamente mais perto do Céu!” (p. 31).

Mais tarde o protestantismo reduziu Thorney a ruínas, mas estas ainda emocionam os turistas. Aonde chegavam, os monges introduziam grãos, indústrias, métodos de produção que o povo nunca tinha visto [foto 2]. Selecionavam raças de animais e sementes, faziam cerveja, colhiam mel e frutos. Na Suécia, criaram o comércio de milho; em Parma, o fabrico de queijo; na Irlanda, criações de salmão; por toda parte plantavam os melhores vinhedos. Até descobriram a champagne! Represavam a água para os dias de seca. Os mosteiros de Saint-Laurent e Saint-Martin canalizavam água destinada a Paris. Na Lombardia, ensinaram aos camponeses a irrigação que os fez tão ricos. Cada mosteiro foi uma escola para explorar os recursos da região. Seria muito difícil encontrar um grupo, em qualquer parte do mundo, cujas contribuições tivessem sido tão variadas, tão significativas e tão indispensáveis como a dos monges do Ocidente na época de miséria e desespero que se seguiu à queda do Império Romano. Quem mais na História pode ostentar semelhante feito? –– pergunta Woods(p. 45).

Dignificação do trabalho manual

Disseminou-se que as escolas socialistas do século XIX recuperaram a dignidade do trabalho manual. Nada mais falso. No paganismo, os bárbaros viviam da caça e do saque; o trabalho braçal era próprio dos escravos. Quando o Império Romano ruiu, tornaram-se indispensáveis atividades de sobrevivência, sempre menosprezadas. E eis que os monges aparecem, ante as multidões miseráveis, como semi-deuses que habitam em admiráveis abadias devotadas ao esplendor do culto, e que após um simples bater do sino descem aos pântanos, desertos ou florestas para abrir roças com seus
braços!

Quando os monges deixavam suas celas para cavar valetas e arar campos, “o feito era mágico. Os homens voltavam para uma nobre porém desprezada tarefa”. São Gregório Magno (590-604) refere-se ao abade Equitius, do século VI, famoso pela sua eloqüência. Um enviado papal foi procurá-lo e se apresentou no scriptorium onde imaginava encontrá-lo entre os copistas. Os calígrafos simplesmente disseram: “Ele está lá embaixo no vale, cortando a cerca”.

Inventores de tecnologias logo comunicadas a todos

Os cistercienses ficaram famosos pela sua sofisticação tecnológica. Uma grande rede de comunicações ligava os mosteiros, e entre eles as informações circulavam rapidamente. Isso explica que equipamentos similares aparecessem simultaneamente em abadias, por vezes a milhares de milhas umas das outras. No século XII o mosteiro de Clairvaux, na França, copiou 742 vezes um relatório sobre o aproveitamento da energia hidráulica, para que chegasse a todas as casas cistercienses do Velho Continente.

Eis uma significativa carta da época: “Entrando na abadia sob o muro de clausura, que como um porteiro a deixa passar, a correnteza se joga impetuosamente no moinho, onde um jogo de movimentos a multiplica antes de moer o trigo sob o peso de moendas de pedra; depois o sacode para separar a farinha do joio. Assim que chega no próximo prédio, a água que enche as bacias se rende às chamas, que a esquentam para preparar cerveja para os monges”. O relato continua expondo a lavagem mecânica da lã, a tintura dos panos e o tingimento dos couros (p. 34-35). Todos os mosteiros dos cistercienses tinham uma fábrica modelo, com freqüência tão grande quanto a igreja. Eles foram os líderes da produção de aço na Champagne. Usavam resíduos dos fornos como fertilizantes, pela concentração de fosfatos. Jean Gimpel alude a uma autêntica revolução industrial na Idade Média, pois esta “introduziu a maquinaria na Europa numa medida que nenhuma civilização previamente conheceu” (p. 35).

E Woods completa: “Esses mosteiros foram as unidades econômicas mais produtivas que jamais existiram na Europa, e talvez no mundo, até aquela época” (p. 33). Stark cita a admiração dos viajantes vendo os quase dois mil moinhos que realizavam toda espécie de tarefas nas margens do Sena, nas proximidades de Paris.

Descobertas grandes e surpreendentes

No início do século VII, o monge Eilmer voou mais de 180 metros com uma espécie de asa delta. Posteriormente o padre jesuíta Francesco Lana-Terzi estudou o vôo de modo sistemático e descreveu a geometria e a física de uma nave voadora. Os monges eram habilidosos relojoeiros. O primeiro relógio mecânico de que se tem registro foi feito pelo futuro papa Silvestre II para a cidade de Magdeburg, na Alemanha por volta do ano 996. No século XIV, Peter Lightfoot, monge de Glastonbury, construiu um dos mais antigos relógios ainda existentes. Richard de Wallingfor, abade de Saint Albans, além de ser um dos iniciadores da trigonometria, desenhou um grande relógio astronômico para o mosteiro, que predizia com precisão os eclipses lunares. Relógios comparáveis só apareceriam dois séculos depois.

Gerry McDonnell, arqueometalurgista da Universidade de Bradford, na Inglaterra, encontrou nas ruínas da abadia de Rievaulx, as provas de um grau de avanço tecnológico capaz de produzir as grandes máquinas do século XVIII. Os religiosos medievais tinham conseguido fornos capazes de produzir aço de alta resistência. Rievaulx foi fechada por Henrique VIII em 1530, e por isso o aproveitamento dessas descobertas ficou atrasado de dois séculos e meio.

Em Arbroath (Escócia) os abades instalaram um sino flutuante num recife perigoso, que as ondas agitadas faziam soar para alertar os navegantes. O
recife ficou conhecido como “Bell Rock” (Recife do Sino), e hoje um farol e um museu lembram o fato. Por toda parte os frades construíam ou reparavam pontes, estradas e outras obras indispensáveis para a infra-estrutura medieval. E isto sem nenhuma despesa para o erário público.

Sem a Igreja, não teria havido ciências sistemáticas e dinâmicas

A alegada hostilidade da Igreja Católica à ciência não resiste a qualquer análise. A verdade é que, sem a Igreja, não teria havido ciências sistemáticas e dinâmicas, diz Woods.

De fato, a idéia de um mundo ordenado, racional — indispensável para o progresso da ciência — está ausente nas civilizações pagãs. Árabes, babilônios, chineses, egípcios, gregos, indianos e maias não geraram a ciência, porque não acreditavam num Deus transcendente que ordenou a criação com leis físicas coerentes.

Os caldeus acumularam dados astronômicos e desenvolveram rudimentos da álgebra, mas jamais constituíram algo que se pudesse chamar de ciência. Os chineses “nunca formaram o conceito de um celeste legislador que impôs leis à natureza inanimada” (p. 78). Resultado: descobriram a bússola, mas não sabiam para o que servia e a usavam em adivinhações.

A Grécia antiga confundia os elementos com deuses perversos e caprichosos. O Islã recusava a existência de leis físicas invariáveis, porque coarctariam a vontade absoluta de Alá (p. 79). Essas crendices todas tornam impossível a ciência (p. 77).

O historiador da ciência Edward Grant indaga: “O que tornou possível à civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais, de uma maneira que nenhuma outra civilização o fizera anteriormente? A resposta, estou convencido, encontra-se num espírito de investigação generalizado e
profundamente estabelecido como conseqüência da ênfase na razão, que começou na Idade Média” (p. 66).

A Igreja inspirou os códigos de leis e o Direito Internacional

Segundo o professor de Direito Harold Berman, os modernos sistemas legais “são um resíduo secular de atitudes e posições religiosas, que têm sua primeira expressão na liturgia, ritos e doutrinas da Igreja, e só depois nas instituições, conceitos e valores da Lei” (p. 187).

A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável. O Papa Gelásio definiu os limites da ordem temporal e espiritual. O primeiro corpo sistemático de leis foi o Código Canônico. O conceito de direitos individuais, que se atribui erroneamente aos pensadores liberais dos séculos XVII e XVIII, de fato deriva de Papas, professores universitários, canonistas e filósofos católicos medievais.

Deve-se também à Igreja o Direito Internacional. Pela influência d’Ela, os processos jurídicos e os conceitos legais substituíram os juízos dos germanos baseados na superstição.

A Revolução igualitária, que se iniciou no século XV, gerou pensadores como o filósofo britânico do século XVII Thomas Hobbes, para quem a sociedade humana é impossível sem uma espécie de despotismo. Para ele, o soberano deveria definir o que é verdadeiro e o que é errado, isto é, agir de um modo iluminado e arbitrário.

Os escolásticos fundaram a economia científica

Um dado muito pouco conhecido é que a Igreja inspirou o pensamento econômico. Joseph Schumpeter, em sua History of Economic Analysis (1954), disse dos escolásticos: “Foram eles os que chegaram, mais perto do que qualquer outro grupo, a serem os ‘fundadores’ da economia científica” (p. 153).

Jean Buridan (1300-1358), reitor da Universidade de Paris, deu importantes contribuições à moderna teoria da moeda. Nicolas Oresme (1325-1382), aluno de Buridan e padre fundador da economia monetária, estudou com prioridade os efeitos destrutivos da inflação (p. 155). Martín de Azpilcueta (1493-1586), escolástico tardio, escreveu sobre a carestia provocada pelo aumento de meio circulante. O Cardeal Caietano (1468-1534) justificou moralmente o comércio internacional e mostrou como a expectativa sobre o valor futuro da moeda afeta o presente do mercado (pp. 157-158). Para Murray Rothbard, “o Cardeal Caietano, um príncipe da Igreja do século XVI, pode ser considerado o fundador da teoria da expectativa em economia” (p. 158).

O franciscano Jean Olivi (1248-129 8) foi o primeiro a propor uma teoria do valor subjetivo, e mostrou que o “justo preço” emerge da interação entre compradores e vendedores no mercado. Um século e meio depois, São Bernardino de Siena, o maior pensador econômico da Idade Média, consagrou esta teoria (p. 158).

A caridade cristã exorcizou a brutalidade pagã

W. E. H. Lecky destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou    na Antigüidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo. O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo “a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja” (p. 176).

Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos. Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem  enterrar.

Santo Agostinho fundou uma hospedaria para peregrinos, resgatou escravos, deu roupa aos pobres. São João Crisóstomo fundou hospitais em Constantinopla. São Cipriano e Santo Efrém organizaram os auxílios durante epidemias e fomes.

O rei de França São Luís IX dizia que os mosteiros eram o “patrimônio dos pobres”. Eles davam diariamente esmolas aos carentes. Por vezes, míseros seres humanos passavam a vida dependendo da caridade monástica ou episcopal. Também distribuíam alimentos aos pobres em sufrágio da alma de um religioso falecido, durante trinta dias no caso de um simples monge, e durante um ano no caso de um abade. E, às vezes, perpetuamente.

Os hospitais, esses desconhecidos pelos não católicos. As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, criaram hospitais por toda a Europa. A Ordem dos Cavaleiros de São João (ou Hospitalários, que deu origem à Ordem de Malta) criou um hospital em Jerusalém por volta de 1113. João de Würzburg, sacerdote alemão, ficou pasmo com o que viu ali. “A casa — escreveu ele — alimenta tantos indivíduos fora dela quanto dentro, e dá um tão grande número de esmolas aos pobres, seja os que chegam até a porta, seja os que ficam do lado de fora, que certamente o total das despesas não pode ser contado, nem sequer pelos administradores e dispensários da casa”. Teodorico de Würzburg, outro peregrino alemão, maravilhou-se porque “indo através do palácio, nós não podemos de maneira alguma fazer uma idéia do número de pessoas que ali se recuperam. Nós vimos um milhar de leitos. Nenhum rei, ou nenhum tirano, seria  suficientemente poderoso para manter diariamente o grande número de pessoas alimentadas nessa casa” (p. 178).

Raymond du Puy, prior dos Cavaleiros Hospitalários, incitou os monges-guerreiros a fazerem sacrifícios heróicos por “nossos senhores, os pobres”. “Quando os pobres chegam — diz o artigo 16 do decreto de du Puy devem ser assim acolhidos: que recebam o Santo Sacramento, após terem primeiro confessado seus pecados ao sacerdote, e depois sejam levados à cama, como se fosse um Senhor”. O decreto de du Puy virou um marco no desenvolvimento dos hospitais (p. 178-179).

A caridade foi uma das características da Idade Média

O Hospital de Jerusalém inspirou uma rede de hospitais similares na Europa No século XII eles pareciam mais com hospitais modernos do que com os antigos hospícios. O de São João de Jerusalém impressionava pelo profissionalismo, organização e disciplina. Cada dia o doente devia ser visitado duas vezes pelos médicos, ser lavado e tomar duas refeições. Os responsáveis não podiam comer antes que os pacientes. Uma equipe de mulheres cumpria outras tarefas e garantia vestimentas e roupa de cama limpas.

O protestante Henrique VIII fechou os mosteiros e confiscou suas propriedades, na Inglaterra, sob a falsa acusação de que eram fonte de escândalo e imoralidade. Desapareceu então a caridade para com os necessitados. A redistribuição das terras abaciais trouxe “a ruína para incontáveis milhares dos mais pobres dos camponeses; a quebra de pequenas comunidades, que eram o seu mundo, e a verdadeira miséria passou a ser seu futuro” (p. 182). O desespero popular atiçou os motins populares de 1536 (p. 181).

Idêntico ou pior mal fez a Revolução Francesa. Em 1789, o governo revolucionário confiscou as propriedades da Igreja. Em 1847, mais de meio século depois, a França tinha 47% a menos de hospitais do que no ano do confisco (p. 185-186).

Pela regra de São Bento, os frades deviam dar esmolas e hospitalidade ao necessitado, como se este fosse um outro Cristo. Por isso os mosteiros serviam de hospedagens gratuitas, seguras e tranqüilas para viajantes, peregrinos e pobres.

Não somente recebiam a todos, mas em alguns casos iam à sua procura. O hospital monástico de Aubrac tocava um sino especial à noite, para orientar os viajantes perdidos no bosque. A cidade de Copenhague, na Dinamarca, nasceu em torno de um mosteiro estabelecido pelo bispo Absalon, para socorrer os náufragos.

A Igreja enxotou os costumes depravados e criminosos

Os padrões de moralidade foram modelados pela Igreja Católica. Platão ensinava que um doente, ou um incapacitado de trabalhar, devia ser morto. Na Roma antiga havia 30% mais de homens do que de mulheres. As meninas e os varões deformados eram simplesmente abandonados. Os estóicos favoreceram o suicídio para fugir da dor ou de frustrações emocionais. Os   romanos afundaram tanto na sensualidade, que até perderam o culto da deusa Castidade. Ovídio, Catulo, Marcial e Suetônio contam que as práticas sexuais do seu tempo eram perversas e até sádicas. Segundo Tácito, no século II uma mulher casta era fenômeno raro. Enfim, reinavam os torpes vícios em que hoje vai recaindo o mundo neopagão que apostatou da Cristandade.

A Igreja restaurou a dignidade do matrimônio e gerou um fato desconhecido pelos pagãos: suscitou mulheres capazes de tocar suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos.

A Igreja definiu e delimitou a guerra justa. Nem Platão nem Aristóteles fizeram qualquer coisa de comparável. Em sentido contrário, o espírito moderno antimedieval teve um mestre em Nicolò Machiavello. Ele postulou que a política é um jogo cínico, onde “a remoção de um peão político, embora envolva cinqüenta mil homens, não é mais perturbadora que a remoção   de uma peça de xadrez do tabuleiro” (p. 211).

O papel da Igreja na construção da civilização Woods conclui: “A Igreja não apenas contribuiu para a civilização ocidental, mas Ela construiu essa civilização” (p. 219). “Pensamento econômico, lei internacional, ciência, vida universitária, caridade, idéias religiosas, arte, moralidade — estes são os verdadeiros fundamentos de uma civilização, e no Ocidente cada um deles emergiu do coração da Igreja Católica” (p. 221).

Woods constata que as escolas revolucionárias, que dizem ser a fonte da civilização, na realidade trabalharam pela sua demolição. As escolas literárias revolucionárias conceberam enredos bizarros que refletem um universo anárquico e irracional. Na música, o mesmo espírito anticristão criou ritmos caóticos como os de Igor Stravinsky. Na arquitetura produziu a degeneração, hoje evidente, em edifícios destinados a serem igrejas progressistas. Em filosofia, caiu-se a ponto de o existencialismo propor que o universo é absurdo, que a vida carece de significado e que a única razão de viver é enfrentar o vácuo (p. 222-223).

      Notas:

      1. Rodney Stark, The Victory of Reason — How Christianity Led to Freedom, Capitalism and Western Sucess, Random House, 2005, 281 pp.2. Stark, op. cit., p. 7.
      3. Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., How the Catholic Church built Western Civilization, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 pp. As citações deste artigo são deste livro, salvo indicação em contrário.

UMA HISTÓRIA QUE NÃO É CONTADA

Postado em Apologética, Diversos, Estudos, Filosofia, Fé e Razão, Igreja Católica, Modernismo, Relativismo, Religião às Maio 8, 2008 por José Roldão

PROF. FELIPE AQUINO

Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, sua vida e sua História. Isto tem muito a ver com a imagem errada que muitos professores, de várias disciplinas, especialmente História, lhes passam, criando em muitos uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão negativa e deturpada da Igreja. O livro “Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, bem como inúmeras matérias fantasiosas sobre a Igreja, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que, a custa de sangue, sempre se impôs ao mundo. Nada mais errado e perverso. Mas, mesmo assim, as últimas pesquisas de opinião pública mostram que a Igreja está entre as primeiras instituições que têm a confiança do povo.

É hora de os jovens estudantes, especialmente os católicos, conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas, ou mesmo não contada. Hoje é lhes mostrado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a Igreja. Foi a Igreja quem salvou e quem moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e pela pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo. Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu o milagre das ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História. E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização.” (Woods, 2005, p. 7).

Em sua obra o Dr. Thomas apresenta muitas referências de historiadores atuais que confirmam o trabalho da Igreja na construção da Civilização Ocidental; algumas dessas citações estão referenciadas em nossa Bibliografia no final deste livro para quem desejar se aprofundar no assunto. Como não tenho acesso a todas elas, fiz uso de várias de suas citações referenciadas na Bibliografia.

Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada.

Há hoje no mundo um anti-Catolicismo espalhado pela mídia e pelas universidades. É dito aos jovens que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos, e como veremos neste livro. Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos moldar a nossa Civilização.

É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um “texto retirado do contexto se torna pretexto”; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo. A maioria das pessoas reconhece a influência da Igreja na música, na arte e na arquitetura, mas a influência da Igreja foi muito maior do que se pensa e se conhece. Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do Renascimento (séc. XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico, como veremos. Nossa Civilização tem uma enorme dívida com a Igreja pelo sistema universitário, pelo trabalho de caridade realizado, pelo advento da lei internacional, o desenvolvimento das ciências, das artes, da música, do direito, da economia e muito mais. A Igreja Católica salvou e construiu a Civilização Ocidental. Com muita rapidez os críticos da Igreja Católica levantam e expõem os erros dos seus filhos em todos os tempos, mas, solertemente escondem as grandes realizações da Igreja em prol da humanidade.

O Dr. Thomas Woods mostra que, nos últimos quinze anos, muitos historiadores e pesquisadores como A.C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbron, Rodney Stark, Alvin Schmidt, Robert Phillips, Kenneth Pennington, Daniel Rops, Joseph Needhem, Charles Montalembert, Joseph Mac Donnell, Phillip Hughes, David Knowles, William Lecky, Harold Broad, Michel Davies, Jean Gimpel e muitos outros, mostraram a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento de nossa atual Civilização. Por exemplo, a contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”. O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Kircher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas.
J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que:

“A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna.” (p. 5). Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476.

Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa… uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual, … uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma S. Bento (o mais importante arquiteto do monaquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos, foram os Pais da civilização Européia”. O desenvolvimento do conceito de “lei internacional” é atribuída aos pensadores dos séc. XVII e XVIII, mas na verdade surgiu no séc. XVI nas universidades espanholas católicas e foi o Padre Francisco de Vitória, professor, quem ganhou o título de “pai da lei internacional”. A lei ocidental é uma dádiva da Igreja; a lei canônica foi o primeiro sistema legal na Europa, o que deu início ao primeiro corpo coerente de leis. Segundo Harold Berman (1974), “foi a Igreja que primeiro ensinou ao homem ocidental um sistema moderno de lei. A Igreja primeiro ensinou que conflitos, estatutos, casos, e doutrina podem ser reconciliadas por análises e sínteses”. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Looke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canônicas da Igreja Católica. Alguns historiadores de economia antiga afirmam que a moderna economia, surgiu com Adam Smith e outros teóricos da economia do séc. XVIII, mas estudos recentes estão mostrando a importância do pensamento econômico dos Escolásticos da Igreja, particularmente os teólogos católicos espanhóis do séc. XV e XVI. O grande economista Joseph Schumpeter considera que esses pensadores católicos foram os fundadores da ciência econômica moderna. Lecky, um historiador do séc. XIX, crítico contra a Igreja, admitiu que, tanto no campo espiritual como no compromisso da Igreja com os pobres, foi feito algo novo no mundo ocidental e que representou um grande crescimento em relação à Antigüidade. Assim, a Igreja berçou a Civilização Ocidental em todos os seus campos: arte, filosofia, física, matemática, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, letras, línguas e etc. Infelizmente hoje o homem ocidental se afasta de Deus e da Igreja, perigosamente, colocando em risco a própria civilização. O Papa Bento XVI assim definiu a situação do mundo hoje:

“(…) no mundo ocidental de hoje vivemos uma nova onda de iluminismo drástico, ou laicismo, como se queira chamá-lo. Tornou-se mais difícil ter fé, pois o mundo no qual estamos é completamente feito por nós mesmos, e nele Deus, por assim dizer, já não comparece diretamente. Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos, e tornou-se mais difícil encontrar Deus neste mundo.” (Entrevista em Castel Gandolfo, 5 de agosto de 2006).

Neste livro queremos apresentar um pouco do trabalho maravilhoso da Igreja para salvar e construir a nossa rica Civilização Ocidental. Isto custou o sangue, o suor e as lágrimas de muitos filhos da Igreja. Se muitos deles não estiveram a altura do lugar que nela ocuparam, a grande maioria soube amar a Jesus Cristo e a Sua Igreja, e muitos deram a sua vida por ela.

Esperamos com este trabalho, que colocamos debaixo da proteção da Virgem Maria, que muitos jovens possam conhecer um pouco do verdadeiro  e maravilhoso trabalho da Igreja Católica para salvar e construir a nossa Civilização Ocidental.

Prof. Felipe Aquino
Lorena, 25 de dezembro de 2007
Natal do Senhor

HOMILIA DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO - Cristo deu a Pedro o Poder de Difundir a Igreja por Todo Mundo

Postado em Apologética, Bíblia, Diversos, Espírito Santo, Estudos, Eucaristia, Evangélicos, Fé e Razão, Hereges, Heresias, Igreja, Igreja Católica, Kardecismo, Lutero, Martinismo, Maçonaria, Monaquismo, Novo Testamento, Ocultismo, Paganismo, Protestantismo, Religião, Rosacruzes, S. João Crisóstomo, Santidade, Santos, Teologia, Tradição, Umbanda, Versículos, Virgem Maria, Wicca, Xamanismo às Maio 6, 2008 por José Roldão

João Crisóstomo 4

Das Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, de São João Crisóstomo bispo (345 d.C.)

Cristo deu a Pedro o poder de difundir a Igreja por todo o mundo

Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. – Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu (Mt 16 16.17). Por que Jesus afirmou que Pedro era feliz? Porque proclamara ser o Cristo Filho de Deus. Só podemos conhecer o Filho através do Pai, e o Pai através do Filho: estão assim demonstradas a igualdade da glória e a identidade da substância. Que diz Cristo? Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (Jo 1, 42). Porque engrandeceste meu Pai, diz ele, menciono o nome de quem te gerou. Como se dissesse: como és filho de João, sou Filho de meu Pai. Era supérfluo dizer: Tu és filho de João (Jo 1, 42); mas, pelo fato de Pedro ter proclamado: Tu és o Filho de Deus, Jesus intercala o aposto, para mostrar que é Filho de Deus, como Pedro é filho de João, isto é, da mesma substância do Pai.

Por isso eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja (Mt 16, 18), isto é, sobre a fé que proclamaste. Declara assim que muitos haverão de crer, e eleva o ânimo do apóstolo, constituindo-o pastor de sua Igreja. E as forças da morte não poderão vencê-la (Mt 16, 18). Se não prevalecerão contra a Igreja, muito menos prevalecerão contra mim. Portanto, não te perturbes, quando souberes que fui entregue e crucificado. Nesse momento confere a Pedro uma outra dignidade: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (Mt 16, 19). Que significa: Eu te darei? Como o Pai te deu conhecer-me, assim eu te darei.

Não disse: Pedirei ao Pai – o que teria sido uma grande demonstração de poder e um dom de valor inestimável – mas: Eu te darei. O que? As chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16, 19). Vês como eleva Pedro a uma consideração mais sublime, revelando-se a si mesmo e mostrando com essas duas promessas ser o Filho de Deus?

Promete dar-lhe algo que é próprio de Deus: tornando um simples pescador mais firme que a rocha, ainda que o mundo inteiro lhe seja contrário, dá-lhe poder para absolver os pecados e manter a Igreja inabalável em meio ao turbilhão das ondas. Também a Jeremias o Pai assegurava fazê-lo uma coluna de ferro e um muro de bronze, mas com uma diferença: Jeremias foi colocado à frente de um povo; Pedro, à frente do mundo inteiro.

Pergunto a todos que querem ver diminuída a dignidade do Filho, quais são os dons mais valiosos concedidos a Pedro: os que lhe foram dados pelo Pai ou os que lhe foram concedidos pelo Filho? O Pai revela o Filho a Pedro, mas o Filho entrega-lhe a missão de propagar por toda a terra o conhecimento do Pai e de si próprio. E, ainda mais, a um simples mortal entrega todo poder no céu, ao confiar as chaves a quem iria difundir a Igreja por todo o mundo e mostrá-la mais firme que o próprio céu. Pois disse: Passarão o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão (Mt 24, 35).

Homilia 54 sobre o Evangelho de São Mateus, 1-2
(Patrologia Grega, 58, 533-536)

SÃO CIPRIANO DE CARTAGO - COMO SURGEM AS HERESIAS

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Cipriano de Cartago 8

A origem de onde nasceram freqüentemente e continuam nascendo as heresias é a seguinte: há mentes perversas e sem paz, que, discordando em sua perfídia, não podem suportar a unidade. O Senhor, por seu lado, respeita a liberdade do arbítrio humano, permite e tolera que isto aconteça, a fim de que o crisol da verdade purifique os nossos corações e as nossas mentes, e, na provação, resplandeça com luz inequívoca a integridade da fé. O Espírito Santo nos previne, por meio do Apóstolo: “Convém que haja heresias para que entre vós se tornem manifestos os que resistem à prova” (1Cor 11,19).

Assim, aqui mesmo, antes do dia do juízo, são divididas as almas dos justos e dos perversos e as palhas são separadas do trigo. Esses são os que, por própria iniciativa e sem chamamento divino, se põem a encabeçar temerários grupinhos. Contra toda a lei da ordenação, se constituem superiores e, sem que ninguém lhes dê o episcopado, se atribuem a si mesmos o nome de bispos.

A eles faz alusão o Espírito Santo, no Salmo, falando dos que estão sentados em cátedras de pestilência, porque são peste infecciosa da fé. Mestres na arte de corromper a verdade, eles enganam com bocas de serpente, vomitando de suas línguas pestilentas peçonhas mortíferas. Os seus discursos brotam como chaga cancerosa, o trato com eles deixa no fundo de cada coração um veneno mortal.

[Capítulo X, como surgem a maldade e as heresias, Cipriano de Cartago, in “A Unidade da Igreja Católica" (De Ecclesiae Unitate), composta durante o concílio cartaginês de maio de 251]

SERMÕES DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA - Um Novo Modo de Pensar e de Viver

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Antônio de Pádua - El Greco

Um novo modo de pensar e de viver

O tentador aproximou-se de Jesus e disse-lhe: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4,3). O diabo em circunstâncias semelhantes procede de maneira semelhante. Com a mesma tática com que tentou Adão no paraíso terrestre, tentou também a Cristo no deserto e continua tentando qualquer cristão neste mundo. Tentou o primeiro Adão pela gula, pela vanglória e pela avareza e, tentando-o, venceu-o. Ao segundo Adão, isto é, Cristo, ele tentou de maneira semelhante, mas no foi vencido no seu intento porque quem ele tentava então não era somente um homem, mas era também Deus! Nós, que somos participantes de ambos, do homem segundo a carne e de Deus segundo o espírito, despojemo-nos do homem velho com suas obras que são a gula, a vanglória e a avareza e vistamo-nos do homem novo, renovados pela confissão, para frearmos, com o jejum, o desenfreado ardor da gula, para abatermos, com a humildade da confissão, a altura da vanglória, para pisarmos, com a contrição do coração, o denso lodo da avareza. “Bem aventurados, diz o Senhor, os pobres em espírito”, isto é, os que têm o espírito dolorido e o coração contrito, “porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3).

Procure ainda observar que, assim como o diabo tentou de gula o Senhor no deserto, de vanglória no templo, de avareza no cimo do monte, assim também faz conosco todos os dias: tenta-nos de gula no deserto do jejum, de vanglória no templo da oração e do ofício, de tantas formas de avareza no monte dos nossos cargos. Enquanto fazemos jejum, ele nos sugere a gula, com a qual pecamos em cinco maneiras, como diz o verso: “antes do tempo, abundantemente, demais, com voracidade e com delicadeza exagerada” (São Gregório). ANTES DO TEMPO, isto é, quando se come antes da hora; ABUNDANTEMENTE, quando se excita a gulosice da língua e se quer aumentar um apetite fraco com temperos, especiarias e toda espécie de comida; DEMAIS, quando se come mais comida do que o corpo necessita; pois dizem alguns gulosos: temos que fazer jejum, então vamos comer para suprir de uma só vez tanto o o almoço quanto a janta. Estes são como o bicho-da-seda que não sai da árvore em que está até não devorá-la completamente. O “bruco” (bicho-da-seda) é chamado assim porque é feito quase só de boca e simboliza muito bem os gulosos que são tudo, gula e barriga, e assaltam o prato como se fosse uma fortaleza e não o deixam se antes não o devoraram todo: ou se estoura a barriga ou se esvazia o prato! COM VORACIDADE quando o homem se joga sobre qualquer comida como se fosse assaltar uma fortaleza, abre os braços, estica as mãos, come com todo seu corpo; à mesa é como um cão que, na comida, não quer ter rivais. COM DELICADEZA EXAGERADA quando se procura só comidas deliciosas e preparadas com grande esmero.

Como se lê no primeiro livro dos Reis, sobre os filhos de Heli, que não queriam aceitar a carne cozida, mas só a crua, para poderem prepará-la com mais temperos e outras iguarias. Semelhantemente, o diabo nos tenta de vanglória no templo. Com efeito, enquanto estamos em oração, enquanto recitamos o ofício e estamos ocupados na pregação, somos assaltados pelo diabo com os dardos da vanglória e, infelizmente, muitas vezes feridos. Existem efetivamente alguns que, enquanto oram e dobram os joelhos e soltam suspiros, querem ser vistos. E há outros que, quando cantam em coro, modulam a voz, fazem falsetes e desejam ser ouvidos. Enfim, há também os que, quando pregam, elevam a voz como trovão, multiplicam as citações, interpretam-nas a seu modo, giram-se pra cá e pra lá e desejam ser louvados. Todos esses mercenários - acreditem-me - “já receberam sua recompensa” (Mt 6,2) e colocaram sua filha no prostíbulo. Diz Moisés no Levítico: “Não profanes a tua filha, fazendo-a prostituir-se” (19,29). Filha minha é a minha obra e eu a prostituo, quer dizer, a coloco no prostíbulo quando a vendo pelo dinheiro da vanglória. Por isso é que o Senhor nos aconselha: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua porta, ora ao teu Pai que está lá no segredo” (Mt 6,6). Tu, quando quiseres rezar ou fazer alguma coisa de bom - e é nisto que consiste o “orar sem cessar” - entra em teu quarto, isto é, no segredo do teu coração, e fecha a porta dos cinco sentidos para não desejar nem ser visto nem ser escutado nem ser louvado. Com efeito, diz Lucas (1,9) que Zacarias entrou no templo do Senhor na hora do incenso. No tempo da oração ‘que se eleva à presença do Senhor como o incenso’ (Salmo 140,2). Tu deves entrar no templo do teu coração e orar ao teu Pai e “o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará” (Mt 6,6). Além disso, do alto dos nossos encargos, da nossa passageira dignidade, somos tentados a cometer muitos pecados de avareza. Não existe só a avareza do dinheiro, mas também aquela do querer ser mais do que os outros. Os avarentos, mais têm mais desejam possuir.

Aqueles que ocupam altos postos, quanto mais sobem mais querem subir e assim acontece que caem com numa queda muito mais ruidosa, já que “os ventos sopram mais nos lugares altos” (Ovídio) e “aos ídolos é que são oferecidos sacrifícios nas alturas” (4 Reis 12,3). Diz Salomão a propósito: “O fogo não diz nunca: basta!” (Prov 30,16). O fogo, quer dizer, a avareza do dinheiro e das honrarias não diz nunca: basta! Mas o que é que diz então? “Mais, mais!” þ Senhor Jesus, tirai, tirai estes dois “mais, mais” dos prelados de vossa Igreja, que se pavoneiam no alto de suas dignidades eclesiásticas e gastam o vosso patrimônio, por Vós conquistado com os tapas, com as flagelações, com as cusparadas, com a cruz, com os cravos, com o vinagre, com o fel e a lança. Nós, portanto, que somos chamados cristãos por causa do nome de Cristo, imploramos todos juntos, com a devoção da alma e ao mesmo Jesus Cristo, e pedimos insistentemente que ele, do espírito de contrição, nos faça chegar ao deserto da confissão, a fim de que, nesta Quaresma, mereçamos receber o perdão de todas as nossas maldades e, renovados e purificados, nos tornemos dignos de gozar da alegria da sua santa Ressurreição e ser colocados na glória da felicidade eterna. No-lo conceda Aquele a quem se deve toda honra e toda glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

Tradução: Frei Geraldo Monteiro, OFM Conv

Sermões Dominicais e Festivos 1º Domingo de Quaresma, pp. 81-84

PODCAST - LAVAGEM CEREBRAL, técnica muito utilizada pelas seitas protestantes para congregar seguidores e afastá-los do caminho da Salvação

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Repasso o comunicado do Apostolado Veritatis Splendor:

Caríssimos irmãos e irmãs, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

É com imensa alegria que inauguramos neste Sábado mais um serviço de evengelização e defesa da Fé Católica. Temos agora o serviço de PODCAST.

Com este serviço nossos leitores poderão baixar ou ouvir no próprio site áudios com temas de interesse dos fiéis católicos.

O endereço do nosso serviço Podcast é:

http://www.veritatis.com.br/podcast/index.php.

Quem tiver IPod ou aparelhos similares poderão também através deles fazer uso do serviço. No momento publicamos 6 áudios listados em ordem descrescente que falam sobre:

Lavagem Cerebral, técnica muito utilizada pelas seitas

para congregar seguidores e afastá-los do caminho da Salvação.

O áudio é de autoria do Prof. Jaime Francisco de Moura, emitente apologista católico, autor dos livros: “Por que estes ex-protestantes se tornaram católicos” e “A Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas”, ambos publicados pela Editora COMDEUS.

Espero que gostem dos áudios.

Em Cristo,

Alessandro Lima.

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“Não combater o erro é corroborar com ele. Não defender a Verdade é suprimí-la” (Papa S. Félix).

COMO ENCONTRAR A VERDADEIRA IGREJA

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A Única Igreja verdadeira, e como reconhecê-la.

Use esta lista como medida…

  • Foi fundada pelo Próprio Jesus Cristo em Mt 16,18.
  • Seria construída em Simão Pedro: Mt 16,18.
  • Seria defendida pelo Próprio DEUS: Mt 16,18-19.
  • Teria autoridade dada por Jesus Cristo: Mt 16,19; 18,17-18.
  • Seria guiada pelo Espírito Santo que habitaria nela: Jo 14:15-17, At 15,28; 16,6.
  • Seria uma e não poderia ser dividida: Mc 3,24-25.
  • Teria um só rebanho e um só pastor: Jo 10,16.
  • Teria Sacerdotes, Bispos e Diáconos: 1Tm 3,1-13.
  • Tem que ter a celebração da Santa Eucaristia: Jo 6,42-70, At 2,42.
  • Tem que ser encontrada em todas as nações: Mt 28,19.
  • Precisa estar presente em todos os séculos: Mt 28,20.
  • Jesus Cristo disse que Ele estaria com Sua Igreja todos os dias, todos os anos, até o fim do mundo: Mt 28,20. Isto significa sem intervalos de tempo.

Examine sua Igreja e veja se cumpre TODAS estas exigências.
O fundador NÃO pode ser uma pessoa humana.
Tem que ter uma história contínua indo até mais de 1950 anos no passado.


Escrito por Bob Stanley em 1997
Atualizado em 19 de abril de 2000

TESTEMUNHOS PATRÍSTICOS SOBRE A SUCESSÃO APOSTÓLICA

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Existem vários escritos do início da era Cristã, que testemunham a estrutura e as características da Igreja de Cristo. Nessas obras podem ser encontradas provas sobre questões como a Sucessão dos bispos da Igreja e a Tradição apostólica, por exemplo.

Transcrevemos algumas passagens da obra de Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, escrita no século II, que combatia com veemência a gnose, heresia presente ainda hoje.

A obra é dividida em cinco livros, os três primeiros forma escritos durante o papado (bispado) de Santo Eleutério (175-189) e os dois últimos durante o pontificado de São Vitor I (189-198).

Como foi dito, a obra é composta de cinco livros, por tanto, é muito extensa e tem como objetivo refutar as heresias entre elas, a gnose; ao mesmo tempo em que combate a heresia, ela expõe a verdadeira doutrina Cristã. Por isso, serão expostos nesta seção, alguns fragmentos da obra para mostrar a legitimidade da doutrina da Santa Igreja.

Esta obra de Santo Irineu demonstra que a Igreja desde os tempos dos primeiros apóstolos, seguia, além das Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério; é muito útil para aquele que deseja ter uma noção de eclesiologia e hierarquia da Igreja, pela obra, pode-se constatar que a Igreja é hierarquizada desde os tempos de Jesus Cristo.

Uma das passagens mais importantes da obra de Santo Irineu de Lião é aquela descreve a sucessão apostólica de São Pedro à Santo Eleutério, o Papa da época de Santo Irineu. Santo Irineu descreve alguns fatos de alguns destes bispos que ao todo são doze Papas. Esta descrição se encontra na primeira parte do terceiro livro, no capítulo 3, versículo 3. Note na linha vermelha sublinhada que Santo Irineu nos da a confirmação de que os apóstolos fundaram e edificaram a igreja e transmitiram o governo episcopal a Lino, ou seja o governo da Igreja Católica foi entregue a outras pessoas após o martírio de São Pedro.

3,3. “Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. No pontificado de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé, e reconfirmar a tradição que há pouco tempo tinha recebido dos apóstolos, isto é, a fé num único Deus todo-poderoso, que fez o céu e a terra, plasmou o homem e provocou o dilúvio, chamou Abraão, fez sair o povo do Egito, conversou com Moisés, deu a economia da Lei, enviou os profetas, preparou o fogo para o diabo e os seus anjos. Todos os que o quiserem podem aprender desta carta que este Deus é anunciado pelas igrejas como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e conhecer a tradição apostólica da igreja, porque mais antiga do que aqueles que agora pregam erradamente outro Deus superior ao Demiurgo e Criador de tudo o que existe.

A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. A Aniceto sucedeu Sóter e presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora.”

Em passagens anteriores, nos versículos 1 e 2 do mesmo capítulo e mesma parte do terceiro livro podemos encontrar o registro da preocupação dos primeiros cristãos em conservar a tradição da Igreja de Cristo (Igreja Católica) descrevendo a sucessão dos bispos das várias igrejas. Note na parte em vermelho e sublinhado que Santo Irineu diz que poderia enumerar todos os bispo estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores, ou seja havia sucessão a qual denominamos sucessão apostólica.

Onde está a verdadeira tradição

3,1. “Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta em toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolo e os seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente vai delirando. Ora, se os apóstolos tivessem conhecido os mistérios escondidos e os tivessem ensinado exclusiva e secretamente aos perfeitos, sem dúvida os teriam confiado antes de a mais ninguém àqueles aos quais confiavam as próprias igrejas. Com efeito, queriam que os seus sucessores, aos quais transmitiam a missão de ensinar fossem absolutamente perfeitos e irrepreensíveis em tudo, porque, agindo bem, seriam de grande utilidade, ao passo que se falhassem seria a maior calamidade.”

3,2. “Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, quer por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.”

De suma importância é a parte destacada em azul sublinhado, pois, ela confirma o primado da Santa Igreja em Roma no governo episcopal daqueles que sucederam a São Pedro. Em outras palavras, Santo Irineu de Lião diz que com efeito, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, deve necessariamente estar de acordo com ela (a igreja de Roma), por causa da sua origem mais excelente e por que nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos. Compare esta passagem com a seguinte passagem do livro dos Atos do Apóstolos: At 16, 4-5: “Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.”

Autor: Rogério Amaral Silva

Fonte: Veritatis Splendor

HISTORICIDADE DA IGREJA CATÓLICA - FONTES

Postado em Apologética, Blasfêmias, Bíblia, Canon Bíblico, Diversos, Ecumenismo, Esoterismo, Espiritismo, Estudos, Evangélicos, Fé e Razão, Hereges, Heresias, Igreja Católica, Kardecismo, Lutero, Macumba, Martinismo, Maçonaria, New Age, Novo Testamento, Ocultismo, Paganismo, Protestantismo, Religião, Rosacruzes, Santidade, Santos, Teologia, Tradição, Umbanda, Versículos, Wicca, Xamanismo com categorias, , , , , , , , às Maio 1, 2008 por José Roldão
07Christ calling Peter and Andrew

P. Qual a origem da palavra?
R. Vem da palavra Grega Katholikos, que depois foi latinizada para Catholicus.


P. Qual o significado da palavra?
R. Significa “Universal”, que , por sua vez, significa: “em relação a, ou que afeta o mundo inteiro e todas as pessoas que nele vivem”. Quer dizer: abrangente, amplo, geral e que contém todo o necessário. Em suma, significa todas as pessoas em todos os lugares, tendo todo o necessário, o tempo todo.


P. Mas é Bíblica?
R. É sim. Está em Mateus 28,19-20, “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosto todos os dias, até o fim do mundo.”
Esta é uma declaração de Universalidade, Katholicos, Catholicus, Católico.


P. Ouvi dizer que a palavra “Católico” não foi usada por centenas de anos depois que Jesus Cristo fundou Sua Igreja.
R. Não é verdade. O primeiro uso que se registra da palavra que pude encontrar, está na carta de Santo Inácio de Antioquia para a Igreja Católica, parágrafo 8, de 107 D.C.,
Sem dúvida alguma a palavra vinha sendo utilizada antes do tempo desta carta.


P. Alguns dizem que a Igreja Católica terminou no tempo de Constantino (285-337), com o “Édito de Milão”, que ele emitiu em 313, concedendo à Igreja liberdade de culto. Outros dizem que foi nessa época que a Igreja começou. Quem está com a razão?

R. Ninguém tem razão. A Igreja Católica é a verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo e Ele garantiu sua perpetualidade, Mateus 28,20, e sua total veracidade, 1Timóteo 3,15. Agora, se algum dos argumentos da questão fosse verdadeiro, então você não acha que os Pais da Igreja o teriam mencionado em algum lugar? Ao invés disso, os Pais da Igreja mencionam a Igreja Católica em centenas de seus escritos ao longo de muitos séculos. Peçam aos que afirmam essas coisas para exibirem um documento que prove seu ponto de vista.


Aqui está o que os Pais da Igreja falaram. Em todos os casos a palavra “Católico” é utilizada. Preste atenção às datas, e como se estendem por mais de um século antes e depois de Constantino. O JXXXX se refere ao número dos parágrafos em “A Fé dos Pais de outrora”, por William A. Jurgens.

Igreja Católica…

Inácio, Carta aos fiéis de Esmírnia 8:1-2. J65. 106 D.C.
Martírio de São Policarpo 16:2. J77,79,80a,81a, 155DC
Clemente de Alexandria, Stromata (Miscelânea) 7:17:107:3. J435, 202D.C.
Cipriano, Unidade da Igreja Católica 4-6. J555-557, 251D.C.
Cipriano, Carta a Florentino 66:69:8. J587, 254D.C.
Lactantius, Instituições Divinas 4:30:1. *J637, 304D.C.
Alexandre de Alexandria, Cartas 12. J680, 324D.C.
Anastácio, Carta no Concílio de Nicea 27. J757, 350D.C.
Anastácio, Carta a Serapio 1:28. J782, 359D.C.
Anastácio, Carta ao Concílio de Rimini 5. J785, 361D.C.
Cirilo de Jerusalém, Lições Catequéticas 18:1. J836-*839, 350D.C.
Dâmaso, Decreto de Dâmaso 3. J910u, 382D.C.
Serapião, O Sacramental 13:1. J1239a, 350D.C.
Paciano de Barcelona, Carta a Sinfroniano 1:4 J1243, 375D.C.
Agostinho, carta a Vicente o Rogatist 93:7:23. J1422, 408D.C.
Agostinho , Carta a Vitalis 217:5:16. J1456, 427D.C.
Agostinho, Salmos 88:2:14, 90:2:1. J1478-1479, 418D.C.
Agostinho, Sermões 2, 267:4. *J1492, *J1523, 430 D.C.
Agostinho, Sermão para os Catecúmenos sobre o Credo 6:14. J1535, 395D.C.
Agostinho, A Verdadeira Religião 7:12+. *J1548, *J1562, J1564, 390D.C.
Agostinho, Contra a Carta de Mani 4:5. *J1580-1581, 397D.C.
Agostinho, Instrução Cristã 2:8:12+. *J1584, J1617, 400D.C.
Agostinho, Batismo 4:21:28+. J1629, J1714, J1860a, J1882, 411D.C.
Agostinho, Contra os Pelagianos 2:3:5+. *J1892, *J1898, 421D.C.
Inocêncio I, Carta a Probus 36. J2017, 417D.C.
Fulgêncio de Ruspe, Perdão dos Pecados 1:19:2, J2251-2252, 517D.C.

Os textos seguintes atestam a antiguidade da Igreja Católica.


Antiguidade da Igreja…

Hermas, O Pastor Vis 2:4:1. J82
Anônimo Segunda Carta de Clemente aos Coríntios 14:2. J105
Clemente de Alexandria, Stromata (Miscelânea) 7:17:107:3. J435
Agostinho, Carta a Deogratias 102:15. J1428
Agostinho, Salmos 90:2:1. J1479
Agostinho, Predestinação dos Santos 9:18. J1985
Gregório I, Carta a João 5:44:18. J2295 595D.C.


Os textos seguintes apoiam a perpetualidade da Igreja Católica.


Igreja para sempre…

Clemente, Carta aos Coríntios 42:1,64. J20,29a 80D.C.
Anônimo, Segunda Carta de Clemente a Roma 14:2. J105
Cipriano, Unidade da Igreja Católica 4. J555-556
Cipriano, Carta aos Relapsos 33:27:1. J571
Hilário, A Trindade 7:4. J865 Agostinho, Salmos 90:2:1. J1479
Agostinho, Sermão para os Catecúmenos 6:14. J1535


Os seguintes textos falam sobre a fundação da Igreja Católica.


Fundação da Igreja…

Clemente, Carta aos Coríntios 42:1. J20
Hermas, O Pastor Vis 2:4:1-3:5:1. J82-84 140D.C.
Anônimo, Carta de Clemente 14:2. J105
Irineu, Contra Heresias 3:16:6. J217a
Tertuliano, Objeção aos Hereges 9:3. J289
Clemente of Alexandria, Stromata (Miscelânea) 7:17:107:3. J435 202D.C.
Cipriano, Unidade da Igreja Católica 4. J555-556
Cipriano, Carta aos Lapsed 33:27:1. J571
Hilário de Poitiers, A Trindade 7:4. J865
Agostinho, Homilias sobre João 9:10. J1814


Os textos seguintes atestam o fato de que a Igreja Católica foi estabelecida em Roma.


A Igreja Estabelecida em Roma…

Clemente, Carta aos Coríntios, Palestra. J10a 80D.C.
Inácio, Carta aos Romanos, J52
Irineu, Contra Heresias 3:3:3. J210-211
Cipriano, Carta a Cornélio 59:55:14. J580
Concílio de Constantinopla, Canon3. J910d
Dâmaso, Decreto de Dâmaso 3. J910u
Optatus de Melvis, Cisma dos Donatistas 2:2. J1242


Os seguintes textos falam da unidade da Igreja Católica.


Unidade da Igreja…

Didaqué 4:3. J1b Inácio, Carta aos Filipenses 3:2. J56
Tertuliano, Objeção aos Hereges 20:4. J292
Cipriano, Unidade da Igreja Católica 4. J555-556


Os seguintes documentos atestam a “Universalidade” da Igreja Católica.

A Igreja Católica é realmente “Universal” como o nome implica.


Igreja Universal…

Didaqué, 9:1,10:1. J6,7
Clemente, Carta aos Coríntios 5:1. J11
Inácio, Carta aos Efésios 3:2. J38
Martírio de São Policarpo, Palestras. J77,79,81a
Hermas, O Pastor Par 9:17:4. J93
Anônimo, Carta a Diogenetus 6:1. J97a
Aristides de Atenas, Apologia 15. J112
Justino Mártir, Diálogo com Trifão 110. J144
Irineu, Contra Heresias 1:10:1. J191,192,215,257
O Muratorian Fragmento. J268
Tertuliano, Contra os Judeus 7:4. J320a
Clemente de Alexandria, Exortação aos Gregos10:110:1. J405
Cirilo de Jerusalém, Lições Catequéticas 18:23. J838
Dâmaso, Decreto de Dâmaso 3. J910u


Escrito por Bob Stanley, 9 de outubro de 1998

Atualizado em 3 de dezembro de 2003

MARIOLOGIA ESSENCIAL

Postado em Apologética, Bíblia, Estudos, Fé e Razão, Igreja Católica, Mariologia, Religião, Santidade, Santos, Tradição, Versículos, Virgem Maria com categorias, , , , , , , , , , às Maio 1, 2008 por José Roldão

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Autor: Marissa
Fonte: Site “The Bible Defends Catholic Church!”
Tradução: Carlos Martins Nabeto

I. Indicações Bíblicas sobre a Função de Maria

a) Maria como a Rainha Mãe

Existe uma palavra aramaica, Gebirah, que significa “Rainha Mãe. Tradicionalmente, ao lado do trono do Rei, existe um segundo trono. Muitos afirmariam que o segundo trono pertenceu à esposa do Rei, mas em Israel ele pertencia à mãe do Rei. A Gebirah era uma posição oficial e que era conhecida por todos (inclusive por Jesus e seus discípulos). Sua função era ser advogada do povo; qualquer pessoa que tinha um pedido ou solicitava uma audiência com o Rei fazia-o através dela. Ela era uma intercessora, apresentando os desejos e interesses do povo para o Rei. Isto não significa que o Rei era inacessível, ou que o povo tinha medo ou era incapaz de falar com ele. Isso meramente significava que o Rei honrava sua mãe e tratava os pedidos dela com especial consideração. Da parte das pessoas do povo, elas se sentiam muito próximos à ela, como se fossem também seus filhos.

Tal função é mencionada em:

  • 1Reis 15,13: “Até Maaca, sua avó, depôs da dignidade de rainha-mãe”.
  • 2Reis 10,13: “Somos irmãos de Acazias, e descemos a saudar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe”.
  • Jeremias 13,18: “Dize ao rei e à rainha-mãe: humilhai-vos, e assentai-vos no chão”.

Seu lugar específico de honra e intercessão é dramaticamente ilustrado em 1Reis 2,13-21:

“Então veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, mãe de Salomão. Perguntou ela: ‘De paz é a tua vinda?’. Respondeu ele: ‘É de paz’. E acrecentou: ‘Uma palavra tenho que dizer-te’. Disse ela: ‘Fala’. Disse ele: ‘Bem sabes que o reino era meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar, ainda que o reino se transferiu e veio a ser de meu irmão; pois foi feito seu pelo Senhor. Agora um só pedido te faço; não mo rejeites’. Ela lhe disse: ‘Fala’. Ele disse: ‘Peço-te que fales ao rei Salomão (pois não to recusará), que me dê por mulher a Abisague, a sunamita’. Respondeu Bate-Seba: ‘Muito bem, eu falarei por ti ao rei’. Quando Bate-Seba foi ter com o rei Salomão, para falar-lhe por Adonias, o rei se levantou a encontrar-se com ela, inclinou-se diante dela, e se assentou no seu trono. Mandou que pusessem um trono para a mãe do rei, e ela se assentou à sua mão direita. Disse ela: ‘Só um pequeno pedido te faço, não mo rejeites’. E o rei lhe disse: ‘Pede, minha mãe, porque não to recusarei’. Disse ela: ‘Dê-se Abisague, a sunamita, por mulher a Adonias, teu irmão’”.