Do Tratado de Santo Agostinho, bispo, «Contra Fausto»
(L. 20, 21: CSEL 25, 562-563) (Sec. V)
Celebremos os Mártires com um culto de amor e comunhão
O povo cristão celebra a memória dos seus Mártires com religiosa solenidade, para se animar a imitá los, participar dos seus méritos e ser ajudado com a sua intercessão; não dedica, porém, altares aos Mártires, mas apenas em memória dos Mártires. Com efeito, qual é o bispo que, ao celebrar a missa sobre os sepulcros dos Santos, disse alguma vez: Nós te oferecemos a ti, Pedro, ou a ti, Paulo, ou a ti, Cipriano? A oblação é feita a Deus, que coroou os Mártires, junto dos sepulcros daqueles que Deus coroou, para que a evocação desses lugares santos desperte em nós um sentimento mais vivo de amor àqueles a quem podemos imitar e Àquele cujo auxílio nos torna possível a imitação.
Veneramos os Mártires com um culto de amor e de comunhão, semelhante ao que dedicamos nesta vida aos santos homens de Deus, cujo coração sabemos estar já disposto ao martírio em testemunho da verdade do Evangelho. Mas àqueles que já superaram o combate e vivem triunfantes numa vida mais feliz, prestamos este culto de louvor com maior devoção e confiança do que àqueles que ainda lutam nesta vida. Contudo, o culto chamado de latria, que consiste na adoração devida à divindade, reservamo-lo só para Deus, e não o prestamos aos Mártires nem ensinamos que se lhes deva prestar. Como a oblação do sacrifício faz parte deste culto de latria – e por isso se chama idolatria a oblação feita aos ídolos – nós não o oferecemos nem mandamos oferecer aos Anjos, aos Santos, aos Mártires; e se alguém cai em tão grande tentação, é advertido com a verdadeira doutrina, para que se corrija e tenha cuidado. Os Santos e os homens recusam-se a apropriar-se destas honras devidas exclusivamente a Deus. Assim fizeram Paulo e Barnabé quando os habitantes da Licaónia, impressionados com os milagres feitos por eles, quiseram oferecer-lhes sacrifícios como se fossem deuses; mas eles, rasgando os seus vestidos, proclamaram que não eram deuses, e deste modo impediram que lhes fossem oferecidos sacrifícios.
Uma coisa, porém, é o que nós ensinamos, e outra o que nós suportamos; uma coisa é o que mandamos fazer, e outra o que queremos corrigir e nos vemos forçados a tolerar, enquanto não conseguimos corrigi-lo.









No Brasil temos um fenômeno já criticado por muitos católicos romanos de outros lugares. Como o maior país católico gerou tão poucos exemplos de santidade (em comparação com outros países)?
Temos nossos bons exemplos é claro. MAs qual é a fé na prática exercida pelas massas? Tanto católicas romanas quanto protestantes?
Vemos idolatria em todos os lugares. Adoração à imagens, unções ridículas que se assemelham a benzições e passes nada cristãos (tanto de um lado como de outro). Vemos o sincretismo adotando costumes de umbanda no meio do culto.
Mas temos os exemplos de pessoas que sabem o que é cristianismo realmente, e vivem isso. Mas infelizmente a realidade nos mostra que são minoria, ou são uma maioria quieta, que assiste ao que está errado e caminha resoluto adiante.
Temos o exemplo do pastor mercenário.
Temos o exemplo do padre que se disfarça e exú e age travestido como num carnaval, transformando o lugar de culto no próprio carnaval.
Temos as pessoas que acham isso correto e fazem questão de que o culto seja moldado à “sua semelhança”. É o relativismo e a massificação em ação. É a destruição por dentro, tão preconizada por intelectuais materialistas como Antônio Gramsci.
Os protestantes atacam católicos romanos por “adorarem” imagens. Os católicos esclarecidos sentem-se ultrajados, pois sabem muito bem que não fazem uma idolatria ali. Os católicos atacam os protestantes por transformarem o culto numa “macumba doida”. Aí os protestantes que professam uma fé reformada ficam indignados.
A crítica está generalizada, e quem responde são justamente aquelas pessoas que não são responsáveis por aquilo! Chega a ser irônico algumas vezes, mas o foco está perdido.
Infelizmente não posso dizer que tais erros sejam dessa ou daquela denominação exclusivamente, e gostaria muito que a católica romana pudesse dizer que está unida integralmente, mas sabemos que não é nem será assim tão cedo.
Tenham certeza de que oramos pelo cristão da reforma, da católica romana e da ortodoxa, assim como para todos aqueles que não o são. Pois quem é que neste caos que é o Brasil não precisa de um pouco de ajuda?
Talvez um esforço para primeiro “pôr ordem na casa” seja o melhor. Vejo com bons olhos as tentativas dos últimos dois papas de enfatizar o que é um cristão católico romano na raíz.
Vejo com bons olhos a tentativa de reforçar o estudo bíblico adequado realizada pela Universidade Mackenzie aqui no Brasil, tentando trazer sabedoria aos protestantes.
Mas que ainda persiste uma grande permissividade por todos os lados existe.
Como não ser permissivo e ao mesmo tempo ser tolerante e Caridoso? Mais uma tensão que permanecerá sempre conosco.
Talvez fuja ao assunto, mas… fica a cargo do Roldão considerar se é viável publicar esse post ou não.
Questionado quanto a minha coerência e contradição como cristão da reforma (ao apresentar um ponto de vista um tanto distanciado na troca de posts), gostaria de lembrar alguns pontos. E oferecer o ponto de vista de um cristão da reforma, por assim dizer.
É irônico encontrar-me em situações nas quais defendo alguns pontos da ortodoxia católica romana contra alguns que se dizem católicos romanos, entre outros. Não diria contraditório, mas irônico sim. Se está certo, está certo. Não é uma questão de time de futebol, e é até grosseiro falar desse jeito. Se vejo alguns pontos (ou muitos) positivos dentro da fé romana, não sou contraditório por isso.
O conceito de Sola Scriptura é a principal forma de manter a tradição cristã. É óbvio que não é para cada um inventar o que quer e sair pregando a torto e a direito. Interpretar requer uma coerência interna entre toda a escritura e o conhecimento histórico e até mesmo filológico para tal (estudo de latim, grego, etc…), e um estudo longo e dedicado, e concílios, e reuniões de estudo, é o trabalho de uma vida. O que vemos muitas vezes são pessoas com pouco conhecimento da palavra que distorcem-na e criam doutrinas novas e esquisitas. Mas há mecanismos institucionais na presbiteriana para uma interpretação adequada, e assim a tradição é mantida. A própria fé reformada atualmente subscreve o que foi elaborado no Concílio de Westminster, além dos credos mais antigos da fé cristã.
Tradição, eu reforço, consideramos como o cristianismo na sua manifestação primária, mais próxima do evento que o estabeleceu. Adendos realizados em concílios muito posteriormente, que contradigam os relatos bíblicos ou que simplesmente não estão no cânon, são considerados não essenciais à fé, e às vezes, potencialmente contraditórios. Maria subiu aos céus? Não sabemos ao certo. Não consta nos primeiros relatos tidos como normativos e mais fiéis à realidade pelos primeiros cristãos que fizeram o enorme esforço de compilar a fé. O essencial ao culto e a fé cristã já está no cânon. O restante… quem sabe?
Fugir disso poderia nos levar aos ventos de doutrinas estranhas à fé. Para longe do reto caminho. Agora sair atirando pedras? Quem será o primeiro? Fazer igual aquele doido que chutou a imagem da santa (algo no mínimo estúpido, e interpretado de forma ainda mais estúpida)?
Para lembrar (e criticar, provavelmente, olha onde fui me meter a escrever sobre fé reformada, hehe)
Algumas doutrinas da fé reformada são:
Predestinação;
Salvação pela Graça;
Sacrifício suficiente e perfeito de Cristo;
Perseverança dos justos (ou santos);
Ação irresistível do Espírito Santo;
Total corrupção do homem sem a ação de Deus;
Soberania absoluta de Deus.
O debate em cima de cada ponto ultrapassa qualquer pretensão minha de elaborar comentários. São coisas que teríamos que conversar sem pressa, e expôr ambos os lados e perceber quais as reais diferenças entre cada cosmovisão cristã. A simples determinação do real significado de cada palavra usada e sua compreensão semelhante por todos para iniciar uma discussão já seria tema de semanas de estudo e definição conceitual (predestinação para um é uma coisa, para outro é outra, etc.)
As doutrinas não são protestantes. Elas já estão discutidas no seio da igreja romana há séculos. Lutero não fundou essa doutrinas, nem Calvino. Eles podem ter lembrado e reinterpretado em alguns pontos, mas não inventado. Vide Agostinho, Anselmo, etc.
Sobre sacramentos, na bíblia encontro somente dois mandados de Cristo: ide e batizai… e Fazei isso em minha memória… (Batismo e Ceia). O casamento, embora ocorra sob a Graça e a benção do Pai, não é considerado sacramento, assim como a extrema-unção, etc; por falta de descritivos bíblicos.
Provavelmente teremos muitos pontos discordantes, centenas? Milhares? Quem sabe? Aqui não dá para discutir, infelizmente. Mas só para dar uma pequena noção do que uso como embasamento cristão, e do que é a fé reformada, ou o que deveria ser.
O conteúdo total e real está muito além de meus esforços. Faço meu melhor, e tento ajudar o próximo a fazer seu melhor também. Quando vejo um católico romano, um batista ou um presbiteriano negar chamar o outro de irmão na fé, posso dizer que além de triste, fico um tanto desiludido de tentar prosseguir conciliando, mas ninguém disse que seria fácil, não é?
Venham as críticas…. :-(
HÉLIO,
Com certeza, mesmo levando em consideração apenas os pontos que citou da doutrina reformada, um debate a respeito de cada um deles poderia ultrapassar nossa possibilidade neste espaço.
Porém julgo importante e digno de nota – e inédito por aqui, diga-se de passagem – sua honestidade em expor artigos fundamentais de sua fé para que possamos entender seus argumentos e, de meu lado, procurar também me fazer entender de forma adequada, dentro do possível.
Uma parte que me chamou especial atenção, dentre outras, claro, foi quando escreveu:
«Sobre sacramentos, na bíblia encontro somente dois mandados de Cristo: ide e batizai… e Fazei isso em minha memória… (Batismo e Ceia). O casamento, embora ocorra sob a Graça e a benção do Pai, não é considerado sacramento, assim como a extrema-unção, etc; por falta de descritivos bíblicos»
Imediatamente surgiu uma pergunta em minha mente:
Como são resolvidas para você as questões que não estão descritas na Bíblia, como por exemplo, a lista dos livros que deveriam compor ela mesma?
Não existe em nenhuma parte do Novo Testamento uma listagem que indique, sem erro, serem estes ou aqueles os livros realmente inspirados por Deus e, de outro lado, quais não deveriam ser considerados inspirados.
Quando algo não possui descrições na Bíblia, qual o critério que utiliza, o qual seja parte da doutrina ou método que professa, para resolver essas questões?
Citei esse exemplo porque foi o que primeiro me veio à mente, mas existem outros, os quais, da mesma forma, não encontram descrições na própria Scriptura, como, citando mais um exemplo, a doutrina mesma da Sola Scriptura.
Dentro do mesmo raciocínio, posso pensar:
Se essa fosse uma medida tão importante, diria crucial, porque os apóstolos não pareceram meditar nessa questão, tipo, deixando explicitamente a listagem que deveria conter a regra de fé, ou seja, os livros que a deveriam expor e até mesmo não mencionassem a própria regra? Sim, pois, se fosse para ser dessa forma, no próprio Novo Testamento deveria ter algo a respeito, de forma clara e sem erro.
Outra:
Até por volta do século quarto, não havia sido definido, digo, explicitamente pela igreja, quais seriam esses livros inspirados. Como, por cerca de quatro séculos, inclusive sob perseguição, os cristãos deveriam ter feito para manter um verdadeiro cristianismo sem uma bíblia definida, ou seja, definitivamente fechada? Como seguir uma regra quando o próprio objeto da regra não estava definido? Como exercer a Sola Scriptura quando a Scriptura não existia?
Faço essas perguntas por que propôs que a Sola Scriptura seria uma tentativa de retorno ao que a igreja primitiva deveria professar. Só que, de outro lado, a própria Sola Scriptura, obviamente, depende da Scriptura, ou seja, particularmente do Novo Testamento, este mesmo que não estava definido e não era, inclusive por isso, a única regra de fé da mesma Igreja primitiva a que se propõe o retorno. Se tivesse sido, para sustentar a Sola Scriptura, tanto a mesma quanto o objeto a que se aplica (o Novo Testamento) deveriam estar explícitos.
Divagando:
Se a Igreja Católica foi quem definiu o cânon, este mesmo que é tomado como única regra de fé pelos protestantes, este não seria mais um motivo, aliás, o mais forte então, para que a Igreja que o definiu tenha autoridade suficiente para definir também aqueles pontos os quais não estão descritos na Bíblia?
Como faz para crer no objeto mesmo da Regra de Fé, sem crer naquela que o criou?
Não faço aqui uma crítica velada, mas, sinceramente, busco compreender quais os métodos ou critérios que utiliza para resolver em sua consciência os assuntos, como os que eu citei rapidamente, por exemplo, onde vemos a falta de descrições e até mesmo alguns fundamentos.
Fiz muitas perguntas, eu sei! Mas, se reparar bem, foram muito redundantes. Preferi escrever assim, em ‘ondas’, para tentar passar fielmente como foram se desenvolvendo as perguntas que a leitura daquele trecho que escreveu me suscitaram. Também, devo confessar, por ser já alta madrugada.
P A X
Vamos lá então! Tentarei resumir de uma forma adequada (não sei se estarei capacitado para tal, mas vamos tentar)
“Como são resolvidas para você as questões que não estão descritas na Bíblia, como por exemplo, a lista dos livros que deveriam compor ela mesma?”
Primeiramente, a Bíblia é um relato histórico (ambos sabemos bem), e não um guia de regras explícitas. A doutrina em si é resultado de um trabalho intelectual e espiritual gigantesco.
Mas observando o exemplo de Cristo e daqueles que mais perto estiveram dele e do Pai, podemos utilizar os exemplos realizados em atos (pois Deus escreve por meio de fatos históricos) em nossa vida.
Sobre a lista de livros, foi elaborada após muita discussão e compilação realizada pelos cristãos dos primeiros séculos, sem dúvida muito inspirados pelo Espírito Santo, e que passaram uma boa parte de sua vida combatendo heresias e “novidades” um tanto alienígenas às escrituras do novo testamento mais fidedignas. Sobre os critérios que eles usaram, temos a confiabilidade da fonte das escrituras (apóstolos e membros reconhecidos da Igreja) e a coerência entre as mesmas e com a tradição oral (que na época estava relativamente muito próxima dos acontecimentos que marcaram a plenitude dos séculos), entre outros diversos pré-requisitos.
Então os protestantes confiam no trabalho realizado pelos irmãos católicos romanos? Sim, o trabalho realizado nos primeiros séculos foi excepcional, e sabemos disso, ou deveríamos saber. O problema realmente ocorreu quando alguns caminhos estranhos foram tomados (aí vai outra longa história).
“Quando algo não possui descrições na Bíblia, qual o critério que utiliza, o qual seja parte da doutrina ou método que professa, para resolver essas questões?”
Temos o aspecto da religião natural e da revelada. Creio que o bom senso, aliado ao conselho dos mais sábios e ao conhecimento o mais completo possível da bíblia ajuda e muito. Uma situação não definida explicitamente na bíblia pode e deve ser resolvida pelo bom senso, e até mesmo pelos costumes e tradiçoes desde que não contradiga as escrituras.
O exemplo é péssimo, eu sei, mas sobre o aborto. Não há nada explícito na bíblia sobre o aborto, de forma límpida, que eu me lembre. E embora seja costume em alguns lugares, na bíblia temos a valorização da vida como mandamento divino (não matarás) e relatos sobre Deus tratando o feto como um ser completo, e conferindo-lhe um destino (na barriga da mãe, já escolhera o irmão mais novo como herdeiro – Jacó).
“Se essa fosse uma medida tão importante, diria crucial, porque os apóstolos não pareceram meditar nessa questão, tipo, deixando explicitamente a listagem que deveria conter a regra de fé, ou seja, os livros que a deveriam expor e até mesmo não mencionassem a própria regra? ”
Eles já mencionavam que as escrituras (do velho testamento) deveriam ser usadas para repreender, ensinar, etc. Em relação ao novo testamento, eles viveram numa época em que o próprio Logos encarnou como Cristo. A história estava escrita na frente de seus olhos, e a tradição oral que tal vivência providenciou garantiu a correta elaboração do Cânon posteriomente e o combate contra as primeiras heresias, incluindo o gnosticismo.
“Como, por cerca de quatro séculos, inclusive sob perseguição, os cristãos deveriam ter feito para manter um verdadeiro cristianismo sem uma bíblia definida, ou seja, definitivamente fechada? Como seguir uma regra quando o próprio objeto da regra não estava definido? Como exercer a Sola Scriptura quando a Scriptura não existia?”
A Sola Scriptura não é um conceito perene em relação ao novo testamento (embora a utilidade das escrituras tenha sido enfatizada pelos apóstolos em relação ao VT, que Cristo confirmou). Foi adotada pelos cristãos da reforma justamente para evitar que a IGreja caminhasse por caminhos incorretos, que criasse novas e estranhas doutrinas, que fugisse ao ensinamento essencial de Cristo.
Agora para o mal sempre há forma de distorcer, infelizmente. E aí vemos as interpretações erradas (que sempre aconteceram), e erros repetidos por todos os lados, como a comercialização de bençãos feitas por alguns “evangélicos”, mesmo após ser justamente essa a gota d’água que explodiu a reforma. O bicho homem é difícil!!!
“Como faz para crer no objeto mesmo da Regra de Fé, sem crer naquela que o criou?”
Eis um ponto crucial! Muitos cristãos reconhecidos pela Igreja Romana são também reconhecidos pelos protestantes (ou deveriam ser). Lutero e Calvino realizaram algumas reinterpretações, reforçaram alguns pontos, derrubaram outros, mas trabalharam muito em cima da obra de Agostinho, Tomás e outros. Os antigos cristãos inspiraram em conjunto com a bíblia cada uma das doutrinas expostas.
Atualmente, por exemplo, o próprio reverendo R. C. Sproul disse que os protestantes deveriam olhar com muito carinho o legado de Tomás de Aquino. O gnosticismo disfarçado de progressismo, naturalismo e liberalismo desviou muitos ramos da igreja protestante. Fez menos estrago na romana justamente por causa de sua união mais elaborada e de sua hierarquia, embora estragos também tenham sido feitos. Mas essa loucura de milhares de seitas protestantes é dose pra leão, e os próprios protestantes não gostam dessa situação, pode ter certeza.
“Se a Igreja Católica foi quem definiu o cânon, este mesmo que é tomado como única regra de fé pelos protestantes, este não seria mais um motivo, aliás, o mais forte então, para que a Igreja que o definiu tenha autoridade suficiente para definir também aqueles pontos os quais não estão descritos na Bíblia?”
Infelizmente existe uma discordância grande em relação a diversos pontos e caminhos que a igreja romana adotou.
Algumas decisões da Igreja romana foram consideradas contraditórias com os ensinamentos bíblicos.
A divisão entre leigos e sacerdotes, por exemplo. Não há substrato bíblico para tamanha divisão e hierarquização eclesiástica, e nos relatos dos primeiros cristãos, vemos o presbítero atuando muito como pregador e organizador entre seus irmãos (daí o nome presbiteriana).
A centralização de poder secular e religioso realizada pelos papas é outro ponto. O cabeça é Cristo, e os trechos usados pela igreja romana para justificar a posição e o poder do papa têm interpretações muitas vezes alegóricas (loonguíssima discussão).
O fato do celibato obrigatório dos padres. Embora Pedro tenha recomendado o celibato, não foi uma ordem, e não está claro se todos os apóstolos o fizeram. A própria igreja romana e a grega ´já permitiram em uma época ou outra o casamento no clero, embora tal acontecimento tenha gerado problemas de herança, entre outros (looonga discussão! hehe)
Temos a venda de indulgÊncias, temos a questão das imagens (cheia de erros de ambas as partes como já havia escrito), coisas que carecem de uma discussão entre os líderes da igreja, que estão até muito além da minha capacidade, e que confio em Deus para que um dia sejam resolvidas e como instituição terrena os cristãos possam espelhar o que realmente são como instituição espiritual.
Poxa, mas precisava ter gerado tamanho cisma? Queria que não, sinceramente, mas aguardamos na esperança de uma reconciliação, nem que seja após a consumação, quem sabe?
Ufa, foi longo, né?
HÉLIO,
Nem foi tão longo, e se tivesse sido maior, seria devido às questões que eu mesmo coloquei! Não se preocupe.
Muito obrigado pelo trabalho e paciência em responder às perguntas!
Muitas vezes é bastante difícil saber como as pessoas entendem sua própria fé. O diálogo se torna complicado em certos momentos e acaba despencando para outros assuntos, paralelos. Eu mesmo não tenho muita paciência, às vezes!
Fico-lhe agradecido!
Foi muito esclarecedor!
P A X
Vou repassar algo que eu li:
“Ouvi outra parábola:
Havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.
Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.
Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo:
- Hão de respeitar meu filho.
Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros:
- Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!
Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.
- Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?
Responderam-lhe:
- Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.
Jesus acrescentou:
- Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl. 117,22)? Por isso vos digo: SER-VOS-Á TIRADO O REINO DE DEUS, E SERÁ DADO A UM POVO QUE PRODUZIRÁ FRUTOS DELE. Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.
Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava” (são Mateus 21, 33-45)”.
Os líderes judeus não têm nenhuma autoridade sobre todas as coisas que se refiriam à Vinha do Senhor da qual foram expulsos.
O Canon judaico definido em 100 DC. não foi o usado
pela Igreja, ele provinha dos Vinhateiros homicidas.
A Igreja preferiu a Septuaginta.
Até Lutero traduziu os 7 livros para o alemão.
Posteriormente, os protestantes eliminaram da sua
Bíblia, adotando o canon judeu.
“Os líderes judeus não têm nenhuma autoridade sobre todas as coisas que se refiriam à Vinha do Senhor da qual foram expulsos.
O Canon judaico definido em 100 DC. não foi o usado
pela Igreja, ele provinha dos Vinhateiros homicidas.”
Somente alguns comentários.
Jesus e os apostolos eram judeus.
Cuidado com as palavras, meu amigo. Coisas escritas assim caíram nos olhos de pessoas pouco esclarecidas e foram usadas como justificativa para holocaustos e perseguições por muitos séculos. Gostaria que esclarecesse melhor quem eram esses judeus que você fala. Falsos cristãos, fariseus, saduceus? Quem são os Vinhateiros homicidas que fizeram o Canon inicial, de 100 DC? Poderia mandar mais informações?
Um abraço.
Ninguém está falando em holocausto, anti-semitismo ou
algo parecido.
Jesus era judeu e os apóstolos também, é óbvio.
Mas quem é que condenou Jesus?
Quem matou Jesus ?
Quem perseguiu os cristãos?
Os judeus. Justamente os tais vinhateiros homicidas.
Quando eles fizeram o seu canon, eles não tinham
nada mais a ver com os cristãos.
A Igreja seguiu rumo próprio.
Jesus morreu em 33 DC.
O Canon judaico é de 100 DC.
Eu discordo completamente, Vanderley. Judeu é um povo inteiro. Você não pode generalizar desse jeito, Hitler e outros antes dele fizeram assim (inclusive dentro da igreja). Eu não disse que você está falando de holocaustos e perseguições, leia novamente o que escrevi. O que eu disse é que esse tipo de argumento na cabeça de quem não conhece nada vira desculpa para coisas piores.
E não foram todos os judeus que condenaram Cristo. E o papel de Pilatos lavando suas mãos? Agora é para falar que os italianos descendentes de romanos são omissos? Deixam a injustiça acontecer sem se preocupar com o inocente?
Quem condenou e matou Jesus foram nossos pecados, de todos os tempos, daqueles que haviam nascido e daqueles que nascerão no futuro. É muito fácil jogar a culpa num povo, numa classe social, num grupo religioso. O bode expiatório é sempre bem vindo, mas Deus já se fez carne para evitar isso, ele por amor já se entregou.
Sobre quem perseguiu cristãos?
Alguns entre judeus, Romanos, chineses, muçulmanos, russos, índios, e muitros outros em diversos tempos e diversas regiões.
Sobre não ter nada a ver com Cristãos, o próprio Cristo ressaltava que vinha para realizar o que estava nas escrituras do povo judaico.
Cite exatamente os livros, as datas e a autoria deles para me ajudar a buscar as fontes.
Um abraço.
Você está misturando tudo.
Não estou referindo-me a:
“Quem condenou e matou Jesus foram nossos pecados,
de todos os tempos, daqueles que haviam nascido e
daqueles que nascerão no futuro”.
Nem disse que todos os judeus são culpados por isso
Estou referindo-me algo bem específico.
Quem havia condenado Jesus: exatamente aqueles que
o perseguiam:
Anás, Caifás e o restante que, constantemente, perseguiam-no.
Pilatos dizendo :
“A tua nação e os sumos-sacerdotes entregaram-te a mim”
(S.João 18,35).
Não estou culpando, incriminando ninguém, só
demonstrando o óbvio:
Os cristãos foram e continuam sendo perseguidos. Porém
quem começou foram os próprios judeus. Entre eles S.Paulo.
Os Protestantes seguem o canon judaico,definido (100 DC)
por aqueles que haviam a pouco crucificado Jesus
(33 DC).
(não estou referindo-me aos pecados de todos nós).
A Igreja continuou usando a Septuaginta.
A Igreja foi definindo o canon ao longo dos anos.
———————————————
A Igreja Anglicana foi a primeira instituição protestante
a oficializar para o Protestantismo o cânon Hebraico como
regra para os livros do AT, desta forma é incorreto dizer
que o AT deles seja diferente das outras denominações
protestantes.
É importante dizer que isso aconteceu após a morte do
Rei Tiago (criador da famosa versão KJV (King James Version)
ou Versão do Rei Tiago), que foi contra qualquer exclusão
dos livros deuterocanônicos:
“Quanto às Escrituras, nenhum homem duvide: crerei nelas;
para os Apócrifos [deuterocanônicos do AT], farei o mesmo
que os antigos fizeram: continuarão a ser impressos e
obrigatórios em nossas Bíblias, serão lidos publicamente em
nossas Igrejas; eu os reverencio como escrituras provindas
de homens bons e santos, mas como não eram encontrados
no cânon, temos deles lição secundária (secundae lectionis)
ou ordinis” (FULLER, 1845).
Veritas
————————————————–
Quanto ao “Cite exatamente os livros..” não os tenho, mas
vou procurar saber.
Só que a parábola que consta acima é bem compreensível:
Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus
compreenderam que era deles que Jesus falava”
(São Mateus 21, 33-45)”.
Prezado Vanderley, você disse:
“Os Protestantes seguem o canon judaico,definido (100 DC)
por aqueles que haviam a pouco crucificado Jesus
(33 DC).”
O canon judaico não foi definido em 100 DC. Ele era mantido e guardado no templo e pelos estudiosos judaicos muito antes disso. Antes de 100 DC, o estudioso judeu Josefo recebera os rolos do templo em que o canon original fora mantido, e documentou o antigo canon.
Os apócrifos pertencem ao período intertestamentário, quando a sucessão dos profetas foi interrompida ou ficou duvidosa.
E tais apócrifos não foram usados por Cristo e pelos apóstolos, que pregaram baseados também nas antigas escrituras. Há citações de praticamente todo o canon original, mas não vemos no NT citações dos livros apócrifos.
Não digo que não tenham valor os apócrifos. Alguns têm, outros não. Mas não estão no canon por não serem “essenciais”.
Em relação ao cuidado judaico com a manutenção das escrituras, o próprio Josefo afirma:
“Durante todas as épocas passadas, ninguém teve a ousadia de acrecentar nem de retirar algo delas, muito menos de introduzir qualquer mudança nestes livros. É algo natural para todo judeu, desde seu nascimento, apreciar estes livros por conterem doutrinas divinas, seguí-los fielmente e, se necessário, estar disposto a morrer por eles.”
Antes que alguém confunda, não defendo o legalismo! Só mostrei a seriedade com a aqual Josefo manteve os originais.
Se Josefo foi um dos homicidas que condenou Jesus, creio que não. Não sei se ele era fariseu ou o que era, mas provavelmente não esteve no julgamento. E não foram os sacerdotes do templo e fariseus que “criaram” o canon. Ele já estava lá há séculos, mantido e guardado no templo em rolos e mais rolos (não eram livros :-)).
“A Igreja continuou usando a Septuaginta.
A Igreja foi definindo o canon ao longo dos anos.”
As copias da Septuaginta contendo os livros apócrifos foram feitas no período posterior, cerca de 325 DC. Não há provas de que a septuaginta original contivesse os apócrifos.
A maioria dos primeiros pais da igreja não incluiu apócrifos. Aí estão Melito, bispo de Sardes (170DC), Orígenes do Egito em 250DC também os excluiu. Jerônimo que traduziu os livros apocrifos para o latim disse explicitamente que eles não eram canônicos.
Apenas dois concílios da antiguidade reconheceram tais livros, e o de Trento, em 1545.
Não julgo os apócrifos como inúteis, não disse isso, mas fico com o que foi aceito por JEsus: “Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos” (Lc 16.29).
Não compreendi inteiramente a ligação do argumento da invalidade do canon adotado pelos protestantes, já aceito por séculos antes de Cristo, com a parábola dos “Vinhateiros homicidas”. Parece-me um ataque gratuito à dita “Bíblia protestante”, que utiliza fundamentos escriturísticos mais antigos e provavelmente mais adequados (pelo menos do meu ponto de vista, sei que discorda, isto é óbvio).
Reutilizando o argumento, poderia dizer que os apócrifos foram escritos por judeus mais próximos da época de Cristo e, portanto, mais próximos ainda daqueles que se tornariam “Vinhateiros Homicidas”? Entende? Acho que você usou uma parábola que queria dizer uma coisa para justificar outra que não está no conteúdo da mesma. Isso é uma forma de alegoria, além de ser um argumento um tanto retórico (ou erístico, sem fundamento na realidade), que considero como reinterpretação bíblica usada para fins estranhos ou errados.
Um abraço,
Hélio
Comento, um tanto fora do contexto do post original (mas novamente deixo para o Roldão decidir se vale publicar).
Sugiro a leitura de um excelente livro escrito pelo brasileiro Olavo de CArvalho: “Como vencer um debate sem ter razão”.
Todo cristão e todos aqueles que desejam debater algo têm muito a ganhar com tal leitura (católicos romanos e protestantes, principalmente os protestantes, leiam por favor! Conselho de irmão). O filósofo Olavo pega as anotações de como distorcer argumentos ou usar argumentos inválidos e exemplifica com acontecimentos contemporâneos. Fantástico como guia do que não fazer e de como não se deixar enganar por argumentos falsos; além de como detectá-los.
Isso não é uma indireta pro Vanderley (no post anterior eu falei de forma direta sobre a questão do possível argumento erístico), de jeito nenhum. ÀS vezes nós argumentamos de tal forma porque aprendemos a falar de tal forma, e o fazemos até sem querer.
É uma sugestão para todos nós. A conversa com o Vanderley está prosseguindo com argumentos de ambos os lados e acho que vai bem para nós dois.
MAs acho crucial que o cristão dedicado a analisar de forma crítica o mundo de hoje e colaborar com a fé de forma construtiva busque se aprimorar sempre em conhecimento e em prática.
Um abraço
HÉLIO,
Não seria esse um livro de Schopenhauer com introdução, notas e comentários de Olavo de Carvalho?
P A X
Esse mesmo, mas a releitura de Olavo de Carvalho é um pouco “eclipsante” (neologismo?). O escrito original é de Schopenhauer mesmo, que tinha uma visão bem diferente do que deveria ser uma argumentação. Vale a pena ler.
Hélio
O espaço não é suficiente, além do que eu não posso
ficar listando os links.
Mas caso você ou qualquer outra pessoa esteja interessado
Visite os site Montfort e Veritas.
Pesquise por: Canon, Bíblia, Deuterocanônicos e temas
relacionados.
A quantidade de matérias sobre este assunto é enorme.
apenas alguns trechos(aperitivo):
“Se os deuterocanônicos, aos quais os protestantes ousam chamar apócrifos, “Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras hebraicas” por que os setenta sábios judeus incluíram estes livros na Septuaginta? A Septuaginta não era tida pelos judeus como escritura hebraica? Ela não era uma versão inspirada da Bíblia?”
“Pois Cristo e os Evangelistas usaram largamente a Septuaginta em suas citações. Se a Septuaginta não fosse considerada inspirada os judeus teriam o melhor argumento para acusar Cristo: Ele usava uma versão não inspirada da Bíblia! Porém, não vemos sequer uma vez no Evangelho se levantar qualquer suspeita sobre as fontes de citação de Nosso Senhor.
“O único motivo pelo qual os protestantes (a palavra evangélico é uma invenção posterior) retiraram os deuterocanônicos foi porque eles contrariam diretamente o que os protestantes renegam (como a existência do purgatório, por exemplo). E Lutero ainda quis fazer o mesmo com a Carta de Tiago, que chamou de “carta de palha” (Erl. LXIII, 115), porque esta diz que “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em sí mesma” (Tiago 2: 17) contrariando o princípio de Sola Fide que ele defendia e que hoje todos protestantes defendem. A propósito, o livro do Apocalipse, tão querido dos protestantes pentecostais, foi dito por Lutero como não sendo “nem apostólico, nem profético” (Erl. LXIII, 169), portanto mais um candidato a ser excluido da Bíblia protestante”.
“Lutero acabou por excluir os Deuterocanônicos de sua bíblia porque sentiu-se encurralado por Eck, numa disputa em Leipzig, em 1519, que usou um texto de II Macabeus para provar a doutrina do purgatório. Lutero contestou então a canonicidade dos deuterocanônicos e os excluiu de sua Bíblia”.
“O concílio de Trento foi convocado para acabar com a confusão provocada pelos protestantes”.
Montfort
O que você está dizendo é uma sucessão de argumentação protestante.
Posso lhe garantir que é a verdade o inverso do que você diz.
Os judeus elaboraram o canon e tiraram os outros livros
justamente para atingir o cristianismo.
Para que não houvesse ligação entre o Antigo e o Novo
Testamento.
Não estou preocupado se você fala direta ou indiretamente. Para mim não faz diferença.
Não estou propondo um consenso ou coisa do gênero.
Para não ficar rodeando muito:
Vocês( protestantes) usam o Canon definindo por aqueles
que cruficaram Jesus e perseguiram os Cristãos(não é um
ataque, apenas mera exposição da verdade).
Escapou por pouco Carta de S.Tiago; dizem que Lutero
não era muito favoravel á Carta do Hebreus; e Calvino
não “apreciava” o Apocalipse.
Ponto Final.
Em 1500 anos o Espírito Santo ensinou e guiou a Igreja.
Ou será que ela ficou desassistida por tanto tempo
e o Espírito Santo reapareceu para iluminar o Lutero ?
“Se os deuterocanônicos, aos quais os protestantes ousam chamar apócrifos, “Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte das Escrituras hebraicas” por que os setenta sábios judeus incluíram estes livros na Septuaginta? A Septuaginta não era tida pelos judeus como escritura hebraica? Ela não era uma versão inspirada da Bíblia?”
Até onde sei, carecemos de provas suficientes, arqueológicas entre outras, de que as versões originais da septuaginta contivessem os deuterocanônicos (primeira versão data de 325 DC?). Alguns apontam evidências do contrário. Mas aí ficaremos citando nossas fontes (romanas e protestantes) discordantes e não chegaremos a muitos lugares. Deixo isso para os mais dedicados ao assunto do que eu, gente que dedica a vida a isso. Daqui não teremos conclusões terminais, eu creio.
“O único motivo pelo qual os protestantes (a palavra evangélico é uma invenção posterior) retiraram os deuterocanônicos foi porque eles contrariam diretamente o que os protestantes renegam (como a existência do purgatório, por exemplo).”
A palavra protestante é uma alcunha pejorativa criada pelos cristãos romanos e aceita pelos cristãos da reforma, assim como a palavra “cristão” o fora anteriormente no início da era medieval (como os historiadores modernos gostam de inventar, afinal, eles são “modernos”).
Poderia citar quais os trechos que contrariam diretamente? E quais doutrinas? Não estou fazendo crítica aqui, eu gostaria de ver os trechos em si. Não há alegorias? Será que é mesmo o ÚNICO motivo? Uma maquiavélica opção de ignorar dados pelo simples objetivo de “criar” uma doutrina nova? Alguns realmente tentaram se afastar da tradição cristã e reformada, criar novas igrejas ao invés de retornar à original, e estão dentro do catolicismo romano e no meio protestante, mas será que eles são a regra?
“E Lutero ainda quis fazer o mesmo com a Carta de Tiago, que chamou de “carta de palha” (Erl. LXIII, 115), porque esta diz que “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em sí mesma” (Tiago 2: 17) contrariando o princípio de Sola Fide que ele defendia e que hoje todos protestantes defendem.”
Já escrevi sobre Lutero anteriormente, e creio que ficou bem claro que um ataque ao Lutero não quer dizer exatamente um ataque ao cristão da reforma. Sobre o Sola Fide, infelizmente o que você disse não é verdade. Não são todos os cristãos da reforma que defendem o Sola Fide, ou que o interpretam de forma igual, e pelo que você disse, sua interpretação é errônea. As obras como reflexo da fé verdadeira são mais do que aceitas no meio protestante reformado. Você generalizou e julgou com conhecimento limitado do que fala, mas os ditos protestantes são “tantos” que fica difícil mesmo, eu sei. Os “arminianos” (batistas entre outros) não endossam de forma alguma o Sola Fide dos “calvinistas”.
Sobre os sites indicados, fornecem dados interessantes, retirados de um grupo de estudiosos católicos romanos dedicados à defesa do catolicismo romano contra todas as outras “vertentes”. Compreendo (do ponto de vista deles) os ataques enfáticos e as generalizações retóricas, além da demonização do protestante de forma geral, e vejo o mesmo acontecer do lado protestante com algumas pessoas. Cada lado apresentará suas inúmeras fontes, fora do alcance de estudo que eu possuo, e novamente reafirmo, além de minha capacidade atual. Deixo isso para os líderes discutirem, se é que discutirão entre si algum dia de forma civilizada. Mas você apresenta um dos lados do problema, e as generalizações que eu vejo mostram o desconhecimento do outro lado.
“O que você está dizendo é uma sucessão de argumentação protestante.”
Você não pode denegrir argumentos baseados no que considera defeitos da pessoa que os lançou, meu amigo, não quando a conversa é com outro cristão (você não está conversando com um sociopata maquiavélico, assim eu espero! :-)). Além disso, argumento protestante não é necessariamente ruim (do meu ponto de vista, veja bem, pois eu seria doido se concordasse com isso, ou deliberadamente ruim).
“Posso lhe garantir que é a verdade o inverso do que você diz.”
Gostaria que realmente pudesse, pode ter certeza. Mas estou disposto a estudar e analisar o que eu puder.
“Os judeus elaboraram o canon e tiraram os outros livros
justamente para atingir o cristianismo.
Para que não houvesse ligação entre o Antigo e o Novo
Testamento.”
Então você quer me dizer que nos primeiros anos após Cristo havia uma conspiração judaica para minar as bases do cristianismo, recém nascido, como movimento religioso e sem um Cânon próprio? E que eles suprimiram alguns livros (cuja autenticidade e inalterabilidade defendiam com a vida, se necessário) para destacar o velho Testamento do Novo Testamento que ainda não fora nem escrito direito? Sem falar o fato de que os trechos e profecias bíblicas citadas por Cristo e os apóstolos são justamente os dos livros deixados no Cânon? A teoria do limbo ou do purgatório nem estavam em discussão pelos Cristãos da época, pelo que eu sei. Não vejo contexto histórico claro aí para explicar a retirada conspiratória dos apócrifos, sinceramente não vejo. Os livros deixados no Cânon são as principais ligações entre o Velho e o Novo Testamento, pois são proféticos ou mosaicos. Se eles diabolicamente queriam destruir o cristianismo nos primeiros anos nos quais o movimento Cristão era germinal ainda, teriam que mudar praticamente todo o Velho Testamento.
“Não estou preocupado se você fala direta ou indiretamente. Para mim não faz diferença.
Não estou propondo um consenso ou coisa do gênero.”
Nem eu proponho um consenso. Estou aqui, como disse anteriormente para o Roldão, para ajudar em relação a compreender no que um protestante que confessa a fé reformada acredita realmente, para desfazer mal entendido (e como todo conhecimento inicialmente complica um pouco uma análise, devo estar me complicando com seus conhecimentos e vice-versa). Meu objetivo não é tirar daqui um consenso, mas meu desejo é conciliatório num sentido geral sim, pois realmente gostaria de ver Cristãos mais unidos e compreendendo de fato quais os pontos chaves de suas divergências doutrinárias. Em relação a falar diretamente ou não, para mim faz toda diferença. Tento falar o mais diretamente possível (e me ajudem se não o fizer), falar de forma indireta e rasteira não é compatível com nenhum Cristão.
“Vocês( protestantes) usam o Canon definindo por aqueles
que crucificaram Jesus e perseguiram os Cristãos(não é um
ataque, apenas mera exposição da verdade).”
Creio que nós usamos o Cânon conforme Cristo enunciou (Moisés e os Profetas), o Cânon anterior ao período intertestamentário. No período intertestamentário nenhum profeta foi revelado ao povo judaico, até onde sei. E os organizadores do Cânon judaico o fizeram usando os rolos do templo, que estava lá antes de Cristo, ou não? Provas arqueológicas e escriturísticas são difíceis…
“Escapou por pouco Carta de S.Tiago; dizem que Lutero
não era muito favoravel á Carta do Hebreus; e Calvino
não “apreciava” o Apocalipse.”
Sinceramente, para o cristão da reforma não interessa (do ponto de vista doutrinário, histórico é outra coisa) muito se tal livro canônico interessou ou não a Lutero e Calvino. Se eles desejaram o contrário, eles erraram nesse ponto, isso é fato. Já os apócrifos são outra história.
“Ponto Final.”
Não meu amigo, infelizmente o ponto final não será dado por você nem por mim. Tais disputas ainda correrão por muito tempo, e se Deus quiser, coordenadas por pessoas mais dedicadas do que eu.
“Em 1500 anos o Espírito Santo ensinou e guiou a Igreja.
Ou será que ela ficou desassistida por tanto tempo
e o Espírito Santo reapareceu para iluminar o Lutero ?”
Não foi dito que a Igreja permaneceu 1500 anos sem o Espírito Santo! Nem foi dito que o ES apareceu somente para iluminar Lutero. Já foi comentado antes que a reforma não foi Lutero. Temos reformadores antes de Lutero, alguns assimilados, outros assassinados, outros ignorados, etc. A Igreja Romana já teve três papas simultâneos, já teve outras cisões, já abrigou perversos e santos. Se você tiver o trabalho de ler um pouco do que já deixei escrito neste site por diversas vezes, verá que os protestantes trabalharam em cima do que foi erguido por grandes cristãos do passado como Agostinho, Bernardo, Atanásio e muitos outros. E verá que obras como a Suma Teológica nutrem respeito em muitos aspectos no meio protestante. Você precisa se informar e ler o que já está escrito por aqui mesmo.
Demonizar um protestante e aquilo no que ele acredita, ainda mais quando ele tem a “impertinência” (será que estou sendo impertinente?) de aparecer num site declaradamente católico romano para tentar diálogo é fácil. Como o Roldão lembrou bem, difícil é ESTABELECER o diálogo produtivo com compreensão; e para isso exige-se um tremendo esforço de ambas as partes.
Ainda não entendi a ligação direta da parábola dos vinhateiros assassinos com esses argumentos; entendo sim que os homicidas na época foram aqueles que negaram o Logos encarnado quando deviam tê-lo acolhido. Os Fariseus e líderes do templo (não todos) realmente negaram Aquele mesmo que deveriam ter protegido e honrado, mas parte do povo judaico acabou por se converter em grandes números posteriormente. Agora na parábola não vejo referências sobre os vinhateiros distorcerem a Palavra, ou escritos, ou tramas secretas para tal naquela época. O que vejo é um ataque à provável integridade moral e doutrinária de um grupo de estudiosos da época baseada nos crimes denunciados numa época anterior em que Cristo vivia. Sei que deve achar um elo lógico fundamental naquilo que você reproduziu e argumentou, só estou falando que eu não consigo ver assim.
Se desejar encerrar a discussão, reproduza o “ponto final”, e em respeito à moderação e a você eu não prosseguirei com novos posts, pois acho que estou sendo um pouco “impertinente” com minha insistência. Só me vejo um pouco na obrigação de corrigir certos julgamentos feitos.
Um abraço.
Hélio.
Recebi um E Mail de um senhor católico estudioso das escrituras que participou do III Congresso de Pesquisa Bíblica (sei poucos detalhes), e fiquei realmente animado com suas palavras. Gostaria de reproduzí-las.
“No III Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica encantei-me com o missionário presbiteriano Prof. Archibald M. Wooderuff, professor do Seminário Prestbiteriano de São Paulo
Foi homenageado ao final do Congresso com o Padre Frei Carlos Mesters, católico. Dupla homenagem. Ambos missionários de difusão de pesquisa bíblica entre as comunidades populares. Também agindo em seminários para pastores e sacerdotes. Professor Archibald é missionário norte americano que veio ao Brasil pra ser missionário. Agora idoso vai retornar aos Estados Unidos, por aposentadoria. No Congresso havia muitas citações em grego. Eu conheço somente um pouco de grego e senti dificuldade. Tratava-se de verificar no texto em Português as imperfeições de tradução advindas não do erro da Bíblia mas imperícias dos tradutores ou até influência pessoal da mentalidade do copista que colocava na tradução a sua emoção e até seus preconceitos culturais. Na Bíblia há alguns equívocos não por culpa da revelação de Deus, mas pela fraqueza humana de tradutores e de copistas que colocaram suas pessoais impressões na palavras que escolheram para expressar a verdade religiosa como norma de fé. Há preconceitos. Quando em Marcos 1, 18 e em |Marcos 1, 20 tratando-se de homens discípulos de Jesus há o verbo ecolutesan ( seguiram) Jesus. Quando se trata de mulheres que acompanhavam a Jesus em Marcos 15, 41 até o texto grego coloca que as mulheres ecolutun e dieconun (acompanhavam e serviam) Jesus. Então até a ordem sacramental entre católicos , o diaconato para homens é função ordenada, enquanto para mulheres o trabalho de diaconisa é uma ocupação de serviço. Então eu não estava com meu texto grego em mãos e julgando que o professor Archibald pudesse me esclarecer melhor essa situação, o procurei e qual não foi minha surpresa quando Archibald pegou sua Bíblia de seu uso quotidiano e me abriu tanto em Marcos 15, Marcos 1 e Lucas 8, e era a Bíblia de texto grego. Ele só lê a Bíblia no texto grego. Prtof. Archibald é professor de Grego de Novo testamento em Seminário Presbiteriano em São Paulo. Se eu não soubesse um pouco de grego, não entenderia nada da sábia explicação de Prof. Archibald.
Isso tudo é para dizer como os presbiterianos estão com os metodistas TAMBÉM (”junto com católicos” anotação minha) estudando o texto grego que contém indicações maravilhosas das perspectivas de um melhor entendimento crítico do conteúdo cristão no sentido original ou iniciante do cristianismo para o mundo ocidental.
Não se notava tal carinho com pesquisa bíblica entre os chamados evangélicos que não participaram ativamente no III Congresso. Fiquei encantado com os presbiterianos no III Congresso e vai ser melhor o IV congresso de 2010 também em São Paulo.”
Eu estou realmente desatualizado! Esforços conciliatórios existem, ainda bem, e de uma forma mais avançada do que eu poderia esperar, felizmente! Agora até eu fiquei curioso com esse congresso. Alguém aí se anima? Alguém tem alguma informação sobre esse congresso?
Para minha surpresa, pois desconhecia a Palavra a ser
proclamada neste final de semana, ei-la:
“3.E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e minha vinha.
4.Que se poderia fazer por minha VINHA que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço?
5.Pois bem, mostrar-vos-ei agora o que hei de fazer à minha VINHA arrancar-lhe-ei a sebe para que ela sirva de pasto, derrubarei o muro para que seja pisada.
6.Eu a farei devastada; não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos; vedarei às nuvens derramar chuva sobre ela.
7.A VINHA do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.
(Is. 5,3-7)
9.Uma VINHA do Egito vós arrancastes; expulsastes povos para a replantar.
10.O solo vós lhes preparastes; ela lançou raízes nele e se espalhou na terra.
11.As montanhas se cobriram com sua sombra, seus ramos ensombraram os cedros de Deus.
12.Até o mar ela estendeu sua ramagem, e até o rio os seus rebentos.
13.Por que derrubastes os seus muros, de sorte que os passantes a vindimem,
14.e a devaste o javali do mato, e sirva de pasto aos animais do campo?
15.Voltai, ó Deus dos exércitos; olhai do alto céu, vede e vinde visitar a VINHA. 16.Protegei este cepo por vós plantado, este rebento que vossa mão cuidou.
17.Aqueles que a queimaram e cortaram pereçam em vossa presença ameaçadora.
(Sl.79 )
“Ouvi outra parábola:
Havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.
Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.
Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo:
- Hão de respeitar meu filho.
Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros:
- Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!
Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.
- Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?
Responderam-lhe:
- Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo.
Jesus acrescentou:
- Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl. 117,22)? Por isso vos digo: SER-VOS-Á TIRADO O REINO DE DEUS, E SERÁ DADO A UM POVO QUE PRODUZIRÁ FRUTOS DELE. Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.
Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava”
(São Mateus 21, 33-45)”.
Todo católico que leu os comentários anteriores e participou
da Santa Missa, deve ter ouvido estas palavras com uma
atenção muito especial,penso, talvez, redobrada atenção.
Com todos os meus respeitos, eu não preciso explicar
muito.
Só eu sei o quanto estas palavras foram sinais para mim.
Espero que tenha sido para os demais.
THE END
“Parece-nos bom que, fora das Escrituras
canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob
o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras
canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo,
Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes,
Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos
Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros
de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías,
Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester,
dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus.
E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos,
um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de
Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro,
três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o
Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao
nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da
cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região,
para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que
recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja”
(Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).
Obs.
A nome da Igreja, que eu considero verdadeira e única,é
IGREJA CATÓLICA APÓSTOLICA ROMANA.
Igreja Romana é uma terminologia protestante.
O que o Lutero fez não é refoma, e sim revolução e
rebelião.
Ou você acha que alguém que diz :
“O Papa é o anticristo” é apenas reformista ?.
O Lutero que fez , e não são palavras minhas, e
sim da Igreja, foi difundir heresias.
O Espírito Santo ou ele conduziu a Igreja e ela está
certa ou ele conduziu o Lutero e a Igreja está errada.
Fico com a Igreja.
Confio nas palavras de Jesus:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco”
(São João 14,16)
“É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”.
(São João 14,17)