Hoje celebra-se São Cipriano de Cartago, que nasceu entre 200 e 210 dC; converteu-se ao Cristianismo em 246, recebendo o batismo; elevado a bispo em 249, teve sua atividade pastoral interrompida em 250 em virtude da violenta perseguição desencadeada pelo imperador Décio. Presidiu 3 concílios regionais em Cartago, entre os anos 251 e 256. Foi decapitado a 14 de setembro de 258, durante a perseguição de Valeriano. A obra “A Unidade da Igreja” (De Ecclesiae Unitate), deve ter sido composta durante o concílio cartaginês de maio de 251. Nela, Cipriano impugna o cisma de Novaciano, em Roma, e, ao mesmo tempo, o de Felicíssimo, em Cartago. Acentua, incute e demonstra o dever de todo cristão de perseverar, para a salvação de sua alma, na Igreja Católica, isto é, em união com um legítimo bispo católico. Com a finalidade de combater o cisma de Novaciano, enviou logo sua obra a Roma. Esta obra é de leitura obrigatória para todos os cismáticos e hereges de plantão, para que reconheçam a marca fundamental da verdadeira Igreja de Cristo, isto é, a Unidade, pois “todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto; e a casa dividida contra si mesma cairá” (Luc. 11,17).
ATENÇÃO: Esta obra foi escrita por volta do ano 251. Isso mesmo, 251 depois de Cristo. Reparem sobre PEDRO, UNIDADE, QUEM É O AUTOR DOS CISMAS E HERESIAS (DIVISÕES).
Depois ainda temos que escutar que ninguém falava da Igreja Católica, que isso de Pedro ser o chefe da Igreja não existiu, que a Igreja Católica não existia, enfim, essas coisas que são ditas por quem prefere ignorar os testemunhos históricos, livros, Padres da Igreja, documentos…
“Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s)”. (Mt 13,14-15)”
EXCERTOS
III – O DEMÔNIO É O AUTOR DOS CISMAS
1. Devemos pois guardar-nos, irmãos caríssimos, não só dos males que aparecem claramente como tais, mas também, como já disse, daqueles que nos enganam pela sutileza da astúcia e da fraude.
2. Pois bem, vede agora a que ponto chega a astúcia e a sutileza do inimigo. Veio Cristo ao mundo. Veio a luz para os povos e resplandeceu para a salvação dos homens [Lc 2,32]. Com isto ficou descoberto e derrotado o antigo adversário. Os surdos abrem os ouvidos às graças espirituais, os cegos abrem os olhos a Deus, os enfermos ficam são ao ganhar a saúde eterna, os coxos correm à Igreja, os mudos soltam as suas línguas na oração [Mt 11,5; Lc 7,22]. Aumenta dia a dia o povo fiel, abandonam-se os velhos ídolos, tornam-se desertos os seus templos.
3. Então, o que faz o malvado? Inventa nova fraude para enganar os incautos com o próprio título do nome cristão. Introduz as heresias e os cismas para derrubar a fé, para contaminar a verdade e dilacerar a unidade. Assim, não podendo mais segurar os seus na cegueira da antiga superstição, os rodeia, os conduz ao erro por novos caminhos. Rouba à Igreja os homens e, fazendo-lhes acreditar que alcançaram a luz e se subtraíram à noite do século, envolve-os ainda mais nas trevas: não observam a lei do Evangelho de Cristo e se dizem cristãos, andam na escuridão e pensam que possuem a luz, nisto são iludidos e lisonjeados pelo adversário, que, como diz o Apóstolo, “se transfigura em anjo de luz” (2Cor 11,14).
4. Disfarça seus ministros em ministros de justiça, ensina-lhes a dar à noite o nome de dia, à perdição o nome de salvação, ensina-lhes a propalar o desespero e a perfídia sob o rótulo da esperança e da fé, a apregoar o Anticristo com o nome de Cristo. Mestres na arte de mentir, diluem com as suas sutilezas toda a verdade.
5. Isto acontece, irmãos caríssimos, porque não se bebe à fonte mesma da verdade, não se busca aquele que é a Cabeça, nem se observam os ensinamentos do Mestre celestial.
IV – “TU ÉS PEDRO, E SOBRE ESTA PEDRA…”
1. Quem presta atenção a estes ensinamentos não precisa de longo estudo, nem de muitas demonstrações. A prova da nossa fé é fácil e compendiosa.
2. Assim fala o Senhor a Pedro: “Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas dos infernos não a vencerão. Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado também nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado também nos céus” (Mt 16,18-19).
3. Sobre um só edificou a sua Igreja. Embora, depois da sua ressurreição, tenha comunicado igual poder a todos os Apóstolos, dizendo: “Como o Pai me enviou, eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo, a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos” (Jo 20,21-23), todavia, para tornar manifesta a unidade, dispôs com a sua autoridade que a origem da unidade procedesse de um só.
4. É verdade que os demais Apóstolos eram o mesmo que Pedro, tendo recebido igual parte de honra e de poder, mas a primeira urdidura começa pela unidade a fim de que a Igreja de Cristo aparecesse uma só.
5. O Espírito Santo, falando na pessoa do Senhor, designa esta Igreja única quando diz no Cântico dos Cânticos: “Uma só é a minha pomba, a minha perfeita, única filha da sua mãe e sem igual para a sua progenitora” (Cânt 6,9).
6. Aquele que não guarda esta unidade poderá pensar que ainda guarda a fé? Aquele que resiste e faz oposição à Igreja poderá confiar que ainda está na Igreja?
7. Paulo apóstolo inculca o mesmo ensinamento e mostra o sacramento da unidade, dizendo: “Um só corpo e um só espírito, uma é a esperança da vossa vocação, um Senhor, uma fé, um Batismo, um só Deus” (Ef 4,4-5).
8. E, depois da ressurreição, diz ao mesmo: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17). Sobre ele só constrói a Igreja e lhe manda que apascente as suas ovelhas. Embora comunique a todos os Apóstolos igual poder, todavia institui uma só cátedra, determinando assim a origem da unidade.
9. É verdade que os demais [Apóstolos] eram o mesmo que Pedro, mas o primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só Igreja e uma só cátedra. Todos são pastores, mas é anunciado um só rebanho, que deve ser apascentado por todos os Apóstolos em unânime harmonia.
10. Aquele que não guarda esta unidade, proclamada também por Paulo, poderá pensar que ainda guarda a fé? Aquele que abandona a cátedra de Pedro, sobre o qual foi fundada a Igreja, poderá confiar que ainda está na Igreja?
VI – ÚNICA ESPOSA DE CRISTO: NÃO PODE TER DEUS POR PAI, QUEM NÃO TEM A IGREJA POR MÃE
1. A Esposa de Cristo não pode tornar-se adúltera, ela é incorruptível e casta [Cf Ef 5,24-31]. Conhece só uma casa, observa, com delicado pudor, a inviolabilidade de um só tálamo. É ela que nos guarda para Deus e torna partícipes do Reino os filhos que gerou.
2. Aquele que, afastando-se da Igreja, vai juntar-se a uma adúltera, fica privado dos bens prometidos à Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não chegará aos prêmios de Cristo. Torna-se estranho, torna-se profano, torna-se inimigo.
3. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Como ninguém se pôde salvar fora da arca de Noé, assim ninguém se salva fora da Igreja.
4. O Senhor nos alerta e diz: “Quem não está comigo está contra mim, quem comigo não recolhe, dissipa” (Mt 12,30). Quem rompe a paz e a concórdia de Cristo trabalha contra Cristo. Quem faz colheita alhures, fora da Igreja, esse dissipa a Igreja de Cristo.
5. Diz ainda o Senhor: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30), e do Pai, do Filho e do Espírito Santo está escrito: “Estes três são um” (1Jo 5,7). Como poderá alguém pensar que esta unidade da Igreja, decorrente da própria firmeza da unidade divina, e tão conforme com este celeste mistério, pode ser rompida e sacrificada ao arbítrio de vontades opostas? Quem não observa esta unidade não observa a lei de Deus, não observa a fé do Pai e do Filho, não possui nem a vida, nem a salvação.
[ São Cipriano de Cartago, Excertos do livro "A Unidade da Igreja"]









“Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s)”. (Mt 13,14-15)”
Este trecho pode ser usado em diversos outros contextos, mas neste caso lembra a doutrina da predestinação ou eleição divina dos convertidos por Deus em sua soberania divina (aqueles “eleitos” seriam a boa terra, e teriam seus corações abertos pela vontade divina – dá uma longa discussão entre Determinismo, Indeterminismo e Compatibilismo).
Sobre a Igreja primitiva, não houve durante os primeiros dois séculos, uma forte tentativa de se estabelecer um Papa, ou Bispo Central, mesmo porque tal comando não foi dado de forma clara (considerando as escrituras e os testemunhos dos primeiros cristãos).
A presença de Bispos nas diferentes comunidades foi reforçada e bem recebida como um fator unificador da fé, contra heresias da época, e cada vez mais o bispo se destacou dos leigos, como era necessário naquela época de seitas e cisões por todos os lados (situação enfrentada ainda hoje por todas as denominações).
Sem querer ofender, de modo algum, mas as interpretações parecem um pouco alegóricas quando tentamos justificar o início do papado, e aí vai outra looonga discussão.
Sobre a unidade da Igreja, nos deixa um aviso para protestantes, ortodoxos e católicos romanos que rapidamente se apressam em condenar os outros ao inferno. O Corpo Verdadeiro da Igreja transcende nossas instituições físicas (Agostinho e Tomás de Aquino deixavam transparecer isso, alguém ajude, pois não tenho aqui a Suma Teológica à disposição – está cara a tradução, mas “não tem preço”)
Só para lembrar, antes de levar as lapadas (:-)), não quero converter este ou aquele, isso quem faz é o Espírito Santo, como o Roldão já enfatizou em outro post, e os protestantes concordam. Nem tenho a ousadia de declarar que esta denominação ou aquela é perfeita (nisso Agostinho também já deu uma grande ajuda), o joio só será separado definitivamente do trigo no fim, e duvido que exista uma instituição “só de trigo” em nosso mundo.
Abraço, e aguardo a discussão, tentarei ser mais breve!
Vou parar de falar “tentarei ser breve”, hehehe
sim sim, não não, e sou incorrigível mesmo :-)
Como é gostoso de se ve pessoas assim como voces comprometidas com fé. Isto é um grande sinal da presença viva e autentica de Deus num mundo tao anarquico e fraudulento, que nao se preocupa com ninguem. Caros amigos lendo e analizando suas autenticas e tao valiosas respostas, tudo isso nos alegra e nos faz cada vez mais ter força para lutarmos e trabalharmos com muito mais avidez e concretudo na defesa da verdadeira fé. Que Deus vos abençoe hoje e sempre.
Uma informação que eu tive a oportunidade de descobrir recentemente: A dupla excomunhão entre o papa e o patriarca das respectivas igrejas ocidental e oriental, que havia sido realizada na Idade Média (1052? DC), foi cancelada pelo papa paulo VI e pelo patriarca da Grega Ortodoxa Oriental nos idos anos 60.
Confere? Se sim, é um bom indício. Aliás, a Igreja Ortodoxa parece mais aberta ao diálogo com protestantes, a Ocidental, quem sabe?
Creio que todos os lados podem se ajudar, e muito.
Reconhecer a necessidade da Igreja ser UNA é reconhecer a Unidade do própio Deus. Que todos sejam UM é um pedido que sai dos lábios do Redentor, e como diz o Papa JPII nas suas catequeses Teologia do Corpo: “Às palavras que Ele fala com seus próprios lábios, nós temos o direito de atribuir ao mesmo tempo toda a eloqüência do mistério da Redenção.”
O Catecismo diz que os cristãos que estão separados se tornam um grande obstáculo (talvez o maior escandalo) para a propagação da fé. Mas o que mais me impressiona nestes escritos antigos é a conviccão que eles tem ao escrever sobre a diferença clara entre Igreja e heresías.
Sem esta claridade hoje nós nos vemos pressionados para aceitar em pé de igualdade -em nome de um tal pluralismo e ecumenismo mal entendido (basta ler Domino Iesus para se ter o verdadeiro setido do Ecumenismo) a Santa Madre Igreja e todas as outras comunidades. Em vez de ser caridade isso é traição à nossa fé.
Sao Cipriano ora pro nobis!
A Igreja Antiga sempre reconheceu sua unidade, seja como Civitas Dei, de Agostinho, seja no Corpum Mysticum de Tomás de Aquino. Nenhum dos dois esclareceu a unidade institucional como ponto categórico e definitivo, aliás, havia o reconhecimento da limitação das instituições terrenas em ser realidade perfeita do verdadeiro cristianismo, e incluíam no verdadeiro corpo da igreja os patriarcas judaicos entre outros.
A convicção de que só dentro da Igreja Romana há salvação foi elaborada pelos meados do ano 1000, quando Gregório VII (se não me engano), assumiu o papado. Foi o papa de maior poder político até então, e assumiu para si o compromisso de imperar não somente sobre o espírito dos fiéis, mas também sobre o governo. Encarou de frente os governantes de sua época, e humilhou o rei Henrique da Inglaterra.
Usou sua autoridade espiritual para fins políticos e foi bem sucedido, grande estrategista que era.
Se o papa é infalível, biblicamente, então temos uma situação um pouco controversa, na qual todos os evangélicos (vulgo protestantes, vulgo cristãos da reforma), juntamente com todos os cristãos ortodoxos, estão no inferno. E os famosos teólogos da libertação, que agem minando a igreja romana por dentro, estão salvos.
Hmmm
O papa precisa fazer algo a respeito das dissidências internas, e acho que ele sabe muito bem qual é o real inimigo, que vem como amigo. O João Paulo II foi um grande guerreiro da fé, e soube atacar bem quem realmente queria destruir a fé.
“Diz ainda o Senhor: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30), e do Pai, do Filho e do Espírito Santo está escrito: “Estes três são um” (1Jo 5,7). Como poderá alguém pensar que esta unidade da Igreja, decorrente da própria firmeza da unidade divina, e tão conforme com este celeste mistério, pode ser rompida e sacrificada ao arbítrio de vontades opostas? Quem não observa esta unidade não observa a lei de Deus, não observa a fé do Pai e do Filho, não possui nem a vida, nem a salvação”.
“Aquele que não guarda esta unidade, proclamada também por Paulo, poderá pensar que ainda guarda a fé? Aquele que abandona a cátedra de Pedro, sobre o qual foi fundada a Igreja, poderá confiar que ainda está na Igreja?”
Este texto de S.Cipriano é simplesmente fenomenal.
Atualíssimo !!. E pensar que foi escrito a quase 1800 anos!!
É o tipo de texto que nós católicos devemos ter uma cópia
e estuda-lo.
S.Cipriano , rogai por nós.
EXTRA ECCLESIA NULLA SALUS