SEM A IGREJA CATÓLICA NÃO HAVERIA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL: nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Sem a Igreja Católica não haveria Civilização Ocidental: 

Nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais

Conceituados especialistas americanos e europeus vêm mostrando que sem a Igreja católica a civilização européia, berço da Civilização Ocidental e Cristã, não teria visto a luz. E apresentam a gênese, o desenvolvimento, o esplendor e a glória da Civilização Cristã. Esses estudiosos têm publicado uma série de trabalhos nos quais procuram restabelecer a objetividade histórica.

Tal recuperação da verdade apresenta uma tese central: a civilização ocidental é a única que merece plenamente esse nome. Os povos que outrora ocuparam a Europa — gregos, romanos, celtas, germanos e outros — deixaram sua contribuição. Mas a alma, o espírito, a essência da civilização européia e cristã provêm da Igreja. Como chegaram eles a essa conclusão? Eis o objeto deste artigo, que  representa uma viagem pela gênese, desenvolvimento, esplendor e glória da Civilização Cristã.

O historiador Rodney Stark(1) colocou o problema: na História houve apenas  uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. Por que não cresceram como a ocidental e cristã? 

Stark indica como causa dessa diferença capital entre a civilização cristã e as outras o papel desempenhado pela Igreja Católica. As religiões pagãs, diz ele, originaram-se de lendas fantásticas impostas sem explicação. Só a Religião católica convida os fiéis a aprofundar racionalmente as verdades da fé. Já no século II Tertuliano ensinava que “Deus, o Criador de todas as coisas, nada fez que não fosse pensado, disposto e ordenado pela razão”. Clemente de Alexandria, no século III, insistia: “Não julgueis que o que nós dissemos deve ser aceito só pela fé, mas deve ser acreditado pela razão”. Santo Agostinho consagrou tal ensinamento, e Santo Tomás, com suas Summas, levou-o a um píncaro.(2) 

Os monges medievais aplicaram a lógica racional à vida quotidiana e criaram uma regra de vida. Surgiram então prédios de uma beleza até então desconhecida; o trabalho foi dignificado e organizado; surgiram escolas de todo tipo; códigos civis e comerciais, leis internacionais, hospitais, fábricas, invenções, remédios eficazes; vinhos e licores, etc. A   vassalagem do monge em relação ao abade e as relações das abadias entre si inspiraram a organização política feudal. Uma força de elevação e requinte foi transmitida pela Igreja à sociedade no transcurso de gerações, e ergueu-se assim o mais formidável e esplendoroso edifício civilizador da História.

O Prof. Thomas E. Woods é um dos integrantes mais recentes dessa corrente de investigadores.(3) Ele deplora ouvir ainda hoje surradas cantilenas contra a Idade Média. Nenhum historiador profissional honesto, diz ele, acredita nelas. E acrescenta: “Durante os últimos cinqüenta anos,  virtualmente todos os historiadores da ciência [...] vêm concluindo que a Revolução Científica se deve à Igreja” (p. 4). Não é só devido ao ensino, mas pelo fato de a Igreja ter gerado cientistas como o Padre Nicolau Steno, pai da geologia; Padre Atanásio Kircher, pai da egiptologia.

Padre Giambattista Riccioli, que mediu a velocidade de aceleração da gravidade terrestre; Padre Roger Boscovich, pai da moderna teoria atômica, etc; Réginald Grégoire, Léo Moulin e Raymond Oursel mostraram que os  monges deram “ao conjunto da Europa [...] uma rede de fábricas-modelo, centros de criação de gado, centros de escolarização, de fervor espiritual, de arte de viver, [...] de disponibilidade para a ação social — numa palavra, [...] uma civilização avançada emergiu das ondas caóticas da barbárie que os circundava. Sem dúvida nenhuma, São Bento foi o Pai da Europa. Os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia” (p. 5).

A Igreja sagra Carlos Magno imperador e reergue a cultura

A Igreja instituiu, na ordem temporal, o Sacro Império Romano Alemão na pessoa de Carlos Magno, rei dos francos. Ele deu um impulso incomparável à educação e às artes. Nessa obra educadora sobressaiu Alcuíno [foto 4], conselheiro íntimo de Carlos Magno, pupilo de São Beda, o venerável, e abade do mosteiro de Saint Martin em Tours. Falando da biblioteca de sua abadia em York, Alcuíno menciona obras de Aristóteles, Cícero, Lucanus, Plínio, Statius, Trogus Pompeius e Virgílio.

Papa Vítor III, que foi abade de Montecassino, na Itália,  patrocinou a transcrição de obras de Horácio, Sêneca e Cícero. Santo Anselmo, quando abade de Bec, na Inglaterra,recomendava Virgílio e outros clássicos a seus estudantes, mas prevenia-os contra as passagens imorais. Num exercício escolar de Santo Hildeberto, encontramos excertos de Cícero, Horácio, Juvenal, Persius, Sêneca, Terêncio e outros. Santo Hildeberto, aliás, conhecia Horácio praticamente de memória.

A Inovação material decisiva foi a minúscula carolíngia. Antes dela os manuscritos não tinham minúsculas, pontuação ou espaços em branco entre as palavras. A minúscula carolíngia, com sua “lucidez e sua graça insuperável, apresentou a literatura clássica num modo que todos podiam ler com facilidade e prazer” (p. 14). O medievalista Philippe Wolff equipara este desenvolvimento à invenção da imprensa.

O fácil acesso ao latim abriu as portas ao conhecimento dos Padres da Igreja e dos clássicos greco-romanos. Pois é mito falso que os grandes autores da Antiguidade só vieram a ser resgatados pela Renascença, época histórica que iniciou o multissecular processo revolucionário que em nossos dias atingiu um clímax. Lord Kenneth Clark mostrou que “só três ou quatro manuscritos antigos de autores latinos existem ainda; todo nosso conhecimento da literatura antiga se deve à coleta e cópia que começou sob Carlos Magno, e quase todo texto clássico que sobreviveu até o século VIII sobrevive até hoje!” (p. 17).

Alcuíno traduziu essa apetência coletiva em carta a Carlos Magno: “Uma nova Atenas será criada na França por nós. Uma Atenas mais bela do que a antiga, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará a sabedoria da  Academia. Os antigos só têm as disciplinas de Platão como mestre, e eles ainda resplandecem inspirados pelas sete artes liberais, mas os nossos serão mais do que enriquecidos sete vezes com a plenitude do Espírito Santo e deixarão na sombra toda a dignidade da sabedoria mundana dos antigos” (p. 19). São João Crisóstomo narra que o povo de Antioquia enviava os filhos para  serem educados pelos monges. São Bento instruiu filhos da nobreza romana.  São Bonifácio e Santo Agostinho ordenaram a seus religiosos criar
estabelecimentos de ensino por toda parte.

São Patrício desenvolveu a alfabetização na Irlanda. Concílios locais, como o sínodo de Baviera (79 8) e os concílios de Châlons (813) e Aix (816), ordenaram que se fundassem casas de ensino. Theodulfo, bispo de Orleans e abade de Fleury, exortava: “Em aldeias e cidades, os sacerdotes devem abrir escolas. [...] Que não peçam pagamento; e se recebem algo, que sejam somente pequenos presentes oferecidos pelos pais” (p. 20). Que diferença a com a nossa época, em que freqüentemente a  educação pública é calamitosa e a educação privada é cara!  Do caos à civilização: obra beneditina

No Oriente houve santos ermitões que poucas vezes comiam ou dormiam, outros ficavam em pé sem movimento semanas a fio, ou encerravam-se em túmulos durante anos. São vocações especiais. No Ocidente, o monaquismo foi estruturado por São Bento de Núrsia. Sua regra é de uma moderação e de um senso da ordem admiráveis.  Os monges tinham devoção pelos livros e embelezavam os manuscritos,  especialmente as Escrituras, com artísticas iluminuras. São Bento Biscop, fundador do mosteiro de Wearmouth (Inglaterra), mandava trazer livros de  toda parte. São Maïeul, abade de Cluny (na França), viajava sempre com um livro à mão. São Hugo de Lincoln, prior de Witham, primeira cartuxa na Inglaterra, explicou: “Nossos livros são nossa delícia e nossa riqueza em tempos de paz, nossas armas ofensivas e defensivas em tempo de guerra, nosso alimento quando temos fome, e nosso medicamento quando estamos doentes” (p. 43).

Criação das universidades na época medieval

Muitos ainda repetem o velho “chavão” de que a Idade Média foi uma época de trevas, ignorância, superstição e repressão intelectual. Mas não é preciso ir muito longe para provar o contrário. Basta considerar uma das máximas realizações medievais: as universidades [foto 1]. Aliás, foi um aporte exclusivo à História. Nem Grécia ou Roma conheceram algo parecido.A Cátedra de Pedro foi a maior e mais decidida protetora das universidades. O diploma de mestre, outorgado por universidades como as de Bolonha, Oxford e Paris, dava direito a ensinar em todo o mundo. A
primeira que ganhou este poder foi a de Toulouse, na França, das mãos do Papa Gregório IX, em 1233.

A Igreja protegeu os universitários com os benefícios do clero. Os estudantes da Sorbonne dispunham de um tribunal especial para ouvir suas causas. Na bula Parens Scientiarum, Gregório IX confirmou à Universidade de Paris o direito a um governo autônomo e a fixar suas próprias regras, cursos e estudos. Também a emancipou da tutela dos bispos e ratificou o direito à cessatio — a greve das aulas — se os seus membros fossem objeto de abusos, como aluguéis extorsivos, injúrias, mutilação e prisão ilegal. Os Papas intervinham com força, a fim de que os professores fossem pagos dignamente.

Completados os estudos, o novo mestre era oficialmente investido. Em  Paris, isso ocorria na igreja de Santa Genoveva, padroeira da cidade. O novo mestre ajoelhava-se diante do vice-chanceler da Universidade, que pronunciava esta bela fórmula: “Eu, pela autoridade com que fui revestido
pelos Apóstolos Pedro e Paulo, vos concedo a licença de ensinar, comentar, disputar, determinar e exercer outros atos magisteriais seja na Faculdade de Artes de Paris, seja em qualquer outra parte, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amem” (p. 56).

Os mosteiros levaram a agricultura a patamar nunca visto

Para Henry Goddell, presidente do Massachusetts Agricultural College, os monges salvaram a agricultura durante 1.500 anos. Eles procuravam locais
longínquos e inacessíveis para viver na solidão. Lá, secavam brejos e limpavam florestas, de maneira que a área ficava apta a ser habitada.

Novas cidades nasciam em volta dos conventos.

O terreno em torno da abadia de Thorney, na Inglaterra, era um labirinto de córregos escuros, charcos largos, pântanos que transbordavam periodicamente, árvores caídas, áreas vegetais podres, infestados de animais perigosos e nuvens de insetos. A natureza abandonada a si própria, sem a mão ordenadora e protetora do homem, encontrava-se no caos. Cinco séculos depois, William de Malmesbury (1096-1143) descreveu assim o mesmo local:

“É uma figura do Paraíso, onde o requinte e a pureza do Céu parecem  já se refletir. [...] Nenhuma polegada de terra, até onde o olho alcança, permanece inculta. A terra é ocultada pelas árvores frutíferas; as vinhas se estendem sobre a terra ou se apóiam em treliças. A natureza e a arte rivalizam uma com a outra, uma fornecendo tudo o que a outra não produz. Oh profunda e prazenteira solidão! Foste dada por Deus aos monges para que  sua vida mortal possa levá-los diariamente mais perto do Céu!” (p. 31).

Mais tarde o protestantismo reduziu Thorney a ruínas, mas estas ainda emocionam os turistas. Aonde chegavam, os monges introduziam grãos, indústrias, métodos de produção que o povo nunca tinha visto [foto 2]. Selecionavam raças de animais e sementes, faziam cerveja, colhiam mel e frutos. Na Suécia, criaram o comércio de milho; em Parma, o fabrico de queijo; na Irlanda, criações de salmão; por toda parte plantavam os melhores vinhedos. Até descobriram a champagne! Represavam a água para os dias de seca. Os mosteiros de Saint-Laurent e Saint-Martin canalizavam água destinada a Paris. Na Lombardia, ensinaram aos camponeses a irrigação que os fez tão ricos. Cada mosteiro foi uma escola para explorar os recursos da região. Seria muito difícil encontrar um grupo, em qualquer parte do mundo, cujas contribuições tivessem sido tão variadas, tão significativas e tão indispensáveis como a dos monges do Ocidente na época de miséria e desespero que se seguiu à queda do Império Romano. Quem mais na História pode ostentar semelhante feito? –– pergunta Woods(p. 45).

Dignificação do trabalho manual

Disseminou-se que as escolas socialistas do século XIX recuperaram a dignidade do trabalho manual. Nada mais falso. No paganismo, os bárbaros viviam da caça e do saque; o trabalho braçal era próprio dos escravos. Quando o Império Romano ruiu, tornaram-se indispensáveis atividades de sobrevivência, sempre menosprezadas. E eis que os monges aparecem, ante as multidões miseráveis, como semi-deuses que habitam em admiráveis abadias devotadas ao esplendor do culto, e que após um simples bater do sino descem aos pântanos, desertos ou florestas para abrir roças com seus
braços!

Quando os monges deixavam suas celas para cavar valetas e arar campos, “o feito era mágico. Os homens voltavam para uma nobre porém desprezada tarefa”. São Gregório Magno (590-604) refere-se ao abade Equitius, do século VI, famoso pela sua eloqüência. Um enviado papal foi procurá-lo e se apresentou no scriptorium onde imaginava encontrá-lo entre os copistas. Os calígrafos simplesmente disseram: “Ele está lá embaixo no vale, cortando a cerca”.

Inventores de tecnologias logo comunicadas a todos

Os cistercienses ficaram famosos pela sua sofisticação tecnológica. Uma grande rede de comunicações ligava os mosteiros, e entre eles as informações circulavam rapidamente. Isso explica que equipamentos similares aparecessem simultaneamente em abadias, por vezes a milhares de milhas umas das outras. No século XII o mosteiro de Clairvaux, na França, copiou 742 vezes um relatório sobre o aproveitamento da energia hidráulica, para que chegasse a todas as casas cistercienses do Velho Continente.

Eis uma significativa carta da época: “Entrando na abadia sob o muro de clausura, que como um porteiro a deixa passar, a correnteza se joga impetuosamente no moinho, onde um jogo de movimentos a multiplica antes de moer o trigo sob o peso de moendas de pedra; depois o sacode para separar a farinha do joio. Assim que chega no próximo prédio, a água que enche as bacias se rende às chamas, que a esquentam para preparar cerveja para os monges”. O relato continua expondo a lavagem mecânica da lã, a tintura dos panos e o tingimento dos couros (p. 34-35). Todos os mosteiros dos cistercienses tinham uma fábrica modelo, com freqüência tão grande quanto a igreja. Eles foram os líderes da produção de aço na Champagne. Usavam resíduos dos fornos como fertilizantes, pela concentração de fosfatos. Jean Gimpel alude a uma autêntica revolução industrial na Idade Média, pois esta “introduziu a maquinaria na Europa numa medida que nenhuma civilização previamente conheceu” (p. 35).

E Woods completa: “Esses mosteiros foram as unidades econômicas mais produtivas que jamais existiram na Europa, e talvez no mundo, até aquela época” (p. 33). Stark cita a admiração dos viajantes vendo os quase dois mil moinhos que realizavam toda espécie de tarefas nas margens do Sena, nas proximidades de Paris.

Descobertas grandes e surpreendentes

No início do século VII, o monge Eilmer voou mais de 180 metros com uma espécie de asa delta. Posteriormente o padre jesuíta Francesco Lana-Terzi estudou o vôo de modo sistemático e descreveu a geometria e a física de uma nave voadora. Os monges eram habilidosos relojoeiros. O primeiro relógio mecânico de que se tem registro foi feito pelo futuro papa Silvestre II para a cidade de Magdeburg, na Alemanha por volta do ano 996. No século XIV, Peter Lightfoot, monge de Glastonbury, construiu um dos mais antigos relógios ainda existentes. Richard de Wallingfor, abade de Saint Albans, além de ser um dos iniciadores da trigonometria, desenhou um grande relógio astronômico para o mosteiro, que predizia com precisão os eclipses lunares. Relógios comparáveis só apareceriam dois séculos depois.

Gerry McDonnell, arqueometalurgista da Universidade de Bradford, na Inglaterra, encontrou nas ruínas da abadia de Rievaulx, as provas de um grau de avanço tecnológico capaz de produzir as grandes máquinas do século XVIII. Os religiosos medievais tinham conseguido fornos capazes de produzir aço de alta resistência. Rievaulx foi fechada por Henrique VIII em 1530, e por isso o aproveitamento dessas descobertas ficou atrasado de dois séculos e meio.

Em Arbroath (Escócia) os abades instalaram um sino flutuante num recife perigoso, que as ondas agitadas faziam soar para alertar os navegantes. O
recife ficou conhecido como “Bell Rock” (Recife do Sino), e hoje um farol e um museu lembram o fato. Por toda parte os frades construíam ou reparavam pontes, estradas e outras obras indispensáveis para a infra-estrutura medieval. E isto sem nenhuma despesa para o erário público.

Sem a Igreja, não teria havido ciências sistemáticas e dinâmicas

A alegada hostilidade da Igreja Católica à ciência não resiste a qualquer análise. A verdade é que, sem a Igreja, não teria havido ciências sistemáticas e dinâmicas, diz Woods.

De fato, a idéia de um mundo ordenado, racional — indispensável para o progresso da ciência — está ausente nas civilizações pagãs. Árabes, babilônios, chineses, egípcios, gregos, indianos e maias não geraram a ciência, porque não acreditavam num Deus transcendente que ordenou a criação com leis físicas coerentes.

Os caldeus acumularam dados astronômicos e desenvolveram rudimentos da álgebra, mas jamais constituíram algo que se pudesse chamar de ciência. Os chineses “nunca formaram o conceito de um celeste legislador que impôs leis à natureza inanimada” (p. 78). Resultado: descobriram a bússola, mas não sabiam para o que servia e a usavam em adivinhações.

A Grécia antiga confundia os elementos com deuses perversos e caprichosos. O Islã recusava a existência de leis físicas invariáveis, porque coarctariam a vontade absoluta de Alá (p. 79). Essas crendices todas tornam impossível a ciência (p. 77).

O historiador da ciência Edward Grant indaga: “O que tornou possível à civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais, de uma maneira que nenhuma outra civilização o fizera anteriormente? A resposta, estou convencido, encontra-se num espírito de investigação generalizado e
profundamente estabelecido como conseqüência da ênfase na razão, que começou na Idade Média” (p. 66).

A Igreja inspirou os códigos de leis e o Direito Internacional

Segundo o professor de Direito Harold Berman, os modernos sistemas legais “são um resíduo secular de atitudes e posições religiosas, que têm sua primeira expressão na liturgia, ritos e doutrinas da Igreja, e só depois nas instituições, conceitos e valores da Lei” (p. 187).

A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável. O Papa Gelásio definiu os limites da ordem temporal e espiritual. O primeiro corpo sistemático de leis foi o Código Canônico. O conceito de direitos individuais, que se atribui erroneamente aos pensadores liberais dos séculos XVII e XVIII, de fato deriva de Papas, professores universitários, canonistas e filósofos católicos medievais.

Deve-se também à Igreja o Direito Internacional. Pela influência d’Ela, os processos jurídicos e os conceitos legais substituíram os juízos dos germanos baseados na superstição.

A Revolução igualitária, que se iniciou no século XV, gerou pensadores como o filósofo britânico do século XVII Thomas Hobbes, para quem a sociedade humana é impossível sem uma espécie de despotismo. Para ele, o soberano deveria definir o que é verdadeiro e o que é errado, isto é, agir de um modo iluminado e arbitrário.

Os escolásticos fundaram a economia científica

Um dado muito pouco conhecido é que a Igreja inspirou o pensamento econômico. Joseph Schumpeter, em sua History of Economic Analysis (1954), disse dos escolásticos: “Foram eles os que chegaram, mais perto do que qualquer outro grupo, a serem os ‘fundadores’ da economia científica” (p. 153).

Jean Buridan (1300-1358), reitor da Universidade de Paris, deu importantes contribuições à moderna teoria da moeda. Nicolas Oresme (1325-1382), aluno de Buridan e padre fundador da economia monetária, estudou com prioridade os efeitos destrutivos da inflação (p. 155). Martín de Azpilcueta (1493-1586), escolástico tardio, escreveu sobre a carestia provocada pelo aumento de meio circulante. O Cardeal Caietano (1468-1534) justificou moralmente o comércio internacional e mostrou como a expectativa sobre o valor futuro da moeda afeta o presente do mercado (pp. 157-158). Para Murray Rothbard, “o Cardeal Caietano, um príncipe da Igreja do século XVI, pode ser considerado o fundador da teoria da expectativa em economia” (p. 158).

O franciscano Jean Olivi (1248-129 8) foi o primeiro a propor uma teoria do valor subjetivo, e mostrou que o “justo preço” emerge da interação entre compradores e vendedores no mercado. Um século e meio depois, São Bernardino de Siena, o maior pensador econômico da Idade Média, consagrou esta teoria (p. 158).

A caridade cristã exorcizou a brutalidade pagã

W. E. H. Lecky destaca que nem na prática nem na teoria a caridade ocupou    na Antigüidade uma posição comparável à que teve no Cristianismo. O historiador da medicina Fielding Garrison mostra que antes de Cristo “a atitude face à doença e à desgraça não era de compaixão. O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja” (p. 176).

Os cristãos causavam admiração pela coragem com que atendiam os agonizantes e enterravam os mortos. Os pagãos abandonavam em ruas e estradas os parentes e melhores amigos doentes, semi-mortos, ou mortos sem  enterrar.

Santo Agostinho fundou uma hospedaria para peregrinos, resgatou escravos, deu roupa aos pobres. São João Crisóstomo fundou hospitais em Constantinopla. São Cipriano e Santo Efrém organizaram os auxílios durante epidemias e fomes.

O rei de França São Luís IX dizia que os mosteiros eram o “patrimônio dos pobres”. Eles davam diariamente esmolas aos carentes. Por vezes, míseros seres humanos passavam a vida dependendo da caridade monástica ou episcopal. Também distribuíam alimentos aos pobres em sufrágio da alma de um religioso falecido, durante trinta dias no caso de um simples monge, e durante um ano no caso de um abade. E, às vezes, perpetuamente.

Os hospitais, esses desconhecidos pelos não católicos. As ordens militares, fundadas durante as Cruzadas, criaram hospitais por toda a Europa. A Ordem dos Cavaleiros de São João (ou Hospitalários, que deu origem à Ordem de Malta) criou um hospital em Jerusalém por volta de 1113. João de Würzburg, sacerdote alemão, ficou pasmo com o que viu ali. “A casa — escreveu ele — alimenta tantos indivíduos fora dela quanto dentro, e dá um tão grande número de esmolas aos pobres, seja os que chegam até a porta, seja os que ficam do lado de fora, que certamente o total das despesas não pode ser contado, nem sequer pelos administradores e dispensários da casa”. Teodorico de Würzburg, outro peregrino alemão, maravilhou-se porque “indo através do palácio, nós não podemos de maneira alguma fazer uma idéia do número de pessoas que ali se recuperam. Nós vimos um milhar de leitos. Nenhum rei, ou nenhum tirano, seria  suficientemente poderoso para manter diariamente o grande número de pessoas alimentadas nessa casa” (p. 178).

Raymond du Puy, prior dos Cavaleiros Hospitalários, incitou os monges-guerreiros a fazerem sacrifícios heróicos por “nossos senhores, os pobres”. “Quando os pobres chegam — diz o artigo 16 do decreto de du Puy devem ser assim acolhidos: que recebam o Santo Sacramento, após terem primeiro confessado seus pecados ao sacerdote, e depois sejam levados à cama, como se fosse um Senhor”. O decreto de du Puy virou um marco no desenvolvimento dos hospitais (p. 178-179).

A caridade foi uma das características da Idade Média

O Hospital de Jerusalém inspirou uma rede de hospitais similares na Europa No século XII eles pareciam mais com hospitais modernos do que com os antigos hospícios. O de São João de Jerusalém impressionava pelo profissionalismo, organização e disciplina. Cada dia o doente devia ser visitado duas vezes pelos médicos, ser lavado e tomar duas refeições. Os responsáveis não podiam comer antes que os pacientes. Uma equipe de mulheres cumpria outras tarefas e garantia vestimentas e roupa de cama limpas.

O protestante Henrique VIII fechou os mosteiros e confiscou suas propriedades, na Inglaterra, sob a falsa acusação de que eram fonte de escândalo e imoralidade. Desapareceu então a caridade para com os necessitados. A redistribuição das terras abaciais trouxe “a ruína para incontáveis milhares dos mais pobres dos camponeses; a quebra de pequenas comunidades, que eram o seu mundo, e a verdadeira miséria passou a ser seu futuro” (p. 182). O desespero popular atiçou os motins populares de 1536 (p. 181).

Idêntico ou pior mal fez a Revolução Francesa. Em 1789, o governo revolucionário confiscou as propriedades da Igreja. Em 1847, mais de meio século depois, a França tinha 47% a menos de hospitais do que no ano do confisco (p. 185-186).

Pela regra de São Bento, os frades deviam dar esmolas e hospitalidade ao necessitado, como se este fosse um outro Cristo. Por isso os mosteiros serviam de hospedagens gratuitas, seguras e tranqüilas para viajantes, peregrinos e pobres.

Não somente recebiam a todos, mas em alguns casos iam à sua procura. O hospital monástico de Aubrac tocava um sino especial à noite, para orientar os viajantes perdidos no bosque. A cidade de Copenhague, na Dinamarca, nasceu em torno de um mosteiro estabelecido pelo bispo Absalon, para socorrer os náufragos.

A Igreja enxotou os costumes depravados e criminosos

Os padrões de moralidade foram modelados pela Igreja Católica. Platão ensinava que um doente, ou um incapacitado de trabalhar, devia ser morto. Na Roma antiga havia 30% mais de homens do que de mulheres. As meninas e os varões deformados eram simplesmente abandonados. Os estóicos favoreceram o suicídio para fugir da dor ou de frustrações emocionais. Os   romanos afundaram tanto na sensualidade, que até perderam o culto da deusa Castidade. Ovídio, Catulo, Marcial e Suetônio contam que as práticas sexuais do seu tempo eram perversas e até sádicas. Segundo Tácito, no século II uma mulher casta era fenômeno raro. Enfim, reinavam os torpes vícios em que hoje vai recaindo o mundo neopagão que apostatou da Cristandade.

A Igreja restaurou a dignidade do matrimônio e gerou um fato desconhecido pelos pagãos: suscitou mulheres capazes de tocar suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos.

A Igreja definiu e delimitou a guerra justa. Nem Platão nem Aristóteles fizeram qualquer coisa de comparável. Em sentido contrário, o espírito moderno antimedieval teve um mestre em Nicolò Machiavello. Ele postulou que a política é um jogo cínico, onde “a remoção de um peão político, embora envolva cinqüenta mil homens, não é mais perturbadora que a remoção   de uma peça de xadrez do tabuleiro” (p. 211).

O papel da Igreja na construção da civilização Woods conclui: “A Igreja não apenas contribuiu para a civilização ocidental, mas Ela construiu essa civilização” (p. 219). “Pensamento econômico, lei internacional, ciência, vida universitária, caridade, idéias religiosas, arte, moralidade — estes são os verdadeiros fundamentos de uma civilização, e no Ocidente cada um deles emergiu do coração da Igreja Católica” (p. 221).

Woods constata que as escolas revolucionárias, que dizem ser a fonte da civilização, na realidade trabalharam pela sua demolição. As escolas literárias revolucionárias conceberam enredos bizarros que refletem um universo anárquico e irracional. Na música, o mesmo espírito anticristão criou ritmos caóticos como os de Igor Stravinsky. Na arquitetura produziu a degeneração, hoje evidente, em edifícios destinados a serem igrejas progressistas. Em filosofia, caiu-se a ponto de o existencialismo propor que o universo é absurdo, que a vida carece de significado e que a única razão de viver é enfrentar o vácuo (p. 222-223).

      Notas:

      1. Rodney Stark, The Victory of Reason — How Christianity Led to Freedom, Capitalism and Western Sucess, Random House, 2005, 281 pp.2. Stark, op. cit., p. 7.
      3. Thomas E. Woods, Jr. Ph. D., How the Catholic Church built Western Civilization, Regnery Publishing Inc., Washington D. C., 2005, 280 pp. As citações deste artigo são deste livro, salvo indicação em contrário.

32 Respostas to “SEM A IGREJA CATÓLICA NÃO HAVERIA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL: nova corrente de historiadores rejeitam os mitos anticatólicos e antimedievais”

  1. Cláudio Luiz Diz:

    Quando que nos encontros de preparação para o Crisma, teremos essas informações. Participei de uma preparação para o Crisma 1985,pela Diocese de Nova Iguaçu e não foi nos apresentado o Catecismo da Igreja Católica. A formação que se tem para o jovens, é uma formação socialista e comunista.
    Quando vamos aprender o que foi, o que é a Igreja Católica Apostólica Romana.

  2. José Roldão Diz:

    Cláudio!

    PAX CHRISTI

    Pois é, a situação em algumas dioceses andou e ainda anda um pouco (estou sendo bem otimista) poluída por causa da Teologia da Libertação. Acredito que a mudança, isto é, uma despoluição, deve ser o impulso para que novos catequistas venham tomar a frente.

    Todos que estudam e conhecem bem a Igreja e seus documentos, catecismo e, PRINCIPALMENTE, conheçam a MISSA, devem tomar as dianteiras como soldados do Cristo, que é o que se tornam ao serem crismados. Vejo muitos problemas nas celebrações litúrgicas e isso é muito grave, pois é o que de mais importante temos na Igreja! Uma pessoa que conheça bem a Missa e participe dela com dignidade, dificilmente irá cambiar pra TL.

    Acho que a situação atual em algumas Igrejas, por cauda principalmente da TL, deve servir de estímulo aos que não foram contaminados, pois, mais do que nunca, o que a Igreja precisa é de EXCELENTES FORMADORES, excelentes catequistas!

    P A X

  3. vanderley Diz:

    Cláudia

    A base para o conhecimento da doutrina da Igreja é o Catecismo, tanto o atual como o anterior.

    Alem disso as enciclícas dos papas, os documentos do Vaticano,etc.

    Hoje já existem muitos livros de pessoas preocupadas em repassar o ensino verdadeiro da Igreja.

    Na internet são inúmeros os sites (vejam os links ao lado) que procuram fazer um trabalho em sintonia com o Magistério da Igreja.

    Infelizmente a “praga” da Teologia da Libertação ainda é muito presente em muitas paróquias e dioceses.

    O melhor é cada um procurar aprender o suficiente para fazer frente a esse tipo de “teologia”.

    O Padre Paulo Ricardo (www.padrepauloricardo.org) tem uma palestra de aúdio chamada “Jesus histórico” que voce pode baixar e ouvir.

    Tanto a teol. da libertação e a corrente “Jesus histórico” tem influências do protestantismo .

  4. José Roldão Diz:

    IMPORTANTE:

    A partir de hoje, a começar da publicação deste aviso, só serão liberados os comentários:

    1) Que comentem especificamente o post a que se referem;

    2) Caso sejam comentários que contestem os pots, deverão conter fontes, sendo que, se forem fontes da internet deverão conter os referidos links; se forem de livros, deverão conter nome, autor, e localização interna do trecho citado (Cap.; Pág.; Parágrafo etc); não serão aceitos comentários gratuitos ou ataques do tipo: disse-me-disse.

    3) Que sejam comentários, isto é, com o tamanho que um comentário deve ter. Não serão liberadas cópias ou colagens de textos por demais extensos. Para tanto, sejam referidos os links de onde se encontram, caso queiram utilizar esses textos como base para comentários.

    4) Todos os abusos, falta de respeito com o moderador, disse-me-disse sem fontes ou provas, serão moderados.

    P A X

  5. joao batista Diz:

    Eu joao estou chateado com essa pagina, porque nao achei nada.
    e daqui algumas horas tenho que ir para escola, mas voltarei, mas, nao nesse site!!!!!!!!!!!!!! sou um homo revoltado porque…

  6. Caturo Diz:

    De fato, a idéia de um mundo ordenado, racional — indispensável para o progresso da ciência — está ausente nas civilizações pagãs. Árabes, babilônios, chineses, egípcios, gregos, indianos e maias não geraram a ciência, porque não acreditavam num Deus transcendente que ordenou a criação com leis físicas coerentes.

    Completa e integralmente falso. A Ciência nasce precisamente na antiga Grécia, com Demócrito entre outros, bem como a Filosofia, a qual foi por sua vez usurpada em parte e silenciada pela outra parte, pelos cristãos.

  7. Caturo Diz:

    A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável.

    Não restaurou coisa nenhuma. O Direito Romano mesclou-se com o Germânico porque foi adoptado pelas tribos germânicas e assim nasceu a ordenação jurídica dominante no continente europeu, o Direito Gótico-Romano. O processo foi no essencial paralelo à actuação da Igreja.

  8. Caturo Diz:

    O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja” (p. 176).

    Nem isso. Já os Celtas PAGÃOS o faziam, desde bem antes de Cristo.

  9. Caturo Diz:

    Os Romanos tinham também a sua concepção de guerra justa, já definida por Virgílio: «bater os arrogantes, defender os humildes».

  10. Caturo Diz:

    O historiador Rodney Stark(1) colocou o problema: na História houve apenas uma civilização que saiu do nada, para acabar sendo hegemônica: a ocidental. Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios.

    Decaíram? Pura falsidade. A civilização indiana ainda hoje é vigorosa e resplandescente, apesar dos esforços dos missionários cristãos em subvertê-la.

  11. Daniel Diz:

    Comentário:

    De fato, a idéia de um mundo ordenado, racional — indispensável para o progresso da ciência — está ausente nas civilizações pagãs. Árabes, babilônios, chineses, egípcios, gregos, indianos e maias não geraram a ciência, porque não acreditavam num Deus transcendente que ordenou a criação com leis físicas coerentes.

    CATURO ESCREVEU A SEGUINTE BOBAGEM:

    Completa e integralmente falso. A Ciência nasce precisamente na antiga Grécia, com Demócrito entre outros, bem como a Filosofia, a qual foi por sua vez usurpada em parte e silenciada pela outra parte, pelos cristãos.

    REFUTANDO A BOBAGEM DE CATURO:

    Embora a Ciência tenha nascido na Grécia, e desde os gregos tenha começado a se delinear, com clareza, as linhas mestras de sua gigantesca empresa, ou seja, promoção da unificação do saber de campos do conhecimento, no caso, ciências naturais e humanas, incluindo ética, arte e religião. Tal propósito só encontrou seu ápice na época das universidades medievais. São elas que realizam o projeto de unidade orgânica do conhecimento, lançando as bases da revolução científica posterior.

    “A universidade medieval, a mais característica instituição do período, é algo novo na História. Não pode ser comparada nem às escolas gregas, nem às romanas ou alexandrinas, nem às árabes.” (Luis Alberto de Boni, professor de Filosofia Medieval da UFRGS. Doutor em Filosofia Medieval pela Universidade de Muenster, O surgimento da universidade, in: Uma História da Filosofia, volume 2, UFRJ, 1988, p. 89).

    Além disso, “do século XI ao século XIII, antes da Revolução Industrial do século XVIII, antes do Renascimento italiano, a Europa ocidental conheceu um período de intensa revolução tecnológica, e essa foi uma das épocas da história dos homens mais fecunda em invenções. Essa época deveria ter-se chamado “a primeira revolução industrial”. (GIMPEL, Jean. A Revolução Industrial da Idade Média. Portugal: Europa-América, 2001, p. 13.)

    “A primeira revolução industrial data da Idade Média. Os séculos XI, XII e XIII criaram uma tecnologia na qual se apoiou a revolução industrial do século XVIII para iniciar seu desenvolvimento. As descobertas do Renascimento apenas desempenharam um papel limitado na expansão da indústria na Inglaterra nos séculos XVIII e XIX. Na Europa, em todos os domínios, a Idade Média desenvolveu, mais do que qualquer outra civilização, o uso das máquinas. Foi esse um dos fatores determinantes da preponderância do hemisfério ocidental sobre o resto do mundo.” (GIMPEL, Jean. A Revolução Industrial da Idade Média. Portugal: Europa-América, 2001, p. 17.)

    “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos bem mais guardados segredos da história moderna” (WOODS, Thomas, How the Catholic Church Built Western Civilization, Regury Publishing Inc., Washington, DC, 2005, p. 5)

    Além disso, é falso que a filosofia foi silenciada pelos cristãos. A herança filosófica clássica é incorporada na estrutura do pensamento cristão. Foi esta união pessoal de ambos os mundos que produziu uma síntese altamente complexa do pensamento grego e cristão. (Cf. JAEGER, Werner. Cristianismo primitivo e paidéia grega. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 36; Cf. Também, REALE, Giovanni. História da Filosofia: Patrística e Escolástica. São Paulo:Paulus, 2007.)

    “A fusão da religião cristã com a herança intelectual grega fez que as pessoas se apercebessem de que as duas tradições tinham muito em comum” (Cf. JAEGER, Werner. Cristianismo primitivo e paidéia grega. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 86)

    O cristianismo surgiu como herdeiro de tudo o que parecia digno de sobreviver na tradição grega (Cf. JAEGER, Werner. Cristianismo primitivo e paidéia grega. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 99)

    Sobre a Filosofia na Idade Média: Cf. GILSON, Etienne. O espírito da filosofia medieval. São Paulo: Martins Fontes, 2005; Idem, A filosofia na Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 2007. SARANYANA, Josep-Ignasi. A filosofia medieval. São Paulo, Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007.)

    Comentário:

    A Igreja restaurou o direito dos romanos, aportando uma contribuição própria inapreciável.

    CATURO ESCREVEU A SEGUINTE BOBAGEM:

    Não restaurou coisa nenhuma. O Direito Romano mesclou-se com o Germânico porque foi adoptado pelas tribos germânicas e assim nasceu a ordenação jurídica dominante no continente europeu, o Direito Gótico-Romano. O processo foi no essencial paralelo à actuação da Igreja.

    REFUTANDO A BOBAGEM DE CATURO:

    Os eruditos da escola histórica do direito, na Alemanha e logo em toda a Europa, acreditaram ver nas leis da Idade Média uma manifestação brilhante das comunidades bárbaras. A maior parte das pesquisas recentes invalidou esse modo de ver as fontes legislativas da Idade Média. O estudo no ocidente pós-romano do direito romano esperaria a chamada redescoberta do Corpus Iuris Civilis no século XI (com pouca influência no início da Idade Média), a partir de então, os juristas começaram a estudar os antigos textos legais romanos e a ensiná-los. Mas será a partir do século XIII, que o império dos costumes começa perder sua força. A lei faz de novo sua aparição, essencialmente de início, graças à Igreja. A Igreja faz a definitiva adoção do Direito Romano Justinianeu ao seu Direito Canônico. O Direito Romano será seu Direito em matéria temporal. Este deve ser aplicado sem contrariar o direito canônico. Forma-se, assim, um só Direito, o Direito Comum, o Utrumque Ius,11 composto dessa junção do Direito Romano Justinianeu ao Direito Canônico, ambos aprovados pela Igreja. (Cf. LE GOFF, Jacques; SCHMIDTT, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. Sao Paulo: Edusc, 2002. cf. Direito; e GIBERT, Rafael. Elementos formativos del derecho en Europa: germanico, romano, canonico. Madrid: Manuel Huerta, 1982, p. 74-75 e 80-9)

    Comentário:

    O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja” (p. 176).

    CATURO DISSE A SEGUINTE BOBAGEM:

    Nem isso. Já os Celtas PAGÃOS o faziam, desde bem antes de Cristo.

    REFUTANDO A BOBAGEM DE CATURO:

    “El mundo occidental precristiano nos da, en Grecia y Roma, organizaciones para-hospitalarias muy interesantes. Interesantes, en el caso que nos ocupa, por la diferencia de fondo que las separa del hospital cristiano. Diferencia que radica más en el concepto distinto de la relación humana que existe entre la concepción pagana y cristiana de la vida, que en la adquisición, evolutiva o revolucionaria, de determinadas concepciones técnicas o científicas. El cristianismo aporta el nuevo concepto de hospital precisamente cuando la ciencia positiva va a caer en el colapso de la Alta Edad Media. Es, pues, el hospital, una realidad espiritual y un concepto filosófico, antes que el perfeccionamiento de una organización científica y social”. (PADROS, Esteban. Cristianismo y Hospital, Revista Medicina y Historia, 1965, fascículo X; Cf. também MICHELI, Alfredo de. HISTORIA Y FILOSOFÍA DE LA MEDICINA, En torno a la evolución de los hospitales, Gac Méd Méx Vol.141 No. 1, 2005; MONTENEGRO, Margarita Cantera. Asistencia a los pobres y enfermos em Logroño medieval, siglos XIII-XV, C.I.H, BROCAR, N. 12, 1987, P. 207-212)

    Tive um imenso trabalho de refutar as bobagens comentadas pelo CATURO, para demonstrar que falar abobrinhas descaradamente é muito fácil, não dá trabalho algum.

    um abraço à todos,

    Daniel.

  12. Daniel Diz:

    CATURO ESCREVEU A SEGUINTE BOBAGEM:

    A civilização indiana ainda hoje é vigorosa e resplandescente, apesar dos esforços dos missionários cristãos em subvertê-la.

    REFUTANDO A BOBAGEM DE CATURO:

    Ora, a suposta civilização vigorosa e resplandecente de CATURO é marcadamente excludente e discriminatória, condenando a condições miseráveis de vida, milhares de pessoas, devido à superstições milenares do sistema de castas. Originalmente, as castas eram apenas quatro: os brâmanes (religiosos e nobres), os xatrias (guerreiros), os vaixias (camponeses e comerciantes) e os sudras (escravos). À margem dessa estrutura social havia os párias, sem casta ou intocáveis, hoje chamados de haridchans ou haryans. Com o passar do tempo, tem havido centenas de subdivisões, que não param de se multiplicar.

    Sobra essa quinta categoria de pessoas, de muitos milhões que não pertencem a casta alguma,os párias (os intocáveis), é que eu gostaria de falar. Eles não tem direitos . Não podem ser admitidos no trato social, por causa do risco de contágio. Os bramânes gozamdo privilégio de terem vivido bem em supostas existências anteriores; esta é a convicção religiosa comum. Os parias sofrem o castigo de terem vivido mal nas existências anteriores. Não se revoltam diante da situação que eles mesmos “mereceram”. Revoltar-se seria correr o risco de uma nova “encarnação” em condições ainda mais degradantes.

    Os intocáveis na sociedade Hindu são aqueles que trabalham com trabalhos indignos, sujos, com o morto (animal e/ou humano), amontoados de cadáveres e outros empregos que lhes mantêm em constante contato com aquilo que o resto da sociedade indiana considera nojento e desagradável. Essas ocupações, entretanto, não são consideradas apenas como coisas nojentas que, não obstante, não devem ser feitas a alguém: eles são considerados individualmente sujos, e assim não podem praticar contato físico com os “não-sujos”, as partes mais puras da sociedade. Vivem separados do resto das pessoas. Ninguém pode interferir na sua vida social, pois os intocáveis são os últimos no ranking social, são considerados menos que humanos e não são considerados parte do sistema de castas.

    Desde sempre, os párias são condenados a trabalhos mais degradantes e mal pagos, apesar da luta de Gandhi, após a independência, e de inúmeras leis criadas na tentativa de eliminar ou amenizar os problemas que o sistema de castas acarreta. Todavia, essas leis revelam-se impotentes diante da tradição, e o sistema subsiste. Para os intocáveis, só é permitido usar as roupas que acham no corpo dos mortos. Nas suas casas, comem de louças quebradas. Eles sofrem de restrições sociais extremas. Não podem rezar no mesmo templo, não podem beber da mesma corrente de água. Eles poderiam poluir a água e indiretamente poluir as outras castas que bebessem dali.

    Nenhum intocável pode entrar no templo se houver a presença de alguém de uma casta superior - como os padres do templo, a casta mais superior, nunca estão fora, os intocáveis na prática são barrados de entrar em templos ou outros lugares onde se pratica a religião.

    Para se ter uma idéia, quando os tsunamis de Dezembro de 2004 tragaram a costa do Estado indiano de Tamil Nadu, a morte agiu como niveladora social. Mas os esforços de reabilitação e o desembolso de ajuda econômica posteriores à tragédia não conseguiram superar a discriminação social que impera na Índia segundo o antigo sistema de castas inconstitucional, mas que existe de fato.

    As vítimas de Tamil Nadu, o Estado indiano mais devastado pelos tsunamis, esperaram ansiosos a ajuda do governo e de agências humanitárias para poderem reconstruir suas vidas, mas os dalits - ou intocáveis - excluídos do sistema de castas hindu, não a receberam. “Não há um caminho até nossa aldeia. Ninguém sabe que vivemos aqui, e portanto ninguém vem nem procura vir”, relata um intocável.

    Neste distrito com importante população dalit, vive a maioria dos 10 mil mortos em razão do maremoto em Tamil Nadu. Agora em Junho de 2006, uma revista popular destinada ao público juvenil brasileiro, a Capricho, publicou uma entrevista com um intocável. Segundo o entrevistado, sua família tinha que beber água barrenta de um poço e, por seu irmão ter invadido o quintal do vizinho, o mesmo foi castigado amarrado numa árvore com ele e seu pai, depois de uma surra, tiveram que assisti-lo sendo devorado por formigas.

    Está aí uma característica do esplendor da Índia.

    (Cf. DUMONT, Louis, 1966, Homo Hierarchicus. Le Système de Castes et ses Implications, Paris, Gallimard)

  13. Daniel Diz:

    ESPLENDOR DA ÍNDIA PARA CATURO:

    Castas da Índia vão a debate na Conferência da ONU sobre Racismo

    As castas mais baixas sofrem segregação

    O governo da Índia recusou-se novamente a discutir a discriminação por castas na Conferência sobre Racismo da ONU, que começa na sexta-feira, dia 31 de agosto.

    As autoridades em Delhi afirmam que o assunto das castas na Índia não está relacionado com racismo e que qualquer discriminação baseada neste sistema deve ser tratada como assunto interno.

    Mas os membros das castas mais baixas do país não concordam com esta posição e querem que o assunto seja incluído na agenda da conferência.

    Ativistas dos direitos humanos também criticaram a decisão do governo indiano.

    Tradição milenar

    As opiniões a respeito da origem do sistema de castas na Índia são divididas. O país convive com as castas há mais de três mil anos.

    Sistema impõe segregação rígida
    O debate está aberto e deverá discutir até que ponto o sistema de castas é um dogma do hinduísmo ou o legado de uma estrutura poderosa imposta por invasores da Ásia Central séculos atrás.

    Membros das castas mais altas são tradicionalmente associados a profissões mais privilegiadas como o sacerdócio. Enquanto que aqueles das castas mais baixas geralmente são empregados.

    As pessoas de castas mais baixas geralmente são chamadas de párias ou intocáveis.

    O governo indiano, entretanto, introduziu uma série de medidas para proporcionar a estas pessoas acesso a educação e a empregos além dos que são tradicionalmente destinados a estas castas.

    Oficialmente banido

    A discriminação por castas é proibida na Índia, mas continua sendo parte do dia-a-dia do segundo país mais populoso do mundo.

    E, em alguns casos, as pessoas ignoram o sistema assumindo todos os riscos. Um exemplo disso foram as mortes de dois adolescentes que foram enforcados pelos habitantes da vila de Uttar Pradesh (no norte do país) pelo fato de serem de castas diferentes e estarem namorando.

    Mas o ministro para Assuntos Externos da Índia, Omar Abdullah, afirmou na semana passada que a discriminação por castas não pode ser igualada ao racismo. O ministro rejeitou a discussão do tema na Conferência da ONU sobre o Racismol.

    Esta decisão colocou em risco 160 milhões de pessoas, membros da casta mais baixa da Índia, os Dalits.

    Representantes dos Dalits afirmaram a jornalistas que a Índia falhou ao não abrir sua experiência de racismo e intolerância ao debate internacional.

    A decisão também atraiu críticas da organização não-governamental Human Rights Watch.

    A porta-voz da organização, Smita Narula, diz que a discriminação baseada em castas é o “apartheid escondido” da Ásia, que afeta milhões de pessoas no sul do continente.

  14. Caturo Diz:

    Tive um imenso trabalho de refutar as bobagens comentadas pelo CATURO, para demonstrar que falar abobrinhas descaradamente é muito fácil, não dá trabalho algum

    Com imenso ou nenhum trabalho, o resultado do que Daniel apresentou é particularmente medíocre - aliás, acaba por nada refutar, pelo contrário, limita-se a fazer citações, algumas delas pouco claras, como a seguir se verá.

    DANIEL ESCREVEU A SEGUINTE IMBECILIDADE:

    Tal propósito só encontrou seu ápice na época das universidades medievais. São elas que realizam o projeto de unidade orgânica do conhecimento, lançando as bases da revolução científica posterior.

    Falsificação descarada da História, mais uma vez, dado que, em larga medida, a Idade Média mais não fez do que dar continuidade ao que a Grécia já tinha feito, em toda a sua estrutura. Daniel limita-se a dizer que «não porque não»; não explica, em momento algum, onde está a inovação trazida pela Igreja, fica-se pelas citações. Ora, em matéria de citações, também eu poderei aqui trazer algumas, oportunamente.

    A universidade medieval, a mais característica instituição do período, é algo novo na História. Não pode ser comparada nem às escolas gregas, nem às romanas ou alexandrinas, nem às árabes.

    Não pode porquê e em quê? Onde está a sua superioridade? Em que é que inova?
    Daniel limita-se a papaguear, nada explica.

    Já agora, a propósito, não apenas de citações, mas também de FACTOS, que é coisa que o Daniel não cita UMA SÓ VEZ, cá vai:

    Segundo Kosminsky (1960), a ciência, encontrava-se nessa épocasob forte influência da Igreja Católica. A autoridade da Igreja impunhasua doutrina como verdade que não podia ser discutida. Do mesmomodo, alguns escritores antigos, como Aristóteles, gozavam de trata-mento semelhante. Por isso, muito pouco conhecimento a ciênciaacumulou neste período. A esta ciência foi dado o nome de escolásticae, sua finalidade principal era demonstrar a verdade da doutrina daIgreja Católica.Os sábios medievais acreditavam que a terra tinha forma de disco econsideravam um absurdo a crença em sua esfericidade. Somente noséculo XIII esta crença obteve alguma aceitação por alguns sábios quevieram a ter conhecimento da teoria de Ptolomeu. Porém, ainda acre-ditavam que a terra era o centro do universo. Em geral, as noçõesverídicas encontradas nos escritores antigos eram tidas por estessábios como idéias fantásticas.A Igreja, temendo perder sua autoridade, reprimia toda idéia quepoderia traçar novos caminhos para a ciência, impedindo seu livredesenvolvimento. Mesmo assim, houve alguns sábios na Idade Médiaque ousaram com algumas idéias e descobertas novas. Um deles foiRoger Bacon, que no século XIII foi condenado pela Igreja Católica aoencarceramento por ensinar que a experiência e a matemática eram abase da verdadeira ciência.Durante toda essa época a Igreja foi o maior obstáculo para oprogresso do conhecimento científico. O obscurantismo do clerocombateu longa e encarniçadamente a nova ciência, que lentamente semanifestava, baseada na experiência e na razão. Contudo, taisempecilhos não podiam deter seu desenvolvimento.
    (… ;)
    Neste mesmo contexto em que Franco Jr. relata a origem dasuniversidades, segundo Heer (1968), as ciências naturais começarama mostrar-se independentes, ainda que, num papel particularmenteambíguo. Quem se interessasse pelos segredos da natureza e ousasseinvestigar por meio de experiências, ficava comprometido emperigosa associação com os mágicos, feiticeiros e alquimistas; isto é,com os conspiradores dedicados a descobrir os segredos que Deusvelara de mistérios. Ronan (1983), acrescenta que mesmo entre oscristãos havia divergências no que diz respeito ao estudo do mundonatural criado por Deus. De um lado, havia aqueles que ignoravamos estudos científicos para se concentrarem no tema da salvação daalma, já que a ciência se dedicava aos escritos gregos pagãos, queacabariam por contaminar as almas cristãs com idéias perigosas.

    Ou seja, afinal tudo aquilo em que os sábios cristãos medievais se baseavam para PENSAR fosse o que fosse… foi criado pelos antigos Gregos, ou seja, POR PAGÃOS.

  15. Caturo Diz:

    Fonte do texto anterior: http://66.102.9.104/search?q=cache:GqwGhasVRfwJ:editora.metodista.br/Psicologo1/psi03.pdf+Idade+M%C3%A9dia+Ci%C3%AAncia&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=1&gl=pt

  16. Caturo Diz:

    “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos bem mais guardados segredos da história moderna”

    Pois - tão bem guardado, tão bem guardado, que nem um só FACTO CONCRETO sobre esse contributo foi aqui revelado… NEM UM.

  17. Caturo Diz:

    Aliás, para continuar a refutar as imbecilidades aqui escritas em socorro da Igreja, vale a pena continuar a citar da fonte acima indicada, é que são umas atrás das outras, a desgraça da Cristandade medieval é quase total:

    Já Heer (1968), não faz menção alguma sobre divergências entre ospróprios cristãos, pelo menos dentro da Igreja Católica. Segundo estemesmo autor, durante a Idade Média, os que seguiam as ciências natu-rais não tinham um lugar legítimo na sociedade e não eram reconheci-dos pela Igreja, pois eram considerados pessoas de reputação duvidosa.A Igreja contrariava qualquer tentativa de descoberta dos segredos danatureza – invasão ilegal do ventre sagrado da “Grande Mãe”. Quemquer que persistisse em lançar-se ao trabalho da ciência era forçado ajuntar-se aos judeus provençais que sabiam traduzir textos em árabe quetratavam de alquimia, química e medicina, e a outros excêntricos quededicavam suas pesquisas à transformação do mercúrio em ouro.

    E CONTINUA:

    Heer (1968.), descreve que o padrão de desenvolvimento das idéiasmedievais quanto à ciência era composto de numerosos elementoscontraditórios e diversos. Os que se interessavam por investigaçõescientíficas, o faziam por razões irracionais e supersticiosas. Seusmétodos eram uma combinação de empirismo e especulação. O peso de pressões religiosas era tal que, embora essas atividades satis-fizessem o indivíduo, o que emergia delas não era de certeza científica.

    Que tal esta?

    Franco Jr. (1992), relata que em fins do século XIII surge a necessi-dade da experimentação além de um racionalismo teórico. Pensandonisto, Bacon critica a submissão de seus contemporâneos aos ensina-mentos de Aristóteles e propõe enriquecer o racionalismo com oempirismo. Desta forma foram lançados os fundamentos da futurasuperioridade científica do ocidente, muito embora, Bacon não real-izasse nenhuma investigação empírica da natureza (Herr, 1968).Bacon vendeu seu patrimônio por amor aos estudos científicos, oque fez dele objeto de riso dos estudantes de Oxford. Os seus superiores da ordem franciscana, a qual pertencia, mandaram-no para a cadeiapor ensinar que a experiência matemática era a base da verdadeira ciência.

  18. Caturo Diz:

    DANIEL ESCREVEU A SEGUINTE IMBECILIDADE:

    Além disso, é falso que a filosofia foi silenciada pelos cristãos. A herança filosófica clássica é incorporada na estrutura do pensamento cristão. Foi esta união pessoal de ambos os mundos que produziu uma síntese altamente complexa do pensamento grego e cristão.

    REFUTAÇÃO DA IMBECILIDADE DE DANIEL:

    É mesmo verdade que a Filosofia foi usurpada em parte e silenciada pela outra parte, pelos cristãos. A Academia foi fechada por ordem do imperador cristão Justiniano, em 529, data que por vezes é indicada como o fim da Antiguidade, ou seja, fim da época do conhecimento, início da Idade Média ou Idade das Trevas, da repressão cristã. Os membros dessa Academia acabaram por encontrar refúgio no reino de Khosrau, da dinastia persa dos Sassânidas.
    Os cristãos usaram apenas aquilo que lhes parecia útil para darem um ar filosófico e intelectual às suas crenças vindas dum ambiente cultural judaico. Mutilaram a usurparam a Filosofia dos antigos Gregos.

  19. Caturo Diz:

    DANIEL CITOU O SEGUINTE PARA JUSTIFICAR UMA REFUTAÇÃO IMBECIL:

    Os eruditos da escola histórica do direito, na Alemanha e logo em toda a Europa, acreditaram ver nas leis da Idade Média uma manifestação brilhante das comunidades bárbaras. A maior parte das pesquisas recentes invalidou esse modo de ver as fontes legislativas da Idade Média. O estudo no ocidente pós-romano do direito romano esperaria a chamada redescoberta do Corpus Iuris Civilis no século XI (com pouca influência no início da Idade Média), a partir de então, os juristas começaram a estudar os antigos textos legais romanos e a ensiná-los.

    Ou seja, os juristas medievais tiveram de ir buscar textos legais baseados na HERANÇA ROMANA PAGÃ, pois que é de Direito Romano que se trata, embora com a presença da intervenção cristã.

    a partir do século XIII, que o império dos costumes começa perder sua força. A lei faz de novo sua aparição, essencialmente de início, graças à Igreja. A Igreja faz a definitiva adoção do Direito Romano Justinianeu ao seu Direito Canônico. O Direito Romano será seu Direito em matéria temporal. Este deve ser aplicado sem contrariar o direito canônico. Forma-se, assim, um só Direito, o Direito Comum, o Utrumque Ius,11 composto dessa junção do Direito Romano Justinianeu ao Direito Canônico, ambos aprovados pela Igreja.

    Ou seja, a Igreja limitou-se a dar a sua aprovação ao Direito ROMANO, aplicando-lhe algo da sua própria doutrina.

    Em que é que isso refuta o que eu disse? Em, nada, excepto quando nega o contributo germânico. Enfim, é a palavra de Daniel e de algum autor que ele leu contra a palavra dos autores que ainda hoje se estudam nas Universidades Portuguesas, tanto que o Direito Português é chamado GÓTICO-Romano…

  20. Caturo Diz:

    EU DISSE O SEGUINTE:

    Nem isso. Já os Celtas PAGÃOS o faziam (cuidar dos seus doentes), desde bem antes de Cristo.

    DANIEL TENTOU REFUTAR ISTO COM A SEGUINTE CITAÇÃO:

    “El mundo occidental precristiano nos da, en Grecia y Roma, organizaciones para-hospitalarias muy interesantes. Interesantes, en el caso que nos ocupa, por la diferencia de fondo que las separa del hospital cristiano. Diferencia que radica más en el concepto distinto de la relación humana que existe entre la concepción pagana y cristiana de la vida, que en la adquisición, evolutiva o revolucionaria, de determinadas concepciones técnicas o científicas. El cristianismo aporta el nuevo concepto de hospital precisamente cuando la ciencia positiva va a caer en el colapso de la Alta Edad Media. Es, pues, el hospital, una realidad espiritual y un concepto filosófico, antes que el perfeccionamiento de una organización científica y social”.

    PRIMEIRA IMBECILIDADE DE DANIEL:

    Eu falei dos CELTAS, Daniel quis refutar o que eu disse sem sequer referir os CELTAS. Limitou-se pois a DESVIAR a conversa.

    SEGUNDA IMBECILIDADE DE DANIEL:

    Afinal, a grande diferença entre o «hospital pagão» e o cristão é… APENAS uma questão de concepção. Releia-se:
    El mundo occidental precristiano nos da, en Grecia y Roma, organizaciones para-hospitalarias muy interesantes. Interesantes, en el caso que nos ocupa, por la diferencia de fondo que las separa del hospital cristiano. Diferencia que radica más en el concepto distinto de la relación humana que existe entre la concepción pagana y cristiana de la vida

    Quer isto dizer que, afinal, É MESMO FALSO o que eu disse ser falso: O crédito de cuidar dos seres humanos enfermos em grande escala deve ser atribuído à Igreja”

  21. Caturo Diz:

    DANIEL ESCREVEU A SEGUINTE IMBECILIDADE:

    a suposta civilização vigorosa e resplandecente de CATURO é marcadamente excludente e discriminatória, condenando a condições miseráveis de vida, milhares de pessoas, devido à superstições milenares do sistema de castas.

    De notar que Daniel não se atreveu sequer a negar o esplendor da civilização hindu em Metafísica, Filosofia, Religião, Arte e Política - Daniel limitou-se a tentar pegar no aspecto meramente social da civilização hindu para tentar desacreditá-la em proveito do Cristianismo.

    Mas também aí tem Daniel azar. Efectivamente, disse Daniel o seguinte:

    Os parias sofrem o castigo de terem vivido mal nas existências anteriores. Não se revoltam diante da situação que eles mesmos “mereceram”.

    Ora isto dito por um cristão é atirar pedras quando se tem telhados de vidro. Porque, infelizmente para Daniel, A PRÓPRIA DOUTRINA CRISTÃ MANDA O ESCRAVO ACEITAR A SUA CONDIÇÃO DE ESCRAVO, CONFORMANDO-SE:

    Bíblia, Novo Testamento, Efésios, 6:
    5. Servos, obedecei aos vossos senhores temporais, com temor e solicitude, de coração sincero, como a Cristo,
    6. não por mera ostentação, só para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, que fazem de bom grado a vontade de Deus.
    7. Servi com dedicação, como servos do Senhor e não dos homens.
    8. E estai certos de que cada um receberá do Senhor a recompensa do bem que tiver feito, quer seja escravo quer livre.
    9. Senhores, procedei também assim com os servos. Deixai as ameaças. E tende em conta que o Senhor está no céu, Senhor tanto deles como vosso, que não faz distinção de pessoas.

    Portanto, se os párias aceitam a sua condição por motivos religiosos, porque acreditam na reencarnação, os cristãos aceitavam que o escravo tinha por missão deixar-se ser escravo e oferecer o fruto espiritual da sua vida a Deus, MAS CONTINUANDO A SERVIR OS SEUS DONOS, claro.

    Por conseguinte, nenhum cristão dá lições de moral à Índia.

  22. Caturo Diz:

    Neste distrito com importante população dalit, vive a maioria dos 10 mil mortos em razão do maremoto em Tamil Nadu. Agora em Junho de 2006, uma revista popular destinada ao público juvenil brasileiro, a Capricho, publicou uma entrevista com um intocável. Segundo o entrevistado, sua família tinha que beber água barrenta de um poço e, por seu irmão ter invadido o quintal do vizinho, o mesmo foi castigado amarrado numa árvore com ele e seu pai, depois de uma surra, tiveram que assisti-lo sendo devorado por formigas.

    Foi muito melhor o que os cristãos levaram à Índia, olá se foi!
    A Inquisição de Goa, por exemplo, mutilava crianças à frente dos próprios pais, para os obrigar a rejeitar o Hinduísmo e converterem-se ao Cristianismo. Cortavam dedos, narizes, línguas, mãos, braços, até os pais cederem.

    Está aí a «superioridade» da civilização cristã sobre a Índia.

  23. vanderley Diz:

    Permita-me a intromissão

    O assunto é civilização OCIDENTAL .

    Nobre Caturo como voce bem sabe India e China não faz parte do OCIDENTE e sim do ORIENTE.

    Qualquer pessoa com mais de 2 neurônios sabe muito bem da importância da Igreja quando ruiu o Império Romano.

    Quem reteve e aprimorou os conhecimentos foi a Igreja.

    Não foi nenhum ATEU que fundou as Universidades:

    Oxford, Sorbonne, Bologna, Coimbra, et,etc.

    Não se deve tirar o mérito de muita coisa positiva nas Civilizações mais antigas (India,China,Japão,etc), mas o fato é que elas estagnaram e foram ultrapassadas.

    O Ocidente é movido pelas bases do Direito Romano, Filosofia Grega e
    Moral Judaico-Cristã.

    Muitas pessoas erraram usando o nome da Igreja, mas isto é fração mínima perto do bem que ela fez e faz para para a humanidade.

  24. Caturo Diz:

    Pois eu creio, nobre Vanderley, que a Igreja fez muitíssimo mais mal do que bem à Europa. E se a Igreja deu continuidade a alguma da cultura clássica, isso nada tem de extraordinário - aliás, no contexto, continua a significar mediocridade civilizacional, pois que a cultura genuinamente ocidental, de raiz pagã, era muito mais vasta e luminosa do que aquela que a Igreja deixou passar.

    A Igreja teve importância sim - mas não foi nada positiva. Impôs-se como único poder espiritual admitido, o que prova, logo à partida, o seu teor espiritualmente totalitário. É por isso um erro pouco inteligente, ou pouco honesto, vir dizer que não foram os ateus que fundaram as universidades mais antigas da Europa. Pudera - os ateus não podiam sequer existir, era proibido ser-se qualquer outra coisa que não cristão ou judeu. Era proibido pensar a favor do ateísmo.

    Se eu quiser deixar a um filho meu uma herança de cem lingotes de ouro, e sujeito X se intrometer no meu testamento, ficar com os meus cem lingotes de ouro e oferecer CINQUENTA lingotes de ouro ao meu filho… será que o meu filho tem de agradecer alguma coisa a sujeito X?
    Nada tem de agradecer, porque a sua herança era e é de CEM lingotes de ouro, não de apenas cinquenta.

    Aplica-se o mesmo à Igreja - «deu» ao Ocidente a continuidade de PARTE da sua cultura, mas censurou e tentou exterminar outras partes da cultura ocidental.

    Quanto à comparação com as culturas orientais, saiba o nobre Vanderley que só falei nisso PORQUE o post original diz precisamente o seguinte, passo a citar:
    Existiram, sem dúvida, outras grandes civilizações: chinesa, egípcia, caldéia, indiana, etc. Elas todas se iniciaram num alto nível, ficaram porém estagnadas e decaíram lenta mas irreversivelmente ao longo dos milênios. Por que não cresceram como a ocidental e cristã?

    Penso que até com dois neurónios se pode assim entender que não fui eu quem veio falar em comparações, eu apenas respondi a essa comparação.
    Quanto a ultrapassagens civilizacionais, é de notar que a Europa mais cristã, isto é, a da Idade Média, não era civilizacionalmente superior à Índia. A Europa só começou a ultrapassar - em tecnologia e poder militar… - as outras civilizações quando o Cristianismo começou a perder terreno na Europa e à medida que a antiga cultura europeia, PAGÃ, foi retornando à tona, foi sendo recuperada. A Europa começou a ultrapassar o resto do mundo, nomeadamente o Islão, a partir do Renascimento.

    Estranha coincidência, não é?

  25. vanderley Diz:

    Caturo

    Perdoe a minha ignorância mas o que exatamente significa estes 50 % que estão faltando.

    voce diz: “continua a significar mediocridade civilizacional, pois que a cultura genuinamente ocidental, de raiz pagã, era muito mais vasta e luminosa do que aquela que a Igreja deixou passar.”

    Voce que dizer que a cultura pagã era superior a grego-romana?

    Realmente, creio que voce esteja levando o seu ateismo ao extremo,
    distorcendo a verdade.

    Penso que voce até tem o direito de ser ateu, mas os fatos históricos
    precisam ser vistos com mais isenção.

    A base da civilização ocidental é cristã, isto pode desagradar alguns, mas é verdadeiro. A Igreja colaborou muito com a evolução dos povos do Ocidente.

    Portugal e Espanha que desbravaram o mundo no Renascimento eram pagãos? E Veneza, Genova?

    Não ! Pelo contrário eram marcadamente cristãos.

  26. Caturo Diz:

    Vanderley, entendeu mal algumas coisas.
    Não sou ateu. A base da civilização ocidental não é cristã, mas sim greco-romana, ou seja, deriva de fundamentos estabelecidos no tempo do Paganismo.
    Visto isto, é óbvio que eu nunca diria que a cultura greco-romana era inferior à cultura pagã, visto que a cultura greco-romana era realmente pagã…

    Portugal e Espanha eram cristãos quando descobriram boa parte do mundo porque o Cristianismo foi imposto pela força na Ibéria e em toda a Europa. O mesmo se aplica a Veneza e a Génova.

    Os tais «50%» que faltam são precisamente a essência religiosa do Ocidente: o culto dos verdadeiros Deuses dos Europeus, que o Cristianismo tudo fez para combater, perseguir e proibir.

  27. vanderley Diz:

    Caturo:

    veja o que eu disse:

    “O Ocidente é movido pelas bases do Direito Romano, Filosofia Grega e
    Moral Judaico-Cristã.”

    A confusão que fiz foi em relação à religião dos gregos e romanos, antes do cristianismo que eram pagãos . Na verdade estava me referindo mais a cultura : grego-romana x celtas,bárbaros,etc.

    A religião cristã é predomiante no Ocidente há quase 2000 anos. Negar a sua importância e querer diminuir o seu impacto na cultura é impossível.

    É obvio que existe uma influência enorme da religião cristã na cultura grego-romana.

    Ao que me consta tanto Roma (pelo menos 500 anos) e Grécia foram influenciados pelo Cristianismo, aliás eles assumiram o Cristianismo.

    voce diz:
    “porque o Cristianismo foi imposto pela força na Ibéria e em toda a Europa.”

    Essa foi de doer … E o Coliseu e os circos , e as perseguições romanas ?

    Se voce disser que ele passou a ser predominante no decorrer dos séculos, eu concordo, mas imposto, não.

    Se eu entendi bem voce está confuso .

    voce disse anteriormenete:

    ” pois que a cultura genuinamente ocidental, de raiz pagã, era muito mais vasta e luminosa do que aquela que a Igreja deixou passar.”

    Primeiro voce disse que a Igreja permitiu apenas 50% da cultura pagã permanecesse.
    Deste modo haveria uma perda de 50% que eu gostaria de saber do que se trata.

    Agora voce diz:

    “Os tais «50%» que faltam são precisamente a essência religiosa do Ocidente: o culto dos verdadeiros Deuses dos Europeus, que o Cristianismo tudo fez para combater, perseguir e proibir.”

    Mas nesse comentário final, voce reduziu tudo a questão religiosa.

    Ótimo, porque se tudo se resume a questão religiosa, a conversa é outra.

    Nos iremos falar sobre Paganismo x Cristianismo.

    PS. Perdão pela curiosidade se voce não é ateu. O que voce é ?

  28. Caturo Diz:

    Diz você que «existe uma influência enorme da religião cristã na cultura grego-romana.»

    O que quer dizer com isso, quando na realidade o que se sabe é que a cultura greco-romana começou a morrer quando o Cristianismo se implantou pela força?

    O facto de terem existido perseguições políticas aos cristãos, não serve para esconder o facto de que os cristãos assim que chegaram ao poder começaram de imediato a perseguir tudo o que não fosse cristão. Por conseguinte, o credo cristão foi imposto sim, com sucessivas leis de proibição do culto pagão sob pena de morte.

    Agora, as «percentagens»:
    Eu disse que a cultura genuinamente ocidental, de raiz pagã, era muito mais vasta e luminosa do que aquela que a Igreja deixou passar.

    Não disse que só deixou passar 50%, a comparação com a metade da herança foi só um simbolismo…

    Mas é realmente verdade que muita da cultura greco-romana foi combatida pela Igreja, e um episódio que o atesta é o encerramento da Academia de Atenas por parte dum imperador cristão. Outro, é o fim dos Jogos Olímpicos.

    E, acima de tudo, a herança espiritual genuinamente ocidental. Assim, os tais «50%» (repare nas aspas, no original) que faltam são precisamente a essência religiosa do Ocidente: o culto dos verdadeiros Deuses dos Europeus, que o Cristianismo tudo fez para combater, perseguir e proibir.

    E já que pergunta, posso dizer que sou gentio, isto é, pagão.

  29. vanderley Diz:

    É óbvio que existiu uma influência da Igreja na cultura grego-romana.

    Qual era cultura que predomianva na Europa na época?

    Grecia e Roma.

    Logo a Igreja se desenvolveu e influenciou justamente neste ambiente cultural.

    Não foi na cultura chinesa, azteca, hindu, etc.

    É claro que antes do surgimento da Igreja, esta cultura não foi influenciada por ela.

    A cultura grego-romana morreu sob a influência do Cristianismo ?

    Isso é um absurdo ! Qualquer pessoa sabe que a tendência quando
    há um encontro em povos de diferentes niveis culturais, a tendência
    é haver predominância daquela que estiver mais evoluida.

    No nosso caso a grego-romana prevaleceu, até porque os judeus não invadiram Roma, eles eram fugitivos da diáspora.

    A mudança e a evolução que teve foi no campo religioso.

    Essa cultura assimilou uma religião muito mais evoluida, no caso o Cristianismo.

    Sobre os jogos olímpicos :

    “Tradicionalmente costuma-se afirmar que os primeiros Jogos realizaram na Grécia Antiga no ano 776 a.C., como uma importante celebração e tributo aos deuses. Tendo sido proibidos pelo imperador cristão Teodósio I em 393 da era actual, por serem uma manifestação do paganismo.”

    sobre a Academia:

    “a Academia de Platão só foi fechada em 529, por imposição do imperador romano, Justiniano.”

    Quem fechou a Academia e proibiu os jogos olimpicos foi o Império Romano não foi a Igreja, até porque ela não tinha poder para isso.

    No caso dos jogos olímpicos o motivo religioso é bem evidente.

    Quanto a Academia de Platão ele só foi fechada 200 anos depois.
    Não conheço os detalhes, mas provavelmente ela passou a ser um foco de paganismo ou descumpriram alguma ordem do imperador.

    Não creio que só esses dois fatos signifiquem o que voce disse:

    “a cultura greco-romana começou a morrer quando
    o Cristianismo se implantou pela força?”

    Tanto no casos dos jogos como na academia a motivação do embate
    da época é mais religioso do que científico,artistico,esportivo,etc.

    voce diz:

    “Assim, os tais «50%» (repare nas aspas, no original) que
    faltam são precisamente a essência religiosa do Ocidente:
    o culto dos verdadeiros Deuses dos Europeus, que o
    Cristianismo tudo fez para combater, perseguir e proibir.”

    Resumindo tudo:

    Apenas questão religiosa : Paganismo x Cristianismo.

    Como voce diz pagão. Então voce tenta “desmoralizar” a Igreja
    e desvalorizar a sua importância na história.

    Voce destaca pequenos detalhes ou até erros, mas não enxerga ou não quer enxergar a grandeza.

    Eu até admito que a pessoa tenha outra religião que não a minha.

    Mas o que não dá para aceitar é que diante dos fatos e evidências históricas a obstinação em defender uma posição equivocada.

    Só que infelizmente para seu desagrado não dá para mudar a história nem rescreve-la segundo a conveniência de cada um.

    Voltando ao tópico a Igreja é fundamental para a cultura ocidental.

  30. Caturo Diz:

    É óbvio que quando se fala em cultura greco-romana, se está a falar da cultura da Antiguidade, que nasceu e desenvolveu-se muito antes do Cristianismo nascer. Assim, dizer que a Igreja influenciou a cultura greco-romana é um erro crasso, não apenas pelo facto que acabei de citar, mas também porque a cultura «greco-romana» sobre a qual a Igreja exerceu influência foi já uma misturada da cultura greco-romana com elementos bárbaros, nomeadamente germânicos.

    Acresce que a cultura greco-romana foi realmente asfixiada em grande parte pela Cristandade, ou então não teria havido uma época que se chamou «Renascimento». O Renascimento foi precisamente o retorno da cultura greco-romana como critério direccionador do pensamento. Ora é óbvio que se a cultura greco-romana nunca tivesse sido sufocada e parcialmente esquecida, não era necessário ter havido Renascimento algum…

    O Cristianismo impôs-se ao mundo greco-romano pela intimidação e pela força, motivo pelo qual constitui indigno descaramento vir dizer que houve aqui uma evolução, quando o que na realidade aconteceu foi pura e simplesmente uma imposição. E uma imposição dum religião em nada superior às religiões dos Gregos e dos Romanos, pois que o Cristianismo está muito aquém dos gloriosos cultos helénicos e latinos.

    Tem entretanto imensa piada que você queira branquear o papel da Cristandade na repressão da cultura antiga. O Império Romano que proibiu os Jogos Olímpicos e acabou com a Academia de Atenas era CRISTÃO, estava sob a tutela espiritual da Igreja, fez o que fez EM NOME DO Cristianismo, mas você faz-se desentendido e resolve pôr as culpas todas em cima «do Império». Ora nunca o Império pagão reprimiu a cultura desta maneira tão aberta e totalitária. Aliás, mesmo involuntariamente, você confirma essa intolerância cristã, ao dizer que o motivo da proibição dos jogos e da academia foi religioso. Ou seja, em nome da religião, acabou-se com duas instituições fundamentais da cultura do mundo antigo.
    Enfim, deve ser a isso que você chama «grandeza»…

    Quanto às evidências e factos históricos, já ficou amplamente demonstrado que você não tem razão. Ainda assim, esforça-se por desviar as atenções e por esconder a verdade.

  31. vanderley Diz:

    Voce esta dando voltas, perdido , correndo em circulos.

    EU PERGUNTEI :

    O QUE FOI SUPRIMIDO DA CULTURA GREGO-ROMANA APÓS O SURGIMENTO DA IGREJA?

    Voce escreveu,escreveu…. e conclui que a questão abrange o lado religioso

    suas palavras:

    “Assim, os tais «50%» (repare nas aspas, no original) que faltam são precisamente a essência religiosa do Ocidente: o culto dos verdadeiros Deuses dos Europeus, que o Cristianismo tudo fez para combater, perseguir e proibir.”

    Ora se não é lado religioso é o que exatamente?

    Sócrates, Platão, Aristóteles, etc,etc

    voce diz:

    “O Cristianismo impôs-se ao mundo greco-romano pela
    intimidação e pela força”

    Só pode ser piada !

    Eu fico imaginando as “legiões ” cristãs invadindo a Grécia, tomando Roma…..

    Aonde voce aprendeu isso ?

    Zero de história para voce.

    Qualquer pessoa com um pouco de conhecimento de História sabe
    que os cristãos foram perseguidos por cerca de :

    300 ANOS !!!!! pelo Império Romano

    Voce esqueceu-se de NERO, Trajano, Diocleciano , Décio, etc,etc, !!!

    Esqueceu-se dos martíres cristãos queimados como tochas humanas,
    levado aos circos e servidos como alimentos aos leões, !!!!

    Esqueceu das catacumbas !!!

    Quanto aos jogos olímpicos e academia fui eu ,exatamente, que citei os
    fatos (vide Wikepédia).

    E disse bem claro que os jogos olimpicos foram encerrados por motivos
    religiosos.

    Só quem fez isso foi o imperador e não o papa.

    Quem detinha o poder em Roma eram os imperadores.

    Agora, é um absurdo dizer que isto seja a “asfixia” da cultura vigente.

    A Academia era apenas uma escola. Não creio que isso tenha afetado a evolução da cultura européia.

    O Renascimento é bem distante, cerca de 1000 anos depois.

    Estamos falando ainda na vigência do Império Romano .

    Quanto ao fato da “imposição ” da religião cristã é uma afirmação
    ridicula, eu já citei acima como os cristãos se “impuseram”:

    nas catacumbas, nos circos romanos, etc

    Quanto a discutir religião cristã e a pagã, conheço bem uma e a outra um pouco, mas não há termo de comparação.

    Infelizmente ,para voce, a distância é enorme.

    Tanto assim que os bárbaros que eram todos pagãos com o passar do
    tempo adotaram o Cristianismo.

    E olhe que eles tomaram o Império Romano e podiam impor a sua religião, no entanto eles se converteram ao Cristianismo.

    Logo….. Como voce explica isso ?

  32. Caturo Diz:

    Você faz de contas que não vê os argumentos que lhe deitam por terra as teorias e depois tem o descaramento de dizer que eu «estou dando voltas», o que bem demonstra o seu desespero por ver todas as suas objecções a serem deitadas por terra.

    Assim, quando perguntou, passo a citar,
    O QUE FOI SUPRIMIDO DA CULTURA GREGO-ROMANA APÓS O SURGIMENTO DA IGREJA?

    eu RESPONDI

    OS JOGOS OLÍMPICOS, A ACADEMIA, A RELIGIÃO,

    e fiquei-me por apenas alguns exemplos.

    Ora você da religião faz pouco caso porque para si a religião alheia não é cultura (característica mental tipicamente cristã, fanática e intolerante); e, quanto aos outros dois aspectos, tem o descaramento idiota de dizer que foi você que citou os factos, quando fui eu que dei esses exemplos, e, para cúmulo, de dizer que «ai, só foram proibidos por motivos religiosos».

    Ora preste atenção: É PRECISAMENTE DOS MOTIVOS RELIGIOSOS DA INTOLERÂNCIA CRISTÃ QUE SE ESTÁ A FALAR.

    Ou você ainda não percebeu?

    Talvez tenha percebido sim, e muito bem, por isso é que está a querer desviar a conversa…

    Quanto à imposição do Cristianismo em Roma, a sua mediocridade argumentativa é ainda mais flagrante: esperava-se que ao menos tivesse tido o cuidado de se ir informar, mas não. Sendo assim, vai ter mesmo de aprender aqui:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Decline_of_Hellenistic_polytheism

    Aí encontra uma extensa lista de leis e mais leis a proibir o Paganismo, algumas delas sob pena de MORTE. O imperador cristão Teodósio I chegou mesmo a proibir o culto dos espíritos dos antepassados NO PRÓPRIO LAR, ou seja, EM PRIVADO, no que constitui uma raiz do TOTALITARISMO.

    Ora você não só ignora isto, apesar de eu continuamente lhe fazer referência, como ainda por cima comete a seguir outro erro grosseiro, ao dizer que o Cristianismo foi perseguido durante «300 anos!!!», o que é pura e simplesmente MENTIRA.

    Na verdade, não houve no Império Romano uma perseguição sistemática do Cristianismo - as perseguições aos cristãos eram circunstanciais e dependeram dum ou doutro imperador, e foram relativamente poucos os imperadores que perseguiram o Cristianismo. Informe-se:
    According to H. B. Workman, the average Christian was not much affected by the persecutions. It was Christian “extremists” that attracted the attention of angry Pagans. “Earthly institutions should not be judged by their averages, but by the ideals of their leaders”, Workman adds. Persecution of Christians only became significant, curiously enough, in the 3rd and 4th centuries, on the eve of the Christian triumph.[2]

    The Roman persecutions were generally sporadic, localized, and dependent on the political climate and disposition of each emperor.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Persecution_of_early_Christians_in_the_Roman_Empire

    Quanto aos bárbaros, a história foi similar: convertidos à força uns, outros por intimidação, outros ainda por conveniência política. O massacre cometido por Carlos Magno contra os Saxões foi disto um bom exemplo. Outro foram as cruzadas do Báltico. De resto, os bárbaros que tomaram o Império já tinham sido cristianizados, pelo que o argumento do seu último parágrafo é igualmente inválido.

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